Casa prisional continua 100% acima da capacidade e com carência de pessoal para controlar a população carcerária
A reportagem do Jornal Bom Dia passa a exibir nesta sexta-feira (17) uma série de reportagens sobre o Presídio Estadual de Erechim. Nesta primeira matéria serão abordados alguns problemas enfrentados pela casa prisional que sofre com a carência de estrutura física, material e humana para manter a rotina de trabalho e segurança. Para alguns detentos o Presídio Estadual de Erechim é considerado um território livre para traficar e consumir drogas, utilizar celulares e arquitetar planos de fuga e novos crimes. Os problemas que se agravam com superlotação, pois a casa prisional está com o dobro de sua capacidade. Atualmente, 487 homens e mulheres cumprem penas nos sistemas fechado e semiaberto. Os números revelam que o presídio está 100% acima do limite do prédio que foi projetado para abrir 239 pessoas.
A Lei de Execuções Penais prevê que os detentos sejam mantidos em celas com pelo menos seis metros quadrados para cada preso. Mas a realidade não é essa no Presídio Estadual de Erechim. Em algumas celas o espaço de 15 até metros quadrados é divido por 12, 15 e até 20 homens, que se amontoam e se revezam nas 20 horas diárias atrás das grades. Diariamente, os presos têm direito a duas horas de sol no pátio externo, sendo que o tempo restante é diluído em atividades de refeitório.
Segundo o administrador do presídio, Edson Baltazar Moreira Carvalho, das 36 celas que existem na penitenciária, 29 abrigam homens. Carvalho também destaca que atualmente não existe um espaço seguro para que sejam feitas as revistas. "Existe uma preocupação nossa em relação a isso, principalmente com a segurança dos nossos servidores que fazem a fiscalização de rotina", afirma.
Unidade modelo
O presídio de Erechim é administrado pela Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe). O local é considerado modelo no Estado, pois desenvolve projetos de ressocialização dos detentos. Três fábricas funcionam em anexo ao presídio localizado na área central da cidade. Neste projeto 85 condenados ao regime fechado trabalham em industrias de luvas e calçados.
Outros 37 presos do regime semiaberto trabalham em uma recicladora e por meio de convênios executados pela prefeitura.
Atualmente a unidade conta com um efetivo de 50 funcionários, destes 37 são agentes penitenciários que trabalham por escalas projetadas. Em um dia normal apenas cinco agentes prisionais e um soldado da Brigada Militar, ficam responsáveis pela segurança interna do presídio. Considerando o cenário atual, são 80 presos para cada agenda. Carvalho comenta que não há previsão de um novo concurso, apenas a conclusão de um certame anterior para contratação de técnicos, como psicólogos e assistentes sociais.
Uso de drogas e celulares
Com o baixo efetivo de agentes na área de segurança, a administração confirma que os presos conseguem acessar drogas e celulares dentro da penitenciária. Os objetos e materiais são muitas vezes arremessados para o pátio do presídio, principalmente durante o dia, quando os presos que estão em regime fechado tomam banho de sol. O administrador adjunto, Delmar Klitzke, relata que revistas são feitas diariamente, mas os criminosos escondem das formas mais variadas possíveis os aparelhos e as drogas "Eles escondem em frestas dentro das celas, no meio do colchão, dentro da caixa da descarga, lugares mais variados," destacou. Klitzke, também relata que semanalmente são apreendidas armas brancas, como facas artesanais e drogas dentro presídio "Muitos destes objetos e os entorpecentes são arremessados por cima dos muros na hora que eles estão tomando o banho de sol. A estratégia dos presos é promover um tumulto para evitar a identificação quem pegou o material", destaca.
Crimes dentro do presídio
Edson Carvalho, administrador geral do presidio, fala que este é um problema que vem se agravando, pois o presidio está em uma área central da cidade. "Estamos localizado em uma região de fácil acesso as pessoas, próximo ao centro da cidade. Com isso eles utilizam da posição de localização para arremessar jogar mais vezes estes materiais para dentro do presídio" explica. O presídio que até o momento não conta com uma rede para impedir que os objetos arremessados cheguem ao pátio, também não tem bloqueadores de celulares. Com isso muitos presos utilizam os aparelhos para se comunicar com familiares e até mesmo encomendarem crimes e ameaçarem pessoas.
A reportagem do Jornal Bom Dia, acompanhou os acessos e postagens feitas por um detendo nos últimos dias. Por questões de segurança o nome do criminoso de 20 anos, não será revelado, apenas suas iniciais (R.P.O). Em uma rede social, o rapaz que é acusado de assalto e está preso desde março de 2015, faz portagens de fotos dentro da penitenciária, além de postar breves textos contendo ameaças.
O criminoso que foi ouvido esta semana pela Justiça de Erechim sobre seu crime e poderá retornar as ruas em breve. No último dia 3 de março o preso fez a seguinte postagem, confira na integra com os erros de português do criminoso. "Vao achando que acabou estao muito enganado logo mais to na tiva de vouta bombando kkkk tudo que vai vouta me aguardem...". Para não chamar atenção o rapaz faz postagens a cada dois dias, muitas vezes apenas fotos com textos.
A direção do presídio pede que quando a população identifique um detendo, utilizando os celulares, que se dirija até um órgão de segurança e faça uma denúncia. "Apenas assim poderemos coibir esta ação criminosa e fazer uma revista especifica para apreender estes celulares", comenta Carvalho.