Alterações no olfato: especialista comenta sobre causas e cuidados
A perda do olfato pode estar relacionada à diversas causas e precisa ser avaliado individualmente. A médica otorrinolaringologista, Bibiana Fortes, esclarece as principais causas e cuidados necessários para os casos de perda de olfato: “muitos já ouviram falar que o coronavírus causa perda de olfato podendo ser uma perda parcial (hiposmia) ou uma perda total (anosmia). Estudos mostram que cerca de 70% dos pacientes com Covid-19 podem ter alterações no olfato, podendo chegar a 98% conforme a literatura. Felizmente, boa parte dos pacientes vêm recuperando esse sintoma nas primeiras duas semanas. No entanto, alguns podem persistir com essa dificuldade em sentir cheiro e também o gosto, já que paladar e olfato estão relacionados. Se fizermos uma comparação com outras doenças virais, realmente a maioria dos pacientes tende a recuperar o olfato, mas alguns podem nunca mais recuperar”, explica.
Causas podem estar relacionadas à diversas doenças
De acordo com a especialista, as principais causas de distúrbios de olfato são as doenças virais, como a gripe, coronavírus, rinossinusites. Contudo, é preciso lembrar que a perda de olfato pode ser a primeira manifestação de uma doença neurológica, como: Alzheimer, Parkinson, Esclerose Múltipla, como também pode ocorrer devido a um trauma na cabeça ou a doenças metabólicas. “Independentemente da causa da perda, o paciente precisa procurar um otorrinolaringologista para uma avaliação e para otimizar o tratamento. Afinal, você não sabe se será um paciente que evoluirá bem ou mal com relação a esse sintoma, mesmo sendo um caso de Covid-19 em que muitos estão apresentando boa evolução”.
Cuidados e formas de tratamento
Existem diversos tipos de medicações, algumas com evidências científicas fortes e outras nem tanto, para o tratamento da perda de olfato. “Assim, uma avaliação médica é necessária para saber qual a melhor proposta de tratamento e em qual momento usar a medicação correta. Contudo, existe um tipo de tratamento que pode e deve ser instituído o mais breve possível do início da perda, que é o Treinamento Olfatório”, comenta.
Bibiana pontua que esse treinamento consiste em cheirar algumas substâncias, geralmente em torno de sete, facilmente encontradas em nossa casa, por exemplo: café, essência de baunilha e vinagre de vinho tinto. O paciente vai cheirar essas substâncias duas vezes ao dia durante um período de três meses. “É um tratamento longo, infelizmente, para alguns até desanimador, mas fazemos aqui uma analogia com um paciente que teve um AVC (derrame) e ficou com uma sequela motora. Dependendo da gravidade dessa sequela, não vamos esperar que o paciente recupere seus movimentos em uma ou duas semanas com a fisioterapia. Precisamos, portanto, ter paciência, pois sabemos que o treinamento olfatório é um tratamento inofensivo, fácil de fazer, de baixo custo e vem apresentando bons resultados. Assim, se você tem ou conhece alguém com alterações no olfato independente da causa, consulte ou aconselhe consultar um otorrinolaringologista para uma melhor avaliação e para orientar o tratamento mais adequado”.