O perigo é diário, diria até interminável, e não tem como fazer diferente. Os moradores dos bairros que ficam ao lado da BR 153 têm na sua rotina muito perigo: atravessar a rodovia federal. A polêmica não é de hoje e acompanha os erechinenses há décadas. Para quem não está acostumado só o barulho dos caminhões já deixa desorientada a pessoa, quanto mais ter que enfrenta-los para vencer o seu percurso. Sem dúvida é uma luta desleal, que tem como ser evitada, porem, hoje, é inevitável.
Com a inauguração das vias paralelas em 2013, a infraestrutura da rodovia e dos trevos de acesso à cidade foi modificada, reorganizando o fluxo urbano e da rodovia. As melhorias no trânsito são evidentes, no entanto, as falhas do projeto foram deixadas de lado pela euforia momentânea, já que era uma obra muito esperada pela população.
E uma delas é gritante, não somente hoje, desde a concepção do projeto, qual seja: o fluxo de pedestres. Se estava previsto ou não na obra, não saberia afirmar agora, a realidade é que depois de cinco anos da sua inauguração ainda as pessoas arriscam as suas vidas todo dia para atravessar a faixa ao longo de toda cidade. A população está insatisfeita e quer uma solução com urgência. A seguir, o Jornal Bom Dia traz o relato de quem tem que cruzar a BR 153 como rotina, colocando em risco a sua vida, não sabendo se volta para casa ou chega ao seu destino.
Bairro Atlântico
A moradora do Bairro Atlântico Elisabete Fátima Warqen, que trabalha como cuidadora, conhece muito bem a realidade local. Isso porque, apesar de estar morando há pouco tempo no Bairro Atlântico, viveu durante 12 anos na Vila Feliz, bairro ao lado que vive a mesma situação. “Tanto lá quanto aqui o problema é grande. Precisa de uma passarela com urgência. A gente que necessita atravessar quase todos os dias a BR, não somente eu, mas também muitas outras pessoas, é muito perigo”, ressalta.
Segundo Elisabete, diariamente muitas crianças, mulheres e idosos, juntamente com carros e caminhões, têm que passar pelo local onde fica o trevo de acesso ao bairro Atlântico. “Não tem sinalização e já vi muitos acidentes”, afirma. Elisabete acrescenta que é preciso com urgência uma passarela e que ela vai contemplar todos os moradores do Bairro Atlântico, Vila Feliz, Morada do Sol, Linho e outros bairros próximos dali.
Bairro Bela Vista
Para o comerciante Gustavo Andres, morador há 14 anos no Bairro Bela Vista, bem em frente a BR 153, o município tem que achar uma solução para a travessia de pedestres na rodovia, que é muito perigosa. E, ressalta, que tinha que ter, pelo menos, uma passarela para poder fazer um bom deslocamento para o outro lado com segurança. “É difícil passar para o outro lado, se corre muito risco de ser atropelado. Já presenciei acidentes graves, numa ocasião o carro caiu lá de cima da BR para baixo”, lembra.
Conforme ele, o trânsito de carros e caminhões é também muito arriscado nas vias paralelas. A comunidade já fez um abaixo-assinado para colocar uma lombada eletrônica no local, mas até o momento não houve mudanças. “Na via paralela devia ter uma lombada, porque os carros e motos passam fazendo racha aqui na frente de madrugada”, enfatiza.
Bairro Estevam Carraro
Sebastião Valcir da Rosa, morador do Bairro Estevam Carraro, comerciante, todo dia tem que fazer o trajeto de cruzar a rodovia. “É muito perigoso, principalmente para crianças e pessoas de idade, porque o movimento é intenso e é bem difícil atravessar a via”, afirma. Ele comenta que em alguns horários se demora muito para conseguir passar a rodovia. Tem que ficar cuidando o movimento diminuir e esperar o momento certo para completar o seu caminho. “Em horário de pico se fica aí, às vezes, cinco minutos até mais, esperando”, observa.
Na opinião de Sebastião, a construção de uma passarela resolveria o problema, por exemplo, para as crianças que precisam atravessar a rodovia. “Uma passarela seria adequada, a gente passa sempre se arriscando, correndo perigo. Já vi acidentes graves, motos pegando pessoas, carros batendo em carros. É bem complicado e perigoso, uma passarela seria uma ótima ideia, resolveria o problema do Bairro Estevam Carraro”, concluiu.
Bairro Progresso
A estagiária Kelly Sabrina Sarnoski, moradora da Vila Souza, transita todo dia pela BR 153 e acha muito perigoso o tráfego de veículos e a passagem de pedestres. “Para atravessar a rodovia sempre tem que esperar. Já presenciei muitos acidentes graves e até morte. Uma passarela resolveria com certeza esse problema”, destaca.
Bairro Aeroporto
Morador há 25 anos ao lado da rodovia, próximo ao trevo do aeroporto, o comerciante Ademir Malacarne, afirma que cruzar a rodovia é muito complicado. “A gente está precisando de algo para resolver e não se vê nada quanto a isso. É necessário uma passarela. Hoje eu vejo as pessoas passando o trevo por cima do gramado com muita dificuldade, sem nenhuma condição de atravessar a via”, comenta.
Malacarne destaca que todo hora se vê acidentes no local e que a lombada eletrônica ajuda um pouco, mas não é a solução. “Tem que ter uma passarela para o pedestre”, enfatiza.