O desafio de ingressar na educação superior, por vezes é menos complicado quanto permanecer no curso, o que acaba resultando em índices de evasão que preocupam as instituições de ensino. São diversos os fatores que influenciam a escolha pela desistência na graduação, contudo, podem não estar vinculados a formação ou a universidade. Neste cenário, as instituições buscam cada vez mais potencializar iniciativas para manter o jovem no ensino superior.
Para a coordenadora acadêmica do campus Erechim da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Juçara Spinelli, um dos principais elementos que influenciam são as condições de permanência na cidade. "O aluguel é alto e a maioria dos estudantes vêm de outros municípios, ou seja, não possuem parentes em Erechim, o que implica na questão de fiadores ou alguém que pague o seguro fiança, o que acaba sendo um empecilho para eles. A alternativa tem sido dividir o aluguel com outros acadêmicos, no entanto, às vezes estruturar essas repúblicas demoram certo tempo e eles acabam desistindo", argumentou a professora.
A questão financeira também tem influenciado acadêmicos de outras instituições de Erechim. De acordo com o professor Ernani Gottardo, que compõe a direção de ensino do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), os motivos são variados, podem envolver questões familiares, a não identificação com o curso e a conciliação da rotina empregatícia com as aulas. "A questão financeira é importante, porque muitas vezes o aluno evade por não conseguir trabalhar e estudar, e, nesta decisão o emprego acaba se sobressaindo", destacou.
Do mesmo modo, na Universidade Regional Integrada (URI), o diretor-geral do campus Erechim, Paulo Giollo, ressalta que as causas podem estar vinculadas com as dúvidas com relação ao curso e a dimensão financeira. "Vale ressaltar que se algum aluno estiver pensando em desistir da sua formação, orientamos que converse com o coordenador ou com a Central de Atendimento ao Acadêmico para tentarmos ajudar. Afinal, nós não queremos que ninguém desista dos seus objetivos", pontuou Giollo.
Portanto, o desafio é garantir condições para que o acadêmico permaneça nas instituições. Para isto, os programas de bolsas, auxílios socioeconômicos e financiamentos estudantis têm auxiliado a minimizar os impactos da evasão.
Segundo Juçara, a UFFS, além de oportunizar os auxílios socioeconômicos, possui diversas ações que possibilitam bolsas de estudos por meio de diversos projetos, tais como o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), Programa de Educação Tutorial (PET) e a Residência Pedagógica. "O que temos feito também é um amplo debate junto a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis para conquistar mais recursos e possibilidades de acessos. Além disso temos bolsas específicas para determinados extratos, como as populações indígenas, por exemplo", destacou a coordenadora acadêmica, citando ainda, que "a estrutura do campus também tem contribuído.
Outra alternativa é acompanhar o desempenho dos acadêmicos ao longo do curso. Essa é a ação que o IFRS tem apostado nos últimos anos. "Além das bolsas e auxílios, nós realizamos diversas ações de acompanhamento a nível institucional que envolve a reitoria e todos os campi, esta iniciativa foi aprovada no Plano Estratégico de Permanência e Êxito de 2018 e ao mesmo tempo promovemos atividades em âmbito local, tais como os projetos de monitoria e o setor de Assistência Estudantil que conta com psicólogas e assistentes sociais", reforçou Gottardo.
Já a URI, por ser uma instituição privada, mas também comunitária, está diminuindo as barreiras financeiras por meio do Crediuri que é um financiamento próprio da instituição de até 50% do curso sem juros, "agora também através do Sicredi, o aluno pode financiar até 100% do curso", complementou Giollo, reforçando que o campus tem intensificado a orientação profissional dos acadêmicos junto ao setor 'URI Carreiras'.