Família aguarda respostas sobre a morte da universitária Carla Bernardo Chagas
Neste sábado (4) a morte da universitária Carla Bernardo Chagas completa dez dias. A jovem de apenas 20 anos morreu em Erechim na manhã do dia 26 de janeiro após ser agredida por golpes de faca na noite anterior. Desde então a família da jovem vive dias de tristeza e angústia, buscando respostas para o crime que chocou e comoveu os moradores da maior cidade do Alto Uruguai e também os amigos e familiares da vítima que era natural de Nonoai.
Albertina Bernardo Chagas (3), ainda muito abalada com a morte da filha, recebeu a reportagem do Jornal Bom Dia, em seu apartamento localizado na Avenida Sete de Setembro, distante poucos metros do local do assassinato. É o mesmo em que a Carla morava há cerca de três anos com a mãe, irmã e o cunhado, desde quando chegou na "Capital da Amizade".
Logo na chegada ao apartamento quem nos recebe é a única irmã da jovem, Flávia, que tem nove anos a mais e ajudou a mãe na criação da irmã caçula. Ela nos leva até dona Albertina, 51 anos, que está ao lado da boneca deixada por Carla. Logo no início ela pede uma foto das duas filhas para nos mostrar. "Ela era minha vida, minha princesa, ficava comigo em casa enquanto a irmã ia trabalhar. Era a alegria desta casa. Uma menina cheia de sonhos, que iria se formar no próximo ano em Farmácia na URI. Ela adorava a vida, tinha muitos amigos, sendo querida por todos. Amava viajar, ir na academia, era muito vaidosa. Mas ela não era de sair assim sem avisar. Quando precisava andava sempre junto da irmã. Não bebia, era muito caseira e família", lembra a mãe ao falar da filha vítima da violência.
Mostrando muita força, mas com a tristeza no olhar, dona Albertina, diz que resolveu falar para pedir Justiça e deseja que o assassino de sua filha pague pelo crime. "Tudo que nós queremos é Justiça, que a polícia prenda esta criatura, porque para mim ele não é humano. Que ele pague pelo que ele fez. Ele não matou apenas minha filha, terminou com toda a minha família. Eu só quero que este caso não fique impune", apela a psicopedagoga clinica.
"Tudo que nós queremos é Justiça"
A mãe da jovem conta que também quer alertar outras mães sobre o risco da violência. "Quando viemos de Nonoai para Erechim, vim morar no centro, perto da faculdade. Ma não adiantou, minha filha foi assassinada. Eu sei que todos os dias isso acontece no mundo, mas não quero que aconteça mais com ninguém, nenhuma mãe merece esta dor. E aquelas que já passaram por isso, saibam que podem contar comigo, pois minha filha antes de morrer, pedia para que eu fosse muito forte. É isso que eu vou ser, não vou deixar me abater, não vou morrer sem ver este assassino preso e pagando pelo que ele fez. Eu vou seguir assim como ela me pediu", destaca dona Albertina.
Noite do crime
No dia em que Carla foi agredida, a mãe acompanhou a filha em uma missa realizada durante a tarde no Santuário de Fátima. Rezaram juntas e Carla se confessou com o padre, ato comum na família, que sempre esteve envolvida com auxílio a projetos da Igreja Católica. À noite a jovem saiu com a irmã e voltou para casa por volta das 21h, quando tomou banho, vestiu-se para dormir e foi para o quarto. "Eu estava esperando para ver o jogo da Seleção Brasileira. Vi que ela estava estranha no celular. Foi então que eu a chamei para vir jantar e fui para cozinha. De repente ouvi que ela pegou a chave e falou algo como 'vou à portaria ou até minha amiga'. Achei estranho, por que ela estava com a roupa de dormir. Quando percebi que ela não voltou, liguei mais dez vezes para celular, que chamava, mas ninguém atendia", destacou.
Imagens da câmera de segurança do prédio, que foram recolhidas pela polícia, mostram a jovem saindo, sozinha, e seguindo em direção da Praça Jaime Lago. A mãe conta que rapazes de um prédio próximo ao local do crime, ouviram os gritos de Carla por volta das por volta das 23h, no momento que a jovem tomou a primeira facada e pediu por socorro. Foram as testemunhas que acionaram o Corpo de Bombeiros e a Brigada Militar. "Quero pedir para que estes rapazes, ou qualquer outra pessoa que tenha visto aquele momento, procurem a policia, seja de forma anônima, mas ajude a encontrar quem fez isso.", ressalta.
Namorado
Dona Albertina conta que Carla namorava um rapaz que reside na cidade de Passo Fundo há pouco mais de um ano. Mas lembra-se que na data do crime, ambos estavam afastados, devido uma briga que teria colocado fim no relacionamento. "Eles brigavam muito. Naquela semana ela tava triste, falou que não ia voltar, porque ele era maldoso com ela, algo que a fazia sofrer", pontua.
Segundo a mãe, que não conversou com rapaz, ele (namorado) relatou ao pai de Carla durante o velório, que na noite do crime ligou para a jovem e falou com ela no telefone até pouco antes das 21h, quando a ligação caiu. "Eu acho que ele pode estar mentindo, porque naquela noite liguei para ela neste horário e o telefone chamava", explicou dona Albertina.
Futuro
Para seguir com a vida, Albertina revela que prefere imaginar que a filha foi viajar. "Só assim eu consigo ter forças para seguir em frente, pensando que ela foi viajar para um lugar e não tem data para voltar", salienta.
Emocionada ela mostra o quarto que era jovem. O espaço já foi desmontado e as roupas e materiais doados para uma instituição beneficente da cidade. "Deixei apenas algumas roupas, fotos, livros, perfumes e o jaleco dela de enfermagem. Ela queria, assim que acabar a faculdade fazer um mestrado na Universidade Federal de Santa Maria, já tinha até conversando com professores sobre isso", ressaltou a mãe.
Albertina lembra que Carla pedia sempre para ela que tivesse força e nunca desistisse. "É atendendo a este pedido que vou seguir em frente, lutando, assim como minha filha me pediu. Eu não vou voltar para Nonoai, vou ficar aqui, dando o apoio e também sendo apoiada pela minha outra filha", ressalta.
Alerta
Antes do fim da entrevista, a mãe pede para falar para outras mães. "Se eu pudesse ter impedido isso com minha filha eu tinha feito. Não imaginava que ela iria sair e ia acontecer. Peço que as mães fiquem atentas as seus filhos, não os deixem sair sozinhos ou sem saber aonde vão e fiquem atentos com quem eles estão falando seja no celular ou em outro meio. Acredito que alguém a convenceu ela sair naquela noite e foi pelo celular", finalizou.
Ela também agradeceu a todos que estão enviando mensagens de apoio a família. "Muito obrigado, que Deus abençoe todos por esta força que estão me dando, aqueles que quiserem falar comigo, principalmente aquelas mães que passam ou estão passando por algo assim me liguem - (54) 9- 9601-4555 -. A gente sabe que todos os dias ocorrem uma coisa destas, mas nós nunca imaginamos que podem ocorrer na nossa família infelizmente", finalizou.
Como estão as investigações do crime
O caso da morte da jovem Carla Bernardo Chagas está sendo investigado pela Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec) de Erechim. De acordo com delegado Gustavo Vilasbôas Ceccon, o trabalho policial está bem adiantado, mas detalhes não podem ainda ser revelados para não prejudicar o trabalho que vem sendo feito. "Tudo que podemos dizer é que o trabalho de investigação está adiantado, já ouvimos e seguimos ouvindo testemunhas e o caso está sendo investigado, assim como todos os crimes de morte que passam pela Defrec, é uma prioridade", finalizou o policial.