O anúncio de contingenciamento em cerca de 30% nas instituições de ensino federais foi recebido com preocupação por reitores e diretores de universidades e institutos. Em Erechim, a medida atinge os campi do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) e da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). Se confirmada a retenção orçamentária, a medida, além de prejudicar as atividades acadêmicas, pode projetar paralisações no ensino técnico e superior.
Este é o caso do IFRS, que, conforme o diretor do campus Eduardo Predebon, neste cenário a rotina da instituição estará comprometida. "O contingenciamento é uma previsão muito nefasta para o campus de Erechim. Corremos riscos prejudiciais com relação as atividades, inclusive, podendo levar ao fechamento do Instituto, pelo menos por um tempo", pontuou.
Neste sentido, os impactos ultrapassam a vida dos discentes e atingem também Erechim, considerando a importância da produção acadêmica para o desenvolvimento do município. "Nós teremos um prejuízo muito grande para a trajetória dos acadêmicos, com possíveis términos de projetos de pesquisa, ensino e extensão. E a medida é muito injusta, nosso campus já conquistou diversas premiações e obtém destaques expressivos em avaliações nacionais", destacou Predebon.
Na unidade de Erechim, o instituto conta com cinco blocos e serão mais de 1300 alunos, 120 servidores e dezenas de projetos afetados com a paralisação que deverá ocorrer já no início do segundo semestre.
Impactos na trajetória de estudantes
A notícia preocupa estudantes como a Paloma Bezerra do IFRS, que depende de incentivos para seguir os estudos. "É uma situação bem complicada para boa parte dos alunos, considerando que o Instituto atende pessoas oriundas de famílias carentes, do interior e até mesmo de outros Estados. Nós dependemos da verba repassada pelos auxílios estudantis e das bolsas de pesquisa, ensino e extensão. Então, estamos com muito medo, pois são esses recursos que nos mantém aqui. Eu, por exemplo, faço a graduação ao longo do dia e curso técnico à noite. Se isso realmente acontecer terei que abrir mão, pelo menos da graduação", contou a discente à reportagem do Bom Dia.
"É preciso observar a Educação como investimento"
Na UFFS, o anúncio também está preocupando a comunidade acadêmica. A reitoria da instituição se posicionou por meio de uma nota, que destaca a importância do ensino superior para o desenvolvimento do Brasil. "O bloqueio de recursos das universidades federais contribui para o desmonte de um patrimônio da sociedade brasileira, responsável por 90% da produção científica do país. Ele também vai na contramão do próprio desenvolvimento do país, que precisa de uma educação superior pública e de qualidade para garantir sua soberania", afirma o reitor, Jaime Giolo.
A coordenadora acadêmica do campus Erechim, Juçara Spinelli, explicou em entrevista ao Bom Dia, que a medida atinge, além da reitoria, todos os seis campi da UFFS, que estão nos três Estados da região Sul do País. "Esse bloqueio atinge a universidade como um todo e de forma específica o campus Erechim. Ainda não produzimos um estudo para avaliar os impactos, porque nosso planejamento institucional prevê a distribuição desses recursos para a reitoria e seus seis campi, desta forma, todos seremos afetados", destacou.
Juçara pontua, ainda, que a medida não deverá interferir nos recursos destinados aos auxílios socioeconômicos. "É importante situar nesse cenário político, que traz dificuldades, coisas positivas. Apesar de toda a dificuldade que se acena, os auxílios socioeconômicos não ha previsão de cortes e isso nos deixa mais confortáveis, agora temos que trabalhar em outras frentes e refazer nosso planejamento", destacou.
Conforme a coordenadora acadêmica os setores que mais serão atingidos serão de custeio, tais como o pagamento de despesas mensais: luz, água e telefonia e, sobretudo, em investimentos na estrutura física.
Juçara e Predebon enfatizam a importância de união na comunidade para reverter o quadro. "Propor esse contingenciamento demonstra que a Educação não é vista como um investimento e, por isso, nós e a população devemos sensibilizar o governo e atribuir um outro olhar para o ensino público de qualidade", concluiu a coordenadora acadêmica da UFFS - Erechim.
Da mesma maneira, Predebon reforça o convite à região para potencializar a valorização das instituições federais. "Estamos conclamando a comunidade do Alto Uruguai para que nos apoie e possamos conter essa previsão de bloqueio e seguir nossas atividades no campus de Erechim", pontuou o diretor do IFRS.