O compromisso com o meio ambiente é uma responsabilidade que deve ser partilhada entre todos. O uso generalizado de canudos de plásticos em lanchonetes, bares e restaurantes pode ser muito prejudicial ao ecossistema, considerando que seu tempo de vida útil dura o período do consumo de uma bebida, em média quatro minutos. Já sua decomposição demora centenas de anos.
Para unir forças à causa ambiental, o vereador de Erechim, André Jukoski, elaborou um projeto de lei que prevê a substituição do canudo de plástico por materiais biodegradáveis, comestíveis e/ou reutilizáveis. "A sociedade tem alguns padrões de comportamentos que são difíceis de compreensão, mas precisamos buscar modificá-los e aumentar a consciência sustentável dos cidadãos", argumentou Jukoski.
Na avaliação do parlamentar, considerando a relevância desse tema, ele deveria ser tratado como prioridade, contudo, muita manipulação de informações pode resultar em polêmicas. Portanto, para prestar esclarecimentos à população, Jukoski promove na próxima terça-feira (19) uma reunião pública, em dois horários: 9h e 19h, no Plenário da Câmara de Vereadores.
O projeto já foi aprovado pelas Comissões de Desenvolvimento Social, Economia e Finanças, e Constituição e Justiça. A última comissão analisa a legalidade do projeto e é a única que pode vetá-lo. Essa reunião não será deliberativa, mas busca explicar os termos que a lei irá tratar, bem como, levantar sugestões para aperfeiçoá-lo. O próximo passo será encaminhar à Câmara de Vereadores, para que o Legislativo o aprecie, vote e encaminhe à Prefeitura.
Se aprovado, será proibido o uso de canudos plásticos em estabelecimentos de Erechim, sujeitos a multas caso a lei não seja cumprida. Ainda, os bares, lanchonetes, restaurantes e similares terão 180 dias para se adequar às regras.
Como surgiu
Uma ação de Jukoski, junto aos gabinetes e assessores parlamentares, promoveu visitas em associações de catadores de lixo. Em um desses encontros, o vereador se sensibilizou com o estado que os lixos chegam a essas associações. "É uma forma desumana, muitas vezes não há separação entre os materiais orgânicos e recicláveis, o que prejudica a rentabilidade do trabalho dessas pessoas. Eles cuidam do lixo que nós produzimos e do ambiente que vivemos. Acredito que é o mínimo nós também participarmos desses processos e perceber que a responsabilidade é todos nós", pontuou em entrevista ao Jornal Bom Dia na manhã de sexta-feira.
O vereador comentou ainda, que a lei já está em vigência em outras cidades e Estados e no cenário de Erechim não pode ser diferente. "A gente analisa outros lugares, por exemplo o Rio Tietê em São Paulo, mas não olhamos para nossa realidade, guardada as proporções, nosso Rio Tigre também está em estado semelhante. Eu me questiono se a culpa é do poder público. Acredito que é também, mas não é administração que descarta o lixo em locais inadequáveis, são todos", relatou.
Primeiras ações
Para Jukoski, a ação pode ser pioneira para potencializar a consciência sustentável das pessoas. "A preocupação com a sustentabilidade precisa começar. O canudo, que parece inofensivo, representa 4% do lixo, sua proibição estimula outras questões, como o uso de sacolas plásticas, por exemplo", ressaltou.
O vereador destaca também que uma campanha de conscientização está sendo elaborada por meio de seu gabinete. "As pessoas produzem diariamente de 800 gramas a um quilo de lixo e nós não elegemos o meio ambiente como uma prioridade. Mas isso precisa ser alterado e começa assim, com pequenos passos", concluiu.
Bons exemplos
Mesmo sem obrigatoriedade, alguns estabelecimentos já aderiram ao uso de canudos biodegradáveis. Esse é o caso de uma padaria de Erechim, que além de alterar o produto, tem reduzido de forma significativa o uso de plásticos em embalagens.
Conforme o proprietário, Luis Carlos Smaniotto, "nós somos favoráveis a mudança, desde que isso venha acompanhado com a conscientização das pessoas", destacou.
Smaniotto recorda que o canudo foi desenvolvido para um público bem específico. "Ele foi criado para atender uma necessidade especial, das pessoas que não tinham condições para segurar um copo, por exemplo, mas a comodidade do ser humano generalizou seu uso", argumentou.
Para o empresário, as pessoas precisam entender que as ações têm uma reação e o uso inconsciente traz prejuízos ao meio ambiente. "É necessário tomar uma iniciativa se isso representar uma nova formatação na mentalidade de consumo. Nossa ação hoje irá refletir nas próximas gerações", reforçou.