Hábitos saudáveis são fundamentais para a prevenção da diabetes
Pessoas com diabetes integram o grupo de risco para o desenvolvimento de complicações relacionadas ao coronavírus. A médica endocrinologista, Dra. Paula Stefenon, esclarece sobre o diagnóstico e prevenção da doença, que em muitos casos pode não apresentar sintomas.
Diabetes Tipo 1 e Diabetes Tipo 2
“O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, ou seja, o próprio corpo cria anticorpos que inflamam e causam destruição das células beta pancreáticas que são responsáveis por produzir insulina. Dessa maneira o único tratamento indicado nesses casos é a utilização de insulina. Esse tipo de diabetes é mais comum em crianças, adolescente e adultos jovens, sem excesso de peso. O diabetes tipo 2 ocorre por uma deficiência na ação da insulina nos tecidos levando a um aumento da glicose. É o tipo de diabetes mais comum e costuma afetar pessoas mais velhas e/ou com excesso de peso. Tem uma importante relação com história familiar a hábitos alimentares. Para o tratamento utilizamos antidiabéticos orais, mas em alguns casos precisamos também utilizar insulina”, pontua Dra. Paula.
Sinais de alerta para a busca por auxílio especializado
“Sintomas como muita sede, necessidade de urinar frequentemente, infecções urinárias ou genitais, infecções de pele, visão turva, cansaço, feridas que não cicatrizam são sintomas de diabetes. Sempre que apresentar algum destes sintomas deve-se fazer exame de glicose. No entanto, é importante lembrar que até metade das pessoas não apresenta nenhum sintoma. Por isso é importante que seja feito rastreamento para diabetes, mesmo na ausência de sintomas, para pessoas acima dos 45 anos, ou antes se houver fatores de risco para desenvolver diabetes”, esclarece a médica endocrinologista.
Fatores de risco para o desenvolvimento do diabetes
“Os principais fatores de risco para o diabetes tipo 2 são: excesso de peso, má alimentação, sedentarismo, comorbidades (hipertensão, dislipidemia, doenças cardiovasculares, síndrome dos ovários policísticos), história familiar de diabetes, ter história prévia de diabetes gestacional e idade (quanto mais velho, maior a chance de ter alterações de glicose)”, salienta.
Complicações associadas ao diabetes
O tratamento adequado é fundamental para evitar as complicações associadas ao diabetes. “Quando não tratado adequadamente, para manter glicemias dentro da meta, aumenta o risco de doenças cardiovasculares; perda de visão; perda de função renal podendo evoluir para a necessidade de diálise, alterações de sensibilidade nos membros inferiores, favorecendo amputações; alterações da função sexual; aumento de risco de demência; alterações do fígado podendo evoluir para cirrose; e até alguns tipos de neoplasia. No entanto, é importante frisar que o bom controle da glicose evita essas complicações!”.
Pré-diabetes é sinal de alerta para a mudança de hábitos
“Pré-diabetes é uma condição na qual os valores glicêmicos estão acima do valor de referência, mas ainda abaixo daqueles determinados para o diagnóstico de diabetes. Se não houver medidas de combate aos fatores de risco modificáveis como maus hábitos alimentares e sedentarismo, ela evolui frequentemente para diabetes clinicamente manifesto. Na maioria dos casos a pessoa é assintomática, mas já apresenta um risco aumentado para doenças cardiovasculares e por isso a mudança de estilo de vida e, em alguns casos medicações, são necessários”, explica Dra. Paula.
Prevenção e controle do diabetes
“Ter hábitos saudáveis de vida é essencial tanto para prevenção quanto para o tratamento. Uma alimentação pobre em açucares, carboidratos refinados e rica em fibras e proteínas e gorduras de boa qualidade, com grande variedade em vegetais previne e controla não só o diabetes, mas também outras doenças como hipertensão, dislipidemia, doenças cardiovasculares, algumas neoplasias. Além da alimentação, ter uma rotina de atividade física e até mesmo medidas simples como redução do tempo sentado no dia a dia, melhoram o controle do diabetes e das outras doenças citadas acima”, finaliza.