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Ensino

Instituições de Erechim reduzem taxas de abandono escolar

Professor da UFFS, Thiago Ingrassia Pereira, indica os fatores que podem estar envolvidos nesse resultado

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Escolas intensificam ações para estimular a relação do estudante com a aprendizagem
Por Amanda Mendes
Foto Amanda Mendes/ArquivoBD

O trabalho em rede com a colaboração de diversos profissionais já está colhendo resultados positivos. As escolas públicas de Erechim estão reduzindo os índices de evasão, tanto na rede municipal quanto na estadual. 

Para o doutor em Educação e professor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Thiago Ingrassia Pereira, o fenômeno da evasão pode ser identificado em três dimensões: metodologias e organização das instituições de ensino, fatores que relacionam aspectos familiares e socioeconômicos e a dimensão individual, que envolve questões cognitivas e relacionamentos interpessoais. 
O cenário erechinense não é preocupante. "Se compararmos a média nacional e outras realidades em nível estadual, o município não apresenta dados alarmantes. Pelo contrário, Erechim possui indicadores de evasão que ficam bem abaixo da média nacional. Somente no ensino médio que os números se aproximam da taxa brasileira. Contudo, tanto no ensino médio, quanto no ensino superior, como se tratam, muitas vezes, de jovens e adultos, a evasão é maior", pontuou Pereira, destacando, no entanto, que todo abandono representa perda de possibilidades de investimentos na formação humana que a escola potencializa. 

Rede municipal 
A redução é expressiva e caminha para diminuir cada vez mais. De acordo com os dados do último censo escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC), no total, as taxas de abandono no sistema de ensino municipal caíram cerca de cinco pontos entre os anos de 2016 a 2017. Os números específicos para as séries iniciais e finais também reduziram, dois e oito, respectivamente. 
Conforme a Secretaria Municipal de Educação de Erechim, as escolas realizam atividades contínuas para evitar evasão escolar. No contexto municipal, existe a presença do 'professor de apoio' do processo ensino e aprendizagem, que é responsável pelas tarefas de combate ao abandono, "ele é o articulador das ações junto à equipe escolar", destacou o órgão em nota enviada à reportagem do Jornal Bom Dia.
A Secretaria complementa pontuando que esse profissional investiga as possíveis causas que levam o estudante ao desestímulo escolar e propõe estratégias para recuperar o interesse do estudante. "Ele interpreta dados relativos à realidade da escola quanto às dificuldades de aprendizagem, auxilia os pais e mães a pensarem em soluções sobre as dificuldades de aprendizagem de seus filhos, busca estratégias e soluções para o sucesso escolar de todos os estudantes, participa das reuniões da Rede de Apoio ao Estudante (RAE), bem como acompanha e encaminha a Ficha de Comunicação de Aluno Infrequente (Sistema - Ficai)", pontuou. Essas reuniões são acompanhadas pela secretária municipal de Educação, Vanir Clara Bernardi Bombardelli, e por membros de conselhos tutelares. 
Conforme Vanir, "os diversos segmentos trabalham em conjunto, buscando o acolhimento das famílias e dos estudantes, por meio de ações para a permanência na escola", concluiu a secretária.
 

Rede estadual 
Na rede estadual a postura não é diferente: são realizadas ações frequentemente junto às direções das escolas e o Conselho Tutelar. Segundo a coordenadora pedagógica da 15° Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Katia Silene Rossi, a questão da evasão se atenua em algumas séries específicas que são as séries finais do ensino fundamental e no ensino médio. "É um problema complexo que conta com diversos fatores influenciando, muitas vezes pesa na balança a inserção no mercado de trabalho e os estudantes não conseguirem conciliar as duas rotinas", argumentou. 
Contudo, a coordenadora ressalta que o papel das escolas está sendo feito. "Assim que as direções percebem que o estudante está registrando muitas faltas ele é encaminhado ao Conselho Tutelar, mas muitas vezes eles retornam ao ambiente escolar e depois de uma semana evadem novamente", enfatizou Katia. 
O trabalho é mais intenso com os estudantes menores de idade, "já com aqueles que têm mais de 18 anos nosso acompanhamento fica restrito, considerando que muito deles frequentam a modalidade da Educação de Jovens e Adultos (EJA)", comentou a coordenadora. 
No entanto, para Katia a ação deve ser encarada em grupo. "Às vezes nós realizamos todo um trabalho para manter o aluno na escola, mas a visão sobre a importância da aprendizagem não é compartilhada pelos membros familiares e essa desestrutura de valores influenciam na permanência do jovem nas instituições de ensino", concluiu. 
Mesmo com a preocupação do órgão estadual, os números também indicam um horizonte motivador: no ensino médio houve uma redução de dois pontos no total da taxa de abandono do censo escolar entre 2016 e 2017. 


Confira abaixo os dados referentes ao Censo Escolar de 2017:

 

Taxa de Abandono – rede municipal

Ensino fundamental

Total

Anos iniciais

Anos Finais

1º Ano

2º Ano

3º Ano

4º Ano

5º Ano

6º Ano

7º Ano

8º Ano

9º Ano

1,4

0,6

2,2

0,3

0,0

0,3

0,6

1,8

1,9

2,4

2,7

2,0

 

Taxa de Abandono – rede estadual

Ensino fundamental

Ensino médio

Total

Anos iniciais

Anos Finais

1º Ano

2º Ano

3º Ano

4º Ano

5º Ano

6º Ano

7º Ano

8º Ano

9º Ano

Total

1º série

2º série

3º série

0,7

0,2

1,3

0,0

0,0

0,3

0,0

0,5

1,2

1,2

1,7

0,7

6,3

8,7

6,4

3,4

 

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