Já dizia Dom Helder Câmara: “é graça divina começar bem. Graça maior persistir na caminhada certa. Mas a graça das graças é não desistir nunca”. Assim, a caminhada realizada nestes 100 anos de fé e evangelização nos lançam agora para o futuro, para nosso segundo centenário. Ao longo da caminhada deste ano jubilar foram celebradas 40 missas com caráter festivo, para que chegássemos neste dia 18 de agosto, dia de eterno júbilo.
O número 40 é expressivo, porque denota uma caminhada, um processo, um tempo necessário para que se viva uma nova realidade. Assim foi com Moisés e o povo hebreu na libertação do Egito, assim foi também com Jesus no deserto assumindo como prioridade o Reino de Deus e sua justiça. Para a Paróquia São José, de igual forma, esta caminhada realizada entre agosto de 2018 e agosto de 2019 serviu como espaço oportuno para render graças a Deus por tudo o que já foi realizado, pedir perdão pelas falhas cometidas, e olhar para frente na esperança de fazer florescer mais ainda o reino de Deus no meio de Erechim.
Para onde iremos, Senhor? Essa talvez seja a pergunta necessária para iniciarmos um novo século. A eclesiologia sinodal do Papa Francisco tem nos dado muitas luzes para retomarmos o caminho vivencial das primeiras comunidades cristãs e também das experiências latino-americanas vividas a partir do Concílio Vaticano II.
O mundo exige de todos nós a renovação de nossas forças missionárias para bem cumprir a tarefa de anunciar a palavra de Deus e, assim, promover a paz, superar toda violência, construir pontes no lugar de muros, destruir em nós toda forma de preconceito e desamor, oferecendo a misericórdia de Jesus como cura para a vingança e reacendendo em nós a luz da esperança, tão apagada nestes tempos sombrios, para vencer o desânimo, as indiferenças e a morte. Essa é nossa vocação! Ai de nós se não anunciarmos o Evangelho! Afinal, somos discípulos missionários e anunciadores do reino de Deus até a plenitude.
O lema deste ano centenário foi: “Com São José, alegres discípulos missionários de Jesus”. Como afirma o documento de Aparecida, n. 09, “desejamos que a alegria que recebemos no encontro com Jesus Cristo [...] chegue a todos os homens e mulheres feridos pelas adversidades; desejamos que a alegria da boa nova do Reino de Deus [...] chegue a todos quantos jazem à beira do caminho [...]. A alegria do discípulo é antídoto frente a um mundo atemorizado pelo futuro e oprimido pela violência e pelo ódio”.
Contemplar o Cristo sofredor na pessoa dos pobres, comprometendo-nos com todos os que sofrem, buscando entender as causas de suas dores, especialmente as razões e quem os joga no submundo da exclusão. Sabemos que a ausência do sentido da vida tornou-se uma fonte profunda do sofrimento. A correria do dia a dia, as exigências das metas de desempenho, da conectividade, das lógicas da eficiência têm afetado a qualidade de vida de nossas comunidades, em especial da parcela jovem de nossos/as paroquianos/as, cada vez mais urbanizada, individualizada e consumista. O vazio e a frustração surgem com força quando não se alcança o desempenho sugerido por esta sociedade de infinitas possibilidades, gerando cansaço, depressão, pânico, transtornos de personalidade e ansiedade, e até mesmo o suicídio. É este o reino de Deus apresentado por Jesus? Ser profeta neste tempo é optar pela comunidade, pelo grupo de convívio, lugar de salvação.
Com a caminhada percorrida, podemos afirmar que a Igreja que “conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria”. Assim, nossa urgência como Paróquia é reaprender a sentirmo-nos unidos uns aos outros, para além dos vínculos utilitários, retributivos, egoístas ou funcionais. Votar a sermos unidos de tal forma que possamos sentir a vida um pouco mais humana, permitindo que a profecia, tão apagada em nosso tempo, tome forma e torne nossas horas e nossos dias menos inóspitos, menos indiferentes e menos anônimos, tecendo laços que se constroem em gestos simples, cotidianos, que todos e todas nós podemos realizar.
Que nossa Paróquia se abra para este novo centenário, com o mesmo desejo do Papa Francisco: ser uma “Igreja pobre para os pobres” (Evangelii Gaudium), superando as ambições, o consumismo e a insensibilidade diante do sofrimento, evangelizando nas periferias geográficas, sociais e existenciais, com o desafio pastoral de ser uma Paróquia em estado permanente de saída missionária, saindo da nossa área de conforto, ir em direção ao povo e realmente fazer uma pastoral concreta, como nos pediu a Conferência de Aparecida. Sabemos que os desafios existem para serem superado. Portanto, deixemo-nos conduzir pelo Espírito Santo, permitindo que ele nos ilumine, guie, dirija e impulsione para onde ele quiser. Que o Senhor nos dê a graça de aprender, todos os dias, a recomeçar (Christus Vivit, n. 217).