Com a interdição no Banco de Sangue Erechim hospitais dependem de sangue vindo de Passo Fundo
Desde que o Banco de Sangue de Erechim foi interditado no final do ano passado os hospitais de Erechim dependem das bolsas de sangue vindas do Hemopasso de Passo Fundo, conforme determinação do Estado. Em média, o Hospital Santa Terezinha Santa Terezinha necessita de aproximadamente dez bolsas de sangue por dia. No Hospital de Caridade a demanda é menor, em torno de 85 bolsas por mês.
Procedimentos
O diretor executivo do Hospital Santa Terezinha, Rafael Ayub, explicou à reportagem do Bom Dia que o procedimento normal para solicitar qualquer tipo de sangue é cumprido um protocolo. Sempre que o hospital necessita o médico tem que preencher uma série de documentos, coletar uma amostra de sangue do receptor e remeter para Passo Fundo. Quando esta coleta chega até o Hemopasso, é analisado o sangue do receptor com o da bolsa do doador. Nisto, é possível avaliar se a bolsa é compatível. Na sequência o sangue é enviado para Erechim. "Isso normalmente era realizado com o Banco de Sangue de Erechim, mas o tempo era bem menor", lembrou Ayub.
O mesmo procedimento ocorre nos casos de cirurgias eletivas, que são aquelas em que é possível um agendamento prévio. Conforme Rafael, nestes momentos o médico cogita a hipótese de que o paciente precisará de sangue, faz a solicitação, a mesma é enviada a Passo Fundo, que avalia e envia o sangue antes da cirurgia. Entretanto, a questão é: e em casos de urgência e emergência? Para tirar a dúvida, Ayub afirma que sim, esse é um grande problema enfrentado por quem precisa de sangue. Esses casos são chamados pelos profissionais de "urgência urgentíssima". Para estes episódios existe uma série de critérios básicos, já que o médico não pode nem esperar um exame de compatibilidade para salvar o paciente.
O diretor do Santa Terezinha lembra que existem as bolsas de sangue 0-, que é o tipo de sangue universal. No entanto, esse sangue é raro e, conforme ele, não existe uma disponibilidade grande desse tipo de sangue. "O banco de sangue de Passo Fundo forneceu duas bolsas para termos no estoque do hospital e, na medida em que usamos, é solicitado e esperado que o mesmo seja reposto. Porém, obviamente, duas bolsas não suprem a necessidade de um acidente de grandes proporções, e pode ser que não se consiga em, tempo hábil, trazer o sangue".
Essa situação foi exemplificada pelo diretor com o seguinte caso: um paciente acidentado chega ao hospital com sangramento profundo. "Nessa situação, não adianta colocar sangue. A primeira coisa a se fazer é estancar o sangramento. Três horas é o tempo necessário para ir até Passo Fundo, pegar o sangue e voltar (sem problemas na estrada). Ou seja, é um tempo muito grande e nosso medo e receio é de não conseguir trazer sangue a tempo", explicou.
Por ora, a solução que o hospital encontrou é uma parceria com a prefeitura de Erechim que, até o presente momento supre essa necessidade através de um carro que está disponível 24 horas para trazer sangue à entidade. A reportagem do Bom Dia também fez contato com o Hospital de Caridade. Porém, até o fechamento da edição, a casa de saúde não havia se manifestado.