Transformar situações dolorosas em arte. Essa é a maneira que a artista visual e arte-educadora, Priscila Thomassen, encontrou para auxiliar pacientes em tratamentos. Neste mês, junto à programação do Agosto Cultural, promovido pelo Sesc Erechim, as obras de Priscila ganharam uma exposição no Centro Hospitalar Santa Mônica, que recebeu na manhã de sexta-feira (23), cerca de 120 estudantes da Escola Municipal de Educação Infantil Doutor Ruther Alberto Von Mühlen. "Eu desenvolvo um trabalho na Fundação Hospitalar Santa Terezinha que busca ressignificar dores em arte, por meio de oficinas com os pacientes. Inclusive, no dia 10 de setembro terá uma exposição neste hospital, com apoio da Secretaria Estadual de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer por meio do Pró-cultura/RS e do Fundo de Apoio as Artes e Cultura de Erechim (Faace)", contou a artista à reportagem do Jornal Bom Dia.
Priscila disse, ainda, que a exposição surgiu de uma solicitação bem específica. "Me pediram para fazer uma tela sobre o nascer do sol, representando o nascer da vida. Contudo, durante esse processo, entre o colorir dos tons em amarelo e laranja, aconteceu um acidente de percurso: fui abrir uma tinta e espalhou a cor preta na tela, que possuía 1,80 m², formando poças sombrias. Depois disso fiquei muito chateada, mas me lembrei do livro "As Crônicas de Nárnia", no capítulo que traz a história da canção de Aslam, em que um leão cantava no vazio e, onde as notas de sua voz caiam, brotavam vida". E, acrescenta, "fui enxergando possibilidades e criando vida nessas sombras da minha tela", relatou.
O incidente se desdobrou em outras duas telas. "Eu as chamo de fauna e flora para representar as formas de vidas. Com isso, surgiu o convite da exposição no Santa Mônica, a qual iria acontecer só depois da Primavera, mas com o Agosto Cultural, decidi adiantá-la. Na atividade dessa sexta-feira com as crianças da escola, eu contei um pouco desse processo de criação e, sobretudo, da criatividade que envolve essa forma de expressão", concluiu Priscila.
De acordo com a coordenadora pedagógica da Escola Ruther, Geovana Alves, a visita dos estudantes serviu para eles entenderem como erros podem se transformar em algo bonito, quando o assunto é a arte. "É muito importante que elas tenham essa experiência com uma artista de verdade, porque eles também são muito criativos. As crianças produzem trabalhos na escola com pintura, tinta e materiais da natureza, e, ainda, com liberdade de criação, sem a intervenção do professor. Assim, seus desenhos expressam aqui, o que está dentro deles, com amor. Essa experiência mostra como um erro pode ser contornado com muita criatividade, afinal, não existe uma obra artística errada e com as crianças é a mesma coisa, sempre está certo e bonito, conforme o olhar de cada um deles", relatou.