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Mesmo sem ciclovias, usos de transportes alternativos se tornam frequentes em Erechim

Buscando praticidade, qualidade de vida e mais contato com a cidade, pessoas trocam o carro por bicicletas, motos e patinetes elétricos

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Há mais de 20 dias, o empresário Ricardo Argenta trocou seu carro pelo uso de uma moto elétrica
Ariane Gisi, sente falta de um espaço reservado aos ciclistas nas ruas erechinenses
Por Amanda Mendes
Foto Amanda Mendes

Nos últimos anos, as cidades brasileiras observaram um aumento expressivo de transportes alternativos. O hábito de se locomover com bicicletas, patinetes e motos elétricas cresceu e os erechinenses estão acompanhando essa nova modalidade, que permite além de praticidade, qualidade de vida e uma nova forma de vivenciar o espaço urbano. Contudo, sem ciclovias, a Capital da Amizade limita o uso cotidiano e caminha em passos curtos para proporcionar a segurança aos adeptos desse modal.

 

Essa é a realidade da licenciada em História e ciclista, Ariane Gisi. “Acredito ser muito importante pensar a cidade como um organismo vivo, como um espaço de convivência e interação, neste sentido a bicicleta passa a ganhar mais destaque, não somente como um recurso para o lazer e esporte, mas também como um meio de transporte. A minha motivação para iniciar a pedalar partiu da necessidade que eu tinha de favorecer o meu condicionamento físico”, contou à reportagem do Jornal Bom Dia. No entanto, Ariane afirma que esse uso, ainda, não é tão frequente. “Além de morar próximo ao meu trabalho, eu sinto falta de espaços adequados e seguros para utilizar a bicicleta. Muitas vezes a vontade de pedalar esbarra em diversos obstáculos, como a falta de infraestrutura e recursos. Eu acredito que existem poucas ciclovias em Erechim e que não são capazes de dar conta da demanda que a cidade necessita, além disso ainda precisamos enfrentar a indiferença que muitos condutores motorizados têm a respeito dos ciclistas”, acrescentou. Para ela, pedalar transcende a prática de exercício físico. “É uma forma de se desligar da rotina e de se conectar com a natureza, con
sigo mesmo. Pedalar é sentir-se livre, é ter autonomia para escolher os caminhos, é sobre sentir a peculiar sensação de liberdade quando o vento bater em seu rosto. É experimentar outro olhar sobre a cidade e sobre si”, concluiu. Da mesma maneira, o empresário Ricardo Argenta, acredita que essas novidades irão transformar a maneira de se locomover na cidade. “Há algumas semanas estou utilizando diariamente a moto elétrica e minha rotina mudou completamente, o percurso que eu realizava em 10 minutos de carro diminuiu pela metade. Penso que esses meios de transportes vêm para revolucionar nossa mobilidade, porque reduz os custos e eles são sustentáveis, não poluindo o ar”, pontuou. Além da praticidade, a escolha pela moto se justifica também por causa da dimensão financeira. “Um carro depende de manutenção, tem o imposto de Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e os valores que serão direcionados à gasolina. Outra questão que pesou na minha decisão é a liberdade que a moto oportuniza, eu posso transitar livremente e não perco tempo em congestionamentos, só preciso recarregar a bateria à noite”, complementou o 
empresário. Argenta ressaltou que a estrutura da cidade pode ser aprimorada para contemplar as pessoas que estão trocando o carro por esses modais. “Seria maravilhoso ter uma ciclovia na extensão das avenidas principais. E, acredito que esse será o transporte do futuro, justamente pela questão ambiental, considerando que cada vez mais as pessoas estão fortalecendo suas consciências e optando por alternativas sustentáveis”, concluiu. A segurança das pessoas é motivo de preocupação para o arquiteto Clau Nardelli. “Eu usei um patinete elétrico emprestado por 10 dias e estou sentindo muito a falta de me locomover com ele, afinal, eu conseguia estar em diversos lugares gastando pouco tempo com o percurso. No entanto, é nosso corpo que está ali disputando espaços e, por mais que os patinetes sejam produzidos de modo a se adaptar à altura e peso da pessoa, é preciso ter bom senso na condução dele. Com relação a cidade, eu não sei como os cadeirantes transitam por ela, pois os acessos tem uma declividade alta e em muitos pontos têm rebocos e paralelepípedos soltos. Além disso, a questão sustentável ainda não está muito compreensível 
para mim, pois não sei como serão os descartes das baterias”, contou. Topografia da cidade é o principal empecilho De acordo com o secretário municipal de Obras Públicas, Habitação, Segurança e Proteção Social, Vinicius Anziliero, a viabilidade de uma ciclovia esbarra na topografia da cidade. “Ela não facilita o uso desse tipo de transporte, pois possuí muitas subidas, principalmente nas ruas centrais, talvez em outras áreas seria possível, mas seria necessário um estudo de sua utilidade, para saber se é uma demanda da população”, argumentou. Segundo Anziliero, atualmente para ter um espaço reservado aos ciclistas e usuários de motos e patinetes elétricos, “teríamos que retirar uma faixa destinada aos carros ou diminuir a parte dos pedestres, considerando a largura de nossas avenidas principais”.  Para ele, esse movimento só será possível a partir de uma demanda expressiva. “Nós não temos empresas de empréstimos de patinetes, por exemplo, assim, reduz as possibilidades de ter na cidade usuários e tudo depende da demanda, afinal, não podemos alterar a cidade inteira por dois ou três erechinenses em de
trimento de toda a população”, argumento, citando, ainda, que o poder público já está produzindo o Plano Municipal de Mobilidade Urbana, “nosso objetivo é fortalecer o transporte coletivo para que as pessoas possam optar por ele e reduzir o uso de veículos particulares”, concluiu. No entanto, há estudos que mostram que um sistema cicloviário em Erechim é possível, como o do arquiteto Diemesson Hemerich. “No meu trabalho de conclusão de curso pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), percebi que um grande problema das pequenas e médias cidades brasileiras é a falta de atenção em relação ao Plano de Mobilidade Urbana. Esbarramos em alguns empecilhos quando se trata diretamente da bicicleta, uma delas e talvez a principal, seja a topografia da cidade. Para que isso fosse contornado o trabalho consiste na implantação de oito estações, integrando o transporte coletivo ao ciclístico. Assim, as pessoas poderiam se deslocar à estação com sua bicicleta e continuar o trajeto de ônibus, ou vice e versa”, relatou à reportagem. Para ele, outra alternativa é aproveitar a rede ferroviária. “A ferrovia tem por norma uma inclinação máxima de 5%, substituída pela ciclovia, tal inclinação seria ideal para o uso da bicicleta. Dessa forma, o plano consistiria não apenas em viabilizar outros transportes, mas em uma mudança de cultura a longo prazo, voltado ao lazer, a saúde e a integração de espaços públicos, aproximando mais as comunidades erechinenses. O trabalho foi um grande desafio por se tratar de uma rede cicloviaria completa com aproximadamente 49km, só dentro da área urbana de Erechim, e se implantado, com certeza sofreria com críticas devido a vários fatores, porém após toda a minha pesquisa eu acredito que o plano é viável e necessário”, concluiu.
 

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