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Ensino

Bloqueio em orçamentos compromete atividades acadêmicas

Em Erechim, a medida atinge os campi do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) e da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)

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No campus Erechim do IFRS, a medida irá atingir mais de 1300 alunos
Coordenadora acadêmica do campus Erechim da UFFS, Juçara Spinelli
Diretor do campus de Erechim IFRS, Eduardo Predebon
Estudantes do IFRS, Paloma Bezerra
Por Amanda Mendes e Leandro Zanotto
Foto Fernando Genro

O anúncio de contingenciamento em cerca de 30% nas instituições de ensino federais foi recebido com preocupação por reitores e diretores de universidades e institutos. Em Erechim, a medida atinge os campi do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) e da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). Se confirmada a retenção orçamentária, a medida, além de prejudicar as atividades acadêmicas, pode projetar paralisações no ensino técnico e superior. 
Este é o caso do IFRS, que, conforme o diretor do campus Eduardo Predebon, neste cenário a rotina da instituição estará comprometida. "O contingenciamento é uma previsão muito nefasta para o campus de Erechim. Corremos riscos prejudiciais com relação as atividades, inclusive, podendo levar ao fechamento do Instituto, pelo menos por um tempo", pontuou. 
Neste sentido, os impactos ultrapassam a vida dos discentes e atingem também Erechim, considerando a importância da produção acadêmica para o desenvolvimento do município. "Nós teremos um prejuízo muito grande para a trajetória dos acadêmicos, com possíveis términos de projetos de pesquisa, ensino e extensão. E a medida é muito injusta, nosso campus já conquistou diversas premiações e obtém destaques expressivos em avaliações nacionais", destacou Predebon. 
Na unidade de Erechim, o instituto conta com cinco blocos e serão mais de 1300 alunos, 120 servidores e dezenas de projetos afetados com a paralisação que deverá ocorrer já no início do segundo semestre. 

Impactos na trajetória de estudantes 
A notícia preocupa estudantes como a Paloma Bezerra do IFRS, que depende de incentivos para seguir os estudos. "É uma situação bem complicada para boa parte dos alunos, considerando que o Instituto atende pessoas oriundas de famílias carentes, do interior e até mesmo de outros Estados. Nós dependemos da verba repassada pelos auxílios estudantis e das bolsas de pesquisa, ensino e extensão. Então, estamos com muito medo, pois são esses recursos que nos mantém aqui. Eu, por exemplo, faço a graduação ao longo do dia e curso técnico à noite. Se isso realmente acontecer terei que abrir mão, pelo menos da graduação", contou a discente à reportagem do Bom Dia. 

"É preciso observar a Educação como investimento"
Na UFFS, o anúncio também está preocupando a comunidade acadêmica. A reitoria da instituição se posicionou por meio de uma nota, que destaca a importância do ensino superior para o desenvolvimento do Brasil. "O bloqueio de recursos das universidades federais contribui para o desmonte de um patrimônio da sociedade brasileira, responsável por 90% da produção científica do país. Ele também vai na contramão do próprio desenvolvimento do país, que precisa de uma educação superior pública e de qualidade para garantir sua soberania", afirma o reitor, Jaime Giolo.
A coordenadora acadêmica do campus Erechim, Juçara Spinelli, explicou em entrevista ao Bom Dia, que a medida atinge, além da reitoria, todos os seis campi da UFFS, que estão nos três Estados da região Sul do País. "Esse bloqueio atinge a universidade como um todo e de forma específica o campus Erechim. Ainda não produzimos um estudo para avaliar os impactos, porque nosso planejamento institucional prevê a distribuição desses recursos para a reitoria e seus seis campi, desta forma, todos seremos afetados", destacou. 
Juçara pontua, ainda, que a medida não deverá interferir nos recursos destinados aos auxílios socioeconômicos. "É importante situar nesse cenário político, que traz dificuldades, coisas positivas. Apesar de toda a dificuldade que se acena, os auxílios socioeconômicos não ha previsão de cortes e isso nos deixa mais confortáveis, agora temos que trabalhar em outras frentes e refazer nosso planejamento", destacou. 
Conforme a coordenadora acadêmica os setores que mais serão atingidos serão de custeio, tais como o pagamento de despesas mensais: luz, água e telefonia e, sobretudo, em investimentos na estrutura física.
Juçara e Predebon enfatizam a importância de união na comunidade para reverter o quadro. "Propor esse contingenciamento demonstra que a Educação não é vista como um investimento e, por isso, nós e a população devemos sensibilizar o governo e atribuir um outro olhar para o ensino público de qualidade", concluiu a coordenadora acadêmica da UFFS - Erechim.
Da mesma maneira, Predebon reforça o convite à região para potencializar a valorização das instituições federais. "Estamos conclamando a comunidade do Alto Uruguai para que nos apoie e possamos conter essa previsão de bloqueio e seguir nossas atividades no campus de Erechim", pontuou o diretor do IFRS. 

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