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O legado de Francisco Riopardense de Macedo em Erechim - Parte I

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Praça da Bandeira Erechim
Sergio Martins de Macedo
Por Sergio Martins de Macedo
Foto Arquivo

Aparência e essência

Aos cinquenta anos conheci Erechim, quando pude ver a obra de meu pai que atuou nessa cidade como urbanista no início dos anos 50.

Foi emocionante transitar pelas ruas e reconhecer aspectos da personalidade do homem que já se foi, mas que está presente na essência da paisagem.

Projetar em urbanismo não é só técnica, mas também estética. O resultado para o observador se dá por meio da aparência e a essência. A aparência está naquilo que se vê, enquanto a essência, embora seja sentida, não se apresenta empiricamente.

Pesquisadores de Erechim, com excelente conteúdo científico, apresentam investigações sobre os aspectos extrínsecos do projeto. O situam no momento histórico concebido, e ingressam na investigação de sua essência.

A publicação “Reflexos da Evolução Urbana Sobre a Arborização em Erechim, Sul do Brasil” fala principalmente sobre os elementos paisagísticos[i]. Não tem o objetivo de procurar a essência da obra, pois o foco é a arborização.

 “As calçadas dos passeios, dos canteiros centrais e da Praça da Bandeira foram revestidas com mosaico português, (...) O projeto de Riopardense de Macedo conciliava as tendências europeias mais recentes com as concepções dominantes nas grandes cidades brasileiras”.

O trabalho de Neusa Cidade Garcez[ii] no Livro “Um Mosaico sobre Erechim” já apresenta um estudo bibliográfico maior sobre o autor. Destaco a referência ao trabalho do Professor Doutor Cirio Simon[iii]: que afirma: Riopardense defendia intensa formação de uma consciência coletiva a partir da sociedade, do lugar e do tempo concreto”.

Em outra traz a palavra do urbanista: “Frequentemente nos perguntavam se dava para colocar uma cancha de tênis em tal praça ou um chafariz naquela outra. Não estranharíamos se aparecesse alguém contra a existência dos espaços verdes ... Temos explicado que uma praça não é uma mera decoração; que é, também, e principalmente “função”. Fazer uma praça não é arrastar o jardineiro até o local escolhido e distribuir quaisquer árvores, indiferentemente, pela área. Ela deve ser antes de tudo um espaço verde com uma determinada finalidade em função da zona em que se encontra. Depois, é um problema de cor, forma, que comporta cuidadoso estudo Plástico e carinhosa dedicação a um projeto integral do trecho urbano”.

Emerge um homem com intensa consciência coletiva, que entendia que projetar não é decorar, mas criar um espaço com determinada finalidade para a comunidade, e que merece cuidadoso estudo plástico e carinhosa dedicação.

Consciência, finalidade, cuidado e carinho, não são predicados de qualquer projetista. Estes traços da personalidade do homem, unidos a sua formação de urbanista, paisagista, historiador, pesquisador e profundo conhecedor das ciências sociais vão nos guiar à essência do projeto, que abordaremos no próximo artigo.

 


[i] Michele de Oliveira[i], Camila Peretti, Jean Carlos Budke, Suzana Cyrino dos Santos, Thiely Corazza, Solange Gomes, Franciele Rosset de Quadros[i], Vanderlei Secretti Decian, Elisabete Maria Zanin. Soc. Bras. De Arborização Urbana – REVSBAU, Piracicaba-SP, v.u, n.2, p. 86-103, 2013.

[ii] Mestre em História Ibero Americana.

[iii] “O Pensamento de Francisco Riopardense de Macedo, Unidade Ed. Da SEDAC, Porto Alegre, 2004.

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