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Shenzhen, na China, já superou o Vale do Silício, diz palestrante na URI

“O Sul da China é a nova meca da inovação mundial”, aponta especialista

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Shenzhen
Por Salus Loch
Foto Shenzhen

O palestrante de abertura do V Conigti (Congresso Internacional de Gestão, Tecnologia e Inovação) da URI, educador e estudioso da cultura digital, Gil Giardelli, alertou na última semana durante sua passagem por Erechim: quem quiser entender de futuro deve olhar para a China. Mais precisamente, para a cidade de Shenzhen, no sul do país asiático.

A fim de interpretar melhor este fenômeno, resolvi pesquisar um pouco mais sobre Shenzhen - que hoje teria, inclusive, colocado o Vale do Silício ‘no bolso’ em termos de geração de riqueza. Segue o que conseguimos apurar, a partir do próprio Giardellii, e de material produzido por José Eduardo Costa, editor-chefe de StartSe.com.

Os quatro elementos

Na raiz do sucesso de Shenzhen podem ser listados quatro elementos cruciais – que valeriam, inclusive, para o Brasil, Rio Grande do Sul e até mesmo para Erechim. Vejamos: Investimento em educação; Qualificação de profissionais; Benefícios fiscais para atrair empresas de ponta; Incentivo à inovação.

Em 40 anos, de 50 mil habitantes para 13 milhões

“Em apenas quatro décadas Shenzhen passou de uma pequena vila de pescadores de 50 mil habitantes a metrópole berço de gigantes de tecnologia como Tencent, dona do WeChat, e Huawei, maior fabricante de equipamentos de redes de telecomunicações do mundo”, conta José Eduardo Costa, da StatSe.

Com 13 milhões de habitantes, a cidade foi reinventada a partir da criação, pelo governo chinês, na década de 1980, da Zona Econômica Especial/ZEE (mecanismo de abertura da economia chinesa que ofereceu às empresas benefícios fiscais, de infraestrutura e para contratação de mão de obra qualificada).

Com a criação da ZEE, mais empresas, sobretudo fábricas de hardware e componentes, se sentiram atraídas pela cidade. Logo o volume de produção local tornou Shenzen conhecida como a ‘fábrica do mundo’.

30 bilhões de dólares

No início dos anos 1980, contudo, as fábricas e indústrias que ali se instalavam eram grandes copiadoras de tecnologias desenvolvidas em outros países. O passado de produtos de baixa qualidade, no entanto, ficou para trás. Grande parte dos computadores, smartphones, tablets, videogames, drones e outros artefatos digitais são produzidos em Shenzhen e arredores.

Um estudo do governo da província de Guandong estima que 30 bilhões de dólares foram derramados em Shenzhen só por companhias estrangeiras, desde que a cidade se tornou uma Zona Econômica Especial.

Rivalizando com o Vale do Silício

Hoje, Shenzhen é a principal expoente da chamada Greater Bay Area– região formada por nove cidades chinesas (Shenzhen, Guangzhou, Zhuhai, Foshan, Dongguan, Zhongshan, Jiangmen, Huizhou, Zhaoqing) e duas regiões administrativas especiais (Hong Kong e Macau).

A Greater Bay Area, que tem PIB conjunto de 1,64 trilhão de dólares, atualmente concentra mais riqueza do que a Baia de São Francisco, nos EUA, onde estão localizadas as empresas que compõe o Vale do Silício – que gera US$ 837 bilhões em negócios.

Nova economia digital

A China vem construindo a imagem de nova economia digital, pontua Giardelli Parte desta estratégia, completa José Eduardo da Cosa, é baseada no fortalecimento de seu ambiente doméstico e na expansão de sua presença global, por meio de empresas de tecnologia.

Berço de startups

A China tem hoje papel de protagonismo no desenvolvimento de novas tecnologias, principalmente em áreas como inteligência artificial e reconhecimento facial. Sem concorrência de gigantes globais como Google, Facebook, Twitter e centenas de outras companhias, as startups locais avançam no enorme mercado digital chinês que tem 800 milhões de internautas.

Pagamentos por celular e veículos elétricos

Shenzhen é a cidade símbolo da China digital. Por lá, muitos estabelecimentos não operam mais com cartões de crédito. Os pagamentos são todos por celular. Quase toda a frota de ônibus e táxis é de veículos elétricos. Grande parte do sistema de delivery, de restaurantes a serviços de entregas expressas, é feito com motonetas ou scooters elétricas.

Uma parcela significativa dos jovens profissionais trabalha em ambientes compartilhados (coworks), que estão espalhados por toda a cidade - e, detalhe: estimulados pelo sonho de serem o mais novo ‘unicórnio’ (como são chamadas as startups com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão) os chineses de Shenzhen dormem pouco.

Que sirva de inspiração.

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