Cuidados com a saúde do homem não se restringem apenas ao câncer de próstata
Visando desmitificar os tabus da sociedade sobre o câncer de próstata e alertar a necessidade dos homens terem um cuidado geral com sua saúde, a Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) promoveu, na semana passada, a edição de novembro do Ciclo de Palestras com o tema: "Novembro Azul e a Saúde do Homem". Tendo incidência maior na terceira idade, a doença apresenta alta taxa de cura quando diagnosticada precocemente, mas esbarra no incômodo dos homens de meia-idade em falar sobre ela, o que intensifica a necessidade de campanhas e de mais diálogo.
De acordo com o médico urologista, especialista com Residência em Cirurgia Geral e Urologia, Emanuel Burck dos Santos, a prevenção é feita em três instâncias: primária, secundária e terciária. "Em um primeiro momento, atuamos com prevenção analisando características hereditárias e de saúde do homem. No estágio secundário, com diagnóstico precoce e o exame de toque, e no terceiro, uma vez que a doença é diagnosticada, cuidamos para que o paciente possa ser tratado da maneira correta para evitar complicações mais tardias da doença", explicou.
Burck também reiterou a necessidade de se tratar o tema com seriedade e lembrou que as doenças do homem não se restringem apenas à próstata. "Esta doença é uma coisa séria, mas a saúde do homem vai além disto. O ‘Novembro Azul’ é um bom momento para discutirmos todos os problemas que envolvem a saúde do homem que vêm sendo negligenciados", acrescentou.
A médica urologista e membro da Sociedade Brasileira de Urologia, Ana Francisa Mazzotti, seguiu a linha de Bruck e defendeu a necessidade de um novembro em que se fala da Saúde do homem como um todo. "O homem precisa ir mais ao médico. Os jovens já estão tirando de letra isto, mas os homens de meia-idade ainda tem muita dificuldade e resistência de ir ao consultório. Estamos em 2020 e ainda vemos cenas como o paciente na tua frente te dizer que prefere morrer do que fazer o exame de toque. As campanhas são fundamentais e só tem a acrescentar", salientou.
Ana Mazzoti chamou atenção para a importância de se cuidar da saúde e ter hábitos mais saudáveis no dia a dia, o que pode evitar, inclusive o câncer de próstata e outras enfermidades. "Não se sabe o que causa o câncer na próstata, mas existem alguns fatores que podem ser controlados, como a dieta. Estudos mostram que uma alimentação saudável, hábitos esportivos e cuidados frequentes com a saúde podem diminuir a incidência (...) Esses são fatores que podemos interferir. Saúde, alimentação, alcoolismo, obesidade e sedentarismo. São coisas que podemos agir de forma preventiva", indicou.
Urologista reforça a importância do rastreamento e diagnóstico precoce
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), estima-se que para cada ano do triênio de 2020 a 2022, sejam diagnosticados, no Brasil, 65.840 novos casos de câncer de próstata. Esse valor corresponde a um risco estimado de 62,95 casos novos a cada 100 mil homens.
O urologista, Leonardo Borges, reforça que, mesmo em período de pandemia, homens devem prosseguir com as suas consultas de rotina para evitar diagnósticos tardios. “Alguns tipos de tumores podem não necessitar de tratamento específico, mas requerem um acompanhamento contínuo, enquanto outros devem ser prontamente tratados, devido ao comportamento maligno invasivo. Quando precocemente detectado, restrito à próstata, há uma maior chance de cura, por isso é tão importante a consulta anual com o urologista e a realização de check-ups periódicos, mesmo em pessoas assintomáticas”, orienta.
Acompanhamento médico e rastreamento são fundamentais para um bom prognóstico
A Sociedade Brasileira de Patologia estima que, por conta da pandemia do coronavírus, ao menos 50 mil brasileiros deixaram de fazer o diagnóstico de câncer neste período e outros milhares, já com tumores confirmados, tiveram seus tratamentos adiados.
Segundo Dr. Leonardo, mesmo nesta fase de limitação de deslocamentos, o acompanhamento médico e tratamentos que já vinham sendo feitos não devem ser abandonados. “Há problemas de saúde que não podem ser esquecidos ou adiados. É muito importante que pacientes e urologistas conversem para saber sobre o estado de saúde, avaliar os riscos e benefícios de se fazer os exames de rotina e a possibilidade de prosseguir com o procedimento cirúrgico programado ou não”, explica.
Prevenção e diagnóstico precoce
O urologista também alerta que o câncer de próstata normalmente não apresenta sintomas em suas fases precoces. “Por isso o rastreamento e a conversa com um especialista são as formas mais efetivas para o diagnóstico precoce, permitindo a identificação de anomalias em sua forma inicial”, afirma o Dr. Leonardo Borges. Uma vez que o exame físico da próstata ou o antígeno prostático específico (PSA) - exame de sangue usado para diagnóstico e monitoramento de alterações na próstata – apresentem variações que levem à suspeita de tumores, uma biópsia de próstata deve ser realizada para confirmar o diagnóstico.
No Brasil, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda que homens a partir de 50 anos devam procurar um urologista para realizarem os exames de detecção precoce do câncer de próstata. Aqueles com fatores de risco, como histórico familiar de câncer de próstata (parentes de 1º. Grau) e raça negra, devem iniciar as consultas aos 45 anos. “Para se ter uma ideia, pacientes que têm um familiar de primeiro grau com câncer de próstata, têm duas vezes mais risco de desenvolver a doença durante a vida, enquanto aqueles com dois familiares de primeiro grau acometidos, elevam esse risco em seis vezes mais”, alerta.
Dr. Leonardo salienta que a visita ao urologista, motivada pelo Novembro Azul, também deve ser encarada como uma oportunidade de promoção à saúde. “Na consulta, o médico é capaz de realizar um inventário de todo o estado de saúde do paciente, identificando e informando quais hábitos não saudáveis devem ser revistos”, reforça.