Com sete anos de existência, a Associação dos Deficientes Visuais de Erechim (Adeve), luta em busca da independência e autonomia das pessoas cegas ou com baixa visão, por meio de atividades diversas. A entidade de assistência social e sem fins lucrativos, atende aproximadamente 35 inscritos e se destaca por viabilizar a garantia de direitos às pessoas com deficiência, a partir do conhecimento da legislação brasileira.
À reportagem do Jornal Bom Dia, uma das fundadoras, Jandira Ronemberg conta como o projeto surgiu. “Marcos (um dos participantes) e eu participávamos da Associação dos Deficientes do Alto Uruguai (Adau) e percebemos que ela era voltada às pessoas com limitações físicas e sentimos a necessidade de ter algo só para os deficientes visuais. Com isso, fizemos algumas reuniões e percebemos que a demanda era partilhada com mais de 60 pessoas. Ao longo de quatro anos trabalhamos para construir a Adeve, foi bem difícil, mas hoje estamos orgulhosos por termos nossa casa e vê-la cada vez mais crescendo, abrangendo pessoas do Alto Uruguai”. O impacto das atividades é fundamental para a rotina dos participantes. “Estou aqui desde o início e começamos com
muito medo, mas fomos crescendo e hoje a Adeve é uma das melhores coisas da minha vida, considerando que cresci de maneira imensurável”, complementou Sonia Marostica. No entanto, Sonia comenta que a associação ainda precisa do apoio da sociedade para seguir trilhando seu caminho. “Nos mantemos por meio de projetos vinculados à prefeitura de Erechim, além de doações, rifas, pedágios e eventos beneficentes. Mas ainda não é o suficiente, por exemplo, nós estamos crescendo e precisamos de um espaço maior, bem como, nossa mobilidade seria mais facilitada se houvesse um transporte diário cedido pelo poder Executivo. Além disso, toda ajuda é bem-vinda”, acrescentou. Para Kelly Brondani e Gessi Veiga, a Adeve tem papel fundamental em suas vidas.
“Ela só nos trouxe coisas boas. Antes de frequentar eu raramente saía de casa e chorava muito, hoje eu não choro mais e aprendi a me relacionar com as pessoas, tratar, abraçar e ajuda-las”, pontuou Jaci, por outro lado, Kelly com 13 anos, participa da associação desde bebê. Da mesma maneira, a associação foi essencial para Naiara Freitas Noara se adaptar à Capital da Amizade. “Sou de São Gabriel e quando cheguei em Erechim não conhecia ninguém e com a Adeve eu encontrei uma segunda família. Nós realizamos diversas atividades, desde fisioterapia até aprender
a ler e escrever em braile. Aqui conheci pessoas com a mesma deficiência que eu e superamos juntos nossas dificuldades”. Como as atividades da entidade são realizadas por meio de doações, todas as pessoas podem contribuir. De acordo com a psicóloga Kátia Dick, a principal necessidade está em conseguir uma sede maior. “Nosso espaço foi cedido por um doador especial e podemos permanecer aqui até quando precisarmos, mas nossa associação está crescendo e nossa casa vai se tornando pequena, já tentamos um lugar por meio da prefeitura, muitos protocolos foram assinados, mas até
agora nada foi executado”. A Adeve, localizada na Rua Gaurama, 191, está na Nota Fiscal Gaúcha e é possível realizar doações pela internet ou por depósito no Sicredi: agência – 0217, conta corrente – 244822. “Estamos no site da doare, em que as pessoas podem contribuir com o cartão de crédito ou por meio de boletos”, acrescendo Kátia. Para ela, o principal pilar da associação é a garantia de direitos. “Nosso objetivo é ressignificar essa deficiência que eles têm, mostrando que existe possibilidade de continuarem vivendo com autonomia e independência”, concluiu.