A noite de terça-feira (24) foi marcada pela união em defesa da educação pública e gratuita. Em audiência realizada na Câmara de Vereadores de Erechim, instituições de ensino superior e o Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers) fortaleceram o compromisso de lutar pela qualidade, orçamentos e autonomia da educação.
Na oportunidade, além de vereadores, estavam presentes também estudantes, professores e pessoas da comunidade regional. A coordenação do evento ficou sob responsabilidade de Rocheli Koralewski, secretária liberada da Pastoral da Juventude e acadêmica em Ciências Sociais na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – campus Erechim.
O debate iniciou com a apresentação de um panorama sobre o tema, feito pelo coordenador geral do Sindicato Unificado dos Trabalhadores da Agricultura Familiar do Alto Uruguai (Sutraf-AU), Douglas Cenci. A mesa de debate foi composta pela presidente Cpers, Helenir Schurer e pelos diretores dos campi em Erechim da UFFS, Luís Fernando da Silva, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), Eduardo Predebon e da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), Gerônimo Rodrigues Prado.
Em nível de educação superior, os assuntos mais abordados foram os contingenciamentos orçamentários e cortes de bolsas em pós-graduação aplicados pelo Ministério da Educação (MEC), além da interferência na autonomia universitária com relação a escolha dos gestores das instituições.
No fim de agosto, o presidente da República, Jair Bolsonaro, nomeou o professor Marcelo Recktenvald à reitoria da UFFS. No entanto, a comunidade questiona sua escolha, considerando que ele ficou em terceiro lugar no processo de consulta pública e no Conselho Universitário.
A preocupação se estende às outras instituições, pois neste ano, o MEC rompeu com a tradição de nomear as chapas que conquistaram a maioria dos votos em seis de 12 universidades que já realizaram as consultas. De acordo com Predebon, o IFRS está iniciando o processo e a medida desperta apreensão. “Há pouco mais de dez anos nós comemorávamos a chegada das instituições públicas federais aqui na região do Alto Uruguai, e hoje a gente vive uma série de desafios para que nossos filhos tenham uma educação que merecem. E se nós não tivermos unidos, perderemos tudo aquilo que conquistamos”.
Luís Fernando explicou que o congelamento do orçamento foi crucial para o calendário acadêmico. “Se é verdade que agora haverá o descongelamento, é verdade também que já se passou 80% do ano, esse tempo não será recuperado e os recursos não poderão ser investidos no período certo”.
Já o diretor da Uergs, recuperou sua trajetória de vida, destacando ser filho de professores da rede pública e o impacto que existe o acesso ao ensino superior na vida das pessoas. No entanto, “os cortes dificultam a rotina das universidades, fazendo com que os gestores não vejam uma ‘luz no fim do turno’ para encerrar as atividades, e esse contingenciamento remete diretamente a nós, pessoas que sem o ensino público não teriam possibilidade de estudar”.
Já Helenir Schurer, demonstrou a realidade dos professores da rede estadual de educação básica, que seguem com remuneração parcelada, fechamento de turmas e sem previsão de reajuste salarial.
A audiência determinou alguns encaminhamentos para orientar as próximas ações. Entre as atividades, será realizado um abaixo-assinado, a divulgação de um manifesto assinado pelas entidades e foi criado uma Frente de Defesa da Educação, desde o ensino básico ao superior. Na próxima segunda-feira (30) ocorrerá uma reunião na sede do 15ª Núcleo do Cpers, às 17h30.