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“As críticas ao Polo de Cultura, que é um elefante branco, são verdadeiras”

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Segundo o ex-presidente, com o tempo foram desvirtuados os verdadeiros objetivos do Polo de Cultura
Esse é o desenho original feito por Riopardense de Macedo
O painel feito na Praça da Bandeira, é um plágio do original, pois subtraiu a figura da mulher, e tr
O empresário Jaci De Lazzari, foi por mais de 11 anos presidente da Accie: “dinheiro não falta. Patr
Por Rodrigo Finardi
Foto Rodrigo Finardi e Divulgação

Uma série de artigos que o Jornal Bom Dia publicou, recentemente, sobre Riopardense de Macedo, responsável por obras como o mosaico na Praça da Bandeira, onde por motivos profissionais e pessoais teve que deixar Erechim, e anos depois foi revelado que o desenho feito, era diferente do original, motivou a entrevista que segue.

No painel feito na ausência de Riopardense, não consta a figura na mulher, ajudando o marido, na lida dos trabalhos da roça.

Para o empresário Jaci De Lazzari, que durante mais de 11 anos, foi presidente da Accie, esta história do Riopardense de Macedo, remete a história do Polo de Cultura e seus objetivos.

A entrevista que segue é marcante, reveladora, que desnuda algo até então ‘imexível’, é de tirar o fôlego. Mas com certeza, o empresário tem os seus motivos. Para ele a entidade não honra compromissos assumidos no passado, mas que podem ser recuperados: “as críticas que fazem ao Polo de Cultura, que é um elefante branco. são verdadeiras”, é apenas uma das frases. Mas tem muito mais.

Lendo os artigos do filho do Riopardense de Macedo, Sérgio, no Jornal Bom Dia, te remeteu ao início, quando foi construído o Polo de Cultura?

Jaci: O que chamou atenção nos artigos foi realmente o que aconteceu com o painel da Praça da Bandeira, feito por Riopardense de Macedo. Quando construímos o Polo de Cultura, prometemos resgatar, preservar e fomentar nossas raízes. E isso requer profundo trabalho de pesquisa e conhecimento da nossa história.

 

Em que contexto entra o painel da Praça da Bandeira nessa história?

Jaci: Pesquisando aquele histórico encontramos esse painel e o que nos chamou atenção foi exatamente aquilo publicado pelo Jornal Bom Dia. Tinha uma mulher com as cordas, as mulas, e o homem no arado. Na época conversamos com os arquitetos para resgatar esse painel e colocar na entrada principal do Parque da Accie.

 

E por que não foi feito então?

Jaci: Fizemos uma autorização para conversar com Riopardense de Macedo, para podermos fazer esse resgate, em função da propriedade intelectual. Queríamos sua autorização. Minha surpresa, quando os arquitetos retornaram e me disseram que ‘não tem autorização nenhuma, Erechim não tem respeito com a criatividade artística’. Palavras essas, textuais de Riopardense de Macedo.

 

Por que tu achas que Erechim não tem respeito com o direito de propriedade intelectual? Concorda com Riopardense?

Jaci: Ele disse que lhe foi pedido para criar um painel dos primórdios da colonização. E o que fizeram remete ao inconsciente de desrespeito da mulher. E fiquei absolutamente chocado. Esse que tem na praça é apenas um plágio.

 

Como foram buscados os recursos para a construção do Polo?

Jaci: Remetendo ao Polo de Cultura e você acompanhou como jornalista, fizemos uma campanha envolvendo toda a comunidade, lideranças que assinaram material promocional em formato de revista onde explicava todo o projeto Convencemos o Conselho aprovar um megaprojeto, o maior do RS. E convencemos o governo do Estado a nos apoiar, e empresas de grande porte nos patrocinar com valores expressivos.

 

A adesão na época foi boa. A que atribuiu isso?

Jaci: Todo mundo participou e qual a nossa promessa. Repito, fazer o resgate, a preservação e o fomento da cultura

 

Como vê hoje, o Parque da Accie e o Polo de Cultura

Jaci: Estou afastado e envergonhado de ter feito um projeto, convencido a sociedade, empresas e as promessas não foram mantidas. Não honramos com nossas palavras.

 

Como assim, não honramos as palavras?

Jaci: O Polo de Cultura era para ser utilizado de segunda a quinta-feira por crianças de tempo integral aprendendo música, dança e idiomas das etnias. Era um projeto de pessoas. Ouve uma apropriação indébita por um grupo de pessoas influentes, que não faziam parte da Accie, quando o projeto ficou pronto se aproximaram para utilizar o Polo de Cultura ao seu bel prazer.

 

São declarações fortes.

Jaci: Não são fortes, são verdadeiras.

 

Todas as pessoas que estão lá?

Jaci: Eu disse uma elite, e não todos.

 

Quem faz parte dessa elite?

Jaci: E só avaliar e ver. Cada um que verifique. Nós não mantemos as promessas. Digo, a Accie. Era para estar cedido a prefeitura (Polo de Cultura) para atender as crianças.

 

Mas foi a prefeitura que doou o terreno onde foi construído o Polo de Cultura, no primeiro mandato do atual prefeito Schmidt

Jaci: Exatamente. E a Accie precisa retomar as promessas feitas e não cumpridas. Eu me sinto envergonhado e aqueles empresários que estavam juntos, também prometeram a mesma coisa. E depois Erechim se torna queixosa de tudo.

 

E a Accie diminuiu de tamanho por isso?

Jaci: Se apequenou. Erechim quando chegava em qualquer lugar era vista como uma cidade unida, pujante. E o que me perguntam agora? O que aconteceu com a tua cidade?

 

Poderia pontuar alguém?

Jaci: Não quero fazer ofensas, nem críticas, nada pessoal. Talvez não se deram conta do que aconteceu.

 

A Accie está em dívida com a comunidade?

Jaci: Com certeza absoluta. Está em dívida sim. Ela tem que retomar aquilo que foi prometido, até porque se desviar das funções, daqui a pouco pode ser requisitado (Polo de Cultura) como utilidade pública.

 

Mas por que ocorreu isso?

Jaci: Acho legítimo que as pessoas queiram fazer parte da Accie, mas quando entram, talvez precisem conhecer melhor a história centenária da entidade. E volto a frisar, tem que manter as promessas como eu mantive dos que me antecederam.

 

Diante do que você falou, o Conselho Deliberativo da Accie, com empresários experientes, não pode solicitar essa retomada dos compromissos? E são empresários que estavam junto contigo, quando era presidente.

Jaci: Estão lá para fazer parte e ficam na zona de conforto. E se é uma coisa que não fico é na zona de conforto. Tenho sido cobrado em redes sociais de ter criado um elefante branco. Não, criei um projeto magnífico, com apoio de todos,

 

Um braço social da entidade é a Fundação Accie. Ela está nessa mesma situação?

Jaci: Foi criada para encaminhar jovens para seus estágios e também naquele momento surgiu o ‘Criança Feliz’. Acabaram com o projeto e acabaram com o sonho das crianças que recebiam aquele dinheiro. E está provado pelo Nobel de Economia, que quando uma criança tem um prêmio, ela se esforça mais.

 

Quanto cada criança recebia da Fundação Accie?

Jaci: Em torno de mil famílias eram apoiadas pelos projetos da Fundação e as crianças ganhavam R$ 150 anualmente. Mas para obter esse valor precisava frequência mínima de ano e não ser reprovada na escola. Os resultados eram maravilhosos. Mas preferiram mais uma vez, desviar da finalidade pela qual a Fundação Accie foi criada.

 

 

Nossa região é desafortunada em recursos públicos, de representatividade. 

Jaci: Nos queixamos que não temos emendas parlamentares. Temos muito mais. Quem é o conselheiro da LIC hoje? É um arquiteto que fez o Polo de Cultura. Mas vai lá hoje, como estão as coisas, e tente colocar um projeto. Não será aprovado, pois está igual ao projeto do Riopardense. Desconfiguraram o projeto original do Polo de Cultura e também da Fundação Accie. E quem tem o ‘Criança Feliz” hoje? O Ministério da Cidadania. Acabaram com o ‘Criança Feliz’ e distribuíram para várias entidades. Mudaram o estatuto, mas esqueceram das crianças.

 

E as críticas à utilização do Polo de Cultura, são reais? Procedem?

Jaci: As críticas que fazem ao Polo de Cultura, que é um elefante branco, são verdadeiras. Não tenho como contestar. Não mantemos nossas promessas e não honramos os compromissos.

 

E como empresário, o senhor pode ajudar a Accie?

Jaci: Posso ajudar, desde que queiram ser ouvidos e que começamos um projeto do zero. Isso para resgatarmos aquilo que foi prometido. Os créditos da entidade perante a sociedade viraram débitos.

 

Não acredita que essas colocações podem lhe afastar de empresários?

Jaci: Pelo contrário, quero aqui publicamente registrar meu apreço aos empresários que enfrentam hostilidades de toda ordem. A nova matriz econômica e o gigante esquema de corrupção desvendado pela operação Lava Jato levaram o Brasil a maior crise econômica de nossa história.

 

Você está vendo grande empresas passarem por extrema dificuldade, amigos seus fecharem às portas. Como se dirigir a eles?

Jaci: A grande maioria das empresas passam por enormes dificuldades. Muitos recorrem a recuperação judicial para tentar salvar suas empresas. A estes quero dizer que entendo o sofrimento de cada um. Ninguém quer deixar de honrar compromissos por vontade própria, muito menos não pagar salários.

 

Foram declarações ousadas ao longo da entrevista, que dá a impressão que tem alvo certo. É só impressão minha isso?

Jaci: Não tem alvo, não tem pessoas. Tem uma entidade que precisa recuperar sua identidade, voltar a ser grande. E é isso que quero para o bem de todos.  Sempre é tempo de ir para o caminho prometido, recuperando a credibilidade. Com certeza não faltará patrocinadores para manter e concluir o projeto. Tenho como contribuir na busca dos recursos.

 

Lembro que quando o projeto do Polo de Cultura foi lançado, uma das coisas apresentadas foi o Parque Natural. Também não foi dado continuidade pela Accie

 Jaci: No projeto aprovado pela Assembleia Geral da Accie na época, está registado em ata a criação de um parque com plantação de árvores regionais, para que as crianças do projeto cultural pudessem conhecer a flora que os colonizadores encontraram quando aqui chegaram, dando exemplo de respeito e reconstrução do meio ambiente. Creio que isso pode ser retomado;

 

É possível reverter essa situação que apresentou ao longo da entrevista?

Jaci: Somos responsáveis por nossas escolhas. Poderemos voltar a ser pujante e respeitada ou continuar descendo ladeira abaixo e recebendo críticas. Só depende de nós.  Eu gostaria que a cidade tivesse orgulho do Polo de Cultura e da Fundação Accie, mas para isto é necessário se voltar para aquilo que foi criado.

 

Mas vivemos numa época onde os recursos estão escassos. Seria possível retomar o que foi proposto lá atrás?

Jaci: Dinheiro não falta. Patrocinadores jamais faltarão. O que falta é foco. Sempre defendi o econômico, o social, o cultural e o ambiental. Com estes projetos implantados na época, por dois anos consecutivos a Accie foi escolhida como a segunda melhor associação de empresários do Brasil pela Confederação Nacional das Associações Empresariais.

 

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