Mas casos de violência sexual, psicológica e envolvimento com drogas ainda são os mais registrados na maior cidade da região
O primeiro ano dos cinco conselheiros eleitos pela comunidade para o Conselho Tutelar de Erechim, encerrou com a diminuição nos números de violência contra a criança e o adolescente no município. Se por um lado os índices são positivos, Erechim lamenta a rotina negativa de registros de casos de violência sexual, psicológica e o envolvimento de jovens com o uso de drogas, além de mais de 700 casos de abandono da escola. Em fase final do levantamento que deve ser divulgado na Câmara de Vereadores nas próxima semana, o conselheiro que exerceu a função de coordenador da entidade em 2016, Aladir Carlos Mariga, explica que a queda da violência no primeiro grupo ocorreu devido a uma maior conscientização da população sobre as crianças. "Acreditamos que chegou até as pessoas o conhecimento e a importância de fazermos esta proteção, principalmente através da denúncia", destacou.
Segundo Mariga no último ano o Conselho Tutelar recebeu mais de 1.500 denúncias, sendo que o número se divide quase que igualmente entre os sexos masculino (50,39%) e feminino (49,61%). "Nosso trabalho é aplicar medidas de proteção ao adolescente, em conjunto com uma rede de proteção. As vezes esta rede tem falhado, fato que também acarretou o aumento do número de alguns casos específicos", pontua o conselheiro.
De acordo com os integrante do conselho não é possível apontar números específicos antes do fechamento do levantamento, mas já vale destacar o que deve aumentar ou diminuir quando o assunto é a violência contra a criança.
Trabalho em conjunto
Conforme a nova coordenadora do Conselho Tutelar em 2017 e também conselheira, Ivete Manfredini, o órgão trabalha em conjunto com o Ministério Público, Polícia Civil, escolas, Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS) e o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). "Toda esta rede funciona de uma forma muito rápida, principalmente quando temos a comprovação de um caso de violência, por exemplo," explica à conselheira.
Mas de acordo com Ivete, o processo precisa ficar ainda mais rápido quando os casos ainda não são comprovados e estão sendo apurados. "Vejo que neste momento precisamos melhorar o sistema de prevenção, principalmente no sentido de estreitar laços com o Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas) e as unidades do Centro de Referência em Assistência Social, que têm serviços técnicos capazes de fazer avaliação de casos como de abusos sexual através de avaliações psicológicas e emitir documentos que podem comprovar que a violência existiu, pernitindo assim a abertura do processo para a retirada da criança ou do agressor do mesmo ambiente", comenta.
Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente
Segundo Mariga, além deste estreitamento nas relações entre órgãos de atendimentos à comunidade, uma Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (Deca), também auxiliaria ainda mais na queda dos índices de violência quanto aos menores em Erechim. "Neste ano vamos buscar uma maior conversação com o poder Executivo. Sabemos a dificuldade do Estado para designar uma delegacia específica em Erechim, mas aos poucos vamos trabalhando com objetivo de reduzir estes índices", explica.
De acordo com a delegada da 11° Delegacia Regional da Polícia Civil, Diana Zanatta, Erechim espera receber uma unidade da Deca, mas ainda não tem previsão da instalação. "Seria importante, mas no momento atual isso não é possível, por que não temos pessoal ou recursos para instalação", comenta.
A delegada explica ainda que os casos mais graves como de violência sexual contra meninas, atualmente são atendidos pela Delegacia de Atendimento a Mulher (DEAM). Já outros casos são auxiliados pelas Delegacias de Polícia Civil locais com apoio da Deca de Passo Fundo.
Sobrecarga nos atendimentos
A coordenadora do Conselho Tutelar, Ivete Manfredini, também explica que atualmente os cinco conselheiros precisam atender diariamente uma população de mais de 100 mil habitantes. "O número aqui em Erechim é o mesmo quem em Ponte Preta, por exemplo, que tem uma população de pouco mais de duas mil pessoas. Isso causa uma sobrecarga no atendimento e a demora em alguns casos infelizmente", explica.
Conforme a conselheira, muitas pessoas ainda tentam utilizar o trabalho do órgão de má fé. "Todos os casos que chegam aqui, fazemos uma análise através de uma conversa. Muitas vezes casais, familiares e vizinhos tentam resolver problemas pessoais aqui, mas é importante que as pessoas saibam que também somos um órgão de orientação, e que dependendo da situação, elas precisam procurar a Polícia Civil ou a Brigada Militar", pontua.
Abusos, drogas e evasão escolar
Ivete explica que casos de violência sexual e psicológica, infelizmente têm aparecido com frequência nos atendimento do Conselho Tutelar, além do envolvimento de muitos jovens com as drogas. "Acreditamos que muito da evasão escolar, que ultrapassou a casa de 700 em 2016, tem acarretado estes problemas como o início no mundo das drogas por parte destes jovens", explica. Sobre os casos de abusos a conselheira destaca que os índices sofreram aumento em razão do trabalho feito em conjunto com escolas, assistentes sociais e de saúde.