Polícia Civil investiga ação de quadrilhas especializadas em crimes por telefone e internet
A Polícia Civil ampliou o cerco da polícia às quadrilhas de estelionatários que agem em Erechim e região do Alto Uruguai. Além do "conto do bilhete" a região tem registrado inúmeros golpes e tentativas de golpe por telefone e também pela internet. Presencialmente ou pelo meio virtual os criminosos utilizam as mesmas estratégias: promessas de dinheiro fácil, falsos sequestros, pedidos de ajuda e patrocínio, venda de produtos inexistentes ou simplesmente extorsão. O objetivo é fazer novas vítimas e arrecadar dinheiro.
Segundo o delegado titular da 1° Delegacia da Polícia Civil de Erechim, Rodrigo de Souza Leal Dreyer, o principal caminho encontrado pelos criminosos é os meios eletrônicos. Aplicando golpes principalmente através do telefone e de falsos sites de compra os estelionatários utilizam sempre nome de grandes marcas de empresas do varejo nacional para lesar pessoas de todas as idades. "Quando se fala em estelionato, lembra-se do principal golpe do conto do bilhete, que já é tradicional em nossa região, mas nos últimos meses, muitas pessoas têm sido enganadas principalmente em sites de compras na internet", destaca o policial.
Golpes
De acordo com Dreyer os casos de estelionato por meios eletrônicos crescem a cada mês na maior cidade da região. Segundo um levantamento feito junto as duas delegacias da Polícia Civil de Erechim, que investigam os casos de estelionato, por mês são feitos cerca de 50 registros de estelionato em Erechim, uma média de quase dois casos por dia. Conforme os investigadores, entre os golpes mais comuns estão; Falso boleto em site de compra e vendas na internet, conto do bilhete, notícia do falso familiar - em que os criminosos pedem dinheiro se passando por um familiar distante-, falso sequestro e a solicitação de ajuda a entidades.
O último golpe citado pelos investigadores vem crescendo em toda a região do Alto Uruguai e já levou um suspeito para cadeia. O falso pedido de auxilio a entidades estava sendo aplicado em Erechim por um grupo criminoso da região metropolitana que está sendo investigado pela Polícia Civil. O estelionatários pediam dinheiro por telefone a empresários, em nome da Brigada Militar, Polícia Civil e Polícia Rodoviária Federal, vendendo um falso anúncio. No dia 06 de janeiro, momento que os criminosos chegaram à cidade para recolher os valores do falso golpe, um casal chegou a ser preso. E um dos suspeitos, Elizeu Barros Machado (31), confirmou que estava recendo os valores, mas disse que havia sido contratado por uma terceira pessoa desconhecida. Mas em menos de 24 horas após ser detido, Eliseu, foi liberado com habeas corpus e está em liberdade provisória. Se condenado ele pode pegar de um a cinco anos de prisão, de acordo com Código Penal Brasileiro.
O delegado alerta que o principal golpe funciona da seguinte forma. "Os sites têm aparência de uma grande rede comercial. Lá muitos produtos aparecem com valores muito abaixo da média de mercado, com isso a vítima fecha o negócio, imprime um boleto e paga, mas a mercadoria nunca chega. Então as vítimas ligam para estas redes verdadeiras e infelizmente que caíram em um golpe", explica o delegado.
Vítimas
Encontrar uma vítima de estelionato é sempre mais complicado. Embora com número crescente, muitas pessoas que são enganadas preferem o silêncio, seja por vergonha ou medo. É o caso da jovem erechinense, Vanessa, de 22 anos, que aceitou conversar com a reportagem, mas pediu que o nome completo e imagem fossem preservados. A estudante de arquitetura e urbanismo caiu em um golpe via internet no fim de 2016, quando comprou um aparelho celular através de um site de compras, que utilizava nome e logo da rede americana de varejo Walmart.
Vanessa lembra que não chegou a desconfiar do negócio devido ao período de promoções oferecidas pelas redes de varejo no fim de ano e por já ter comprado na internet em outros sites. "Cheguei até um anúncio de um Iphone 5s pelo preço de R$ 900, valor bem abaixo do de mercado. Após colocar no Google (site de buscas) o nome do aparelho, a melhor oferta apareceu entre primeiras opções", comentou. De acordo com Vanessa, após fechar o negócio e também efetuar o pagamento através de um boleto bancário, suas preocupações iniciaram quando o tempo de entrega excedeu o período prometido no site. "Era para ser três dias úteis, mas quando estava na segunda semana eu nem havia recebido o código de rastreamento. Descobri o golpe quando liguei para Walmart e a empresa informou que não havia nenhum pedido em meu nome. Então procurei a polícia e fiz o registro do fato", relatou. Ainda segundo Vanessa, o link do site utilizado no momento da compra desapareceu loogo após o fechamento do negócio. "Não sabia se era normal ou não, mas entrei no site verdadeiro da Walmart em outros produtos e vi que algumas coisas, como a forma de pagamento eram diferentes", destacou.
Com o registro de ocorrência em mãos a jovem agora espera que o responsável pelo golpe seja encontrado para que ela receba de volta o dinheiro pago pelo aparelho que não chegou. "Fiz o registro, entreguei uma cópia do boleto pago que constava o nome de uma empresa. Os policiais falaram que possivelmente é um laranja e que me ligariam assim que tivesse alguma coisa", finalizou a vítima.
Posição da Walmart
A reportagem do Jornal Bom Dia entrou em contato com assessoria de comunicação da rede varejista Walmart no Brasil. Através de uma nota enviada por e-mail, a empresa explicou que está verificando a denúncia e que já teve conhecimento do fato ocorrido com a jovem erechinense. "A Walmart vêm trabalhando a cada dia para melhorar a segurança em seu site de vendas. Lamentamos o fato e também que grupos estão utilizando a nome e marca de nossa rede para aplicar golpes. Estamos em contato com nosso setor jurídico e a polícia para esclarecer o mais breve possível este problema, além de reforçar o sistema de segurança em nossas redes. Referente a compra questionada, ela não foi efetuada no site oficial da rede Walmart, portando não existe possibilidade de enviarmos algum aparelho ou devolver o valor pago, mas nos colocamos a disposição das autoridades para futuros esclarecimentos", destaca o texto.
Investigações
De acordo com o titular da 1° DP, nos casos das investigações de crimes de estelionato, o processo é sempre muito mais complexo e demorado. Isso porque muitos grupos de estelionatários são de outros estados ou estão até mesmo dentro de presídios. "Primeiramente precisamos descobrir para onde foi o dinheiro pago pela vítima, que geralmente são contas bancárias em nomes de laranjas. Após localizar estes locais, enviamos os dados para Polícia Civil daquela região, que pode ter mais informações sobre os culpados e efetuar as prisões", ressalta.
Outros golpes
Conforme o delegado além dos golpes como o caso de Vanessa, outras táticas são utilizadas pelos grupos na região do Alto Uruguai. "Casos até já conhecidos e aplicados geralmente pelo telefone, em que os estelionatários ligam para as pessoas se passando por parentes ou informando que ganharam prêmio e nos desenrolar da história pede que seja depositado alguma valor em dinheiro, seja como ajuda ou como garantia" relata o policial.
Fique atento
O titular da 2° DP de Erechim alerta que as pessoas fiquem sempre desconfiadas antes de fazer qualquer transação com dinheiro. "Ficar desconfiado sempre é a melhor dica. Nunca passe informações pessoais por telefone, como nome de familiares ou conhecidos, além de números de documentos e contas. Pela internet, ligue para empresa antes, confirme se realmente aquela promoção existe. Na dúvida avise a polícia", finaliza.