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Erechim

“É desumano ter que se rebaixar pelos nossos direitos”

Famílias procuraram a reportagem do Jornal Bom Dia para relatar as dificuldades em conseguir vagas na educação infantil de Erechim

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Luciano enviou para o Bom Dia fotos da extensão da fila
Por Amanda Mendes
Foto Divulgação

Humilhante: assim que Rafaela, Luciano e Ângela* definem a busca pelo ingresso de seus filhos na educação infantil erechinense. As famílias procuraram a reportagem do Jornal Bom Dia para relatar o que consideram descaso e, sobretudo, falta de orientação da Secretaria Municipal de Educação sobre os prazos para conseguirem as vagas em creches.

Por enquanto, a única informação que existe é: todos os inscritos (processo realizado em 2019) terão suas vagas. Contudo, não há previsão de quando, considerando que a Secretaria ainda está viabilizando a compra de novas vagas junto à rede particular, já que as escolas municipais não tem capacidade para comportar toda a demanda.

Rafaela, que já conseguiu vaga para seu filho, é cunhada de Ângela, que ainda aguarda. “Por mais que eu tenha conseguido uma escola, acredito que a questão do zoneamento foi feita de maneira equivocada, pois no bairro em que moro existem três escolas de educação infantil, mas meu filho foi direcionado para outra instituição, muito mais distante de minha casa. Ainda, minha cunhada foi na manhã de ontem (14) na Secretaria e disseram que ela só conseguirá no fim do mês, então o ano letivo vai começar e só depois vão decidir se vão comprar a vaga. Nisso tudo, o que mais me deixa chateada é que o período de inscrições terminou em novem bro de 2019, estamos em fevereiro, ou seja, eles tiveram bastante tempo para analisar a procura e planejar quantas vagas precisariam disponibilizar”, contou Rafaela.

E, acrescenta, “essa situação é bem complicada para os pais se organizarem. Eu, por exemplo, já tenho um emprego em vista, mas ainda não aceitei porque não sei como será, pois a creche municipal é parcial, então terei que procurar outra escola privada para que meu filho fique no outro turno e, se ele continuar na escola que foi encaminhado pela Secretaria, vou ter que arcar com transporte, sendo que tinha outras possibilidades, bem mais perto de mim e que não demandaria esse valor para deslocar meu filho”.

“A forma como nos tratam é desrespeitosa”

Essa é opinião de Luciano, que há semanas, junto com a esposa, tenta conseguir vaga para sua filha. “Em todas as chamadas nós nos organizamos para ir, ela ou eu. Na primeira, minha esposa chegou à Secretaria às 7h, a senha estava em torno de 80, liberaram às 12h, informando que as vagas tinham acabado e em um prazo de 10 dias iam nos ligar, passou esse tempo e não nos deram retorno. Na segunda chamada minha esposa retornou, chegou mais cedo, e estava com a senha próximo a 25, novamente não teve vagas para todos. Na terceira vez, realizada ontem (14), eu fui à Secretaria, cheguei às 4h30, era o terceiro da fila e às 7h30 nos receberam e já queriam nos dispensar porque n&atild e;o tinh a vagas, mas todos os pais e mães que estavam na fila ficaram indignados e conseguimos que distribuíssem as senhas. Após isso, fomos direcionados a uma sala, onde uma funcionária explicou que o município não tem verba para comprar as vagas da rede privada e estão aguardando a disponibilização dos recursos, somente depois disso, eles iriam nos ligar. Disso tudo, o que penso é que falta respeito conosco, pois a gente se organiza, chega lá antes de o sol nascer e eles nem sequer queriam nos atender, sendo que é um direito de qualquer cidadão”.

“Se estão atendendo por ordem de chegada, por quê fazer o sorteio?”

Esse é o questionamento de Ângela, que ficou entre os 30 primeiros no sorteio. “Após sair o resultado imaginei que não teria dificuldade, mas depois de ter passado duas horas aguardando para conseguir o Termo de Matrícula, me avisaram que não tinha mais vagas e só depois iam divulgar uma nova lista. Como não consegui na primeira, me disseram que meu filho ficaria entre os 10 primeiros na segunda chamada, mas ainda assim, quando fui à Secretaria eles estavam atendendo por ordem de chegada, com distribuição de 50 vagas. Ou seja, o sorteio não valeu de nada”.

Pouca orientação oficial

A falta de informações e a espera pela ligação sobre quando poderão retornar à Secretaria, com possibilidades mais concretas de saber se conseguiram as vagas, fez Luciano e Ângela procurarem orientações com outros funcionários e órgãos. “Eles disseram que é para a gente procurar o Ministério Público ou o Conselho Tutelar”, disse Ângela.

Posicionamento da Secretaria

Por meio de nota enviada à imprensa, a Secretaria de Educação informou que fará atendimento especial na próxima semana.

“A Secretaria municipal de Educação, por meio da Central de Vagas, informa que entre os dias 17 e 21 de fevereiro, atenderá 50 senhas no turno da manhã e mais 50 senhas no turno da tarde, referente às vagas da educação infantil. Será seguida a ordem de sorteio. E o horário de atendimento será das 7h30 às 11h30 e das 13h às 17 horas.

Momento em que serão esclarecidas dúvidas, encaminhamentos de Pré A e de Pré B e encaminhamentos dos inscritos para turno parcial creche, de 0 a 3 anos e 11 meses, após contato telefônico. Importante alertar às famílias que se inscreveram para o turno integral creche, de 0 a 3 anos e 11 meses, que devem aguardar pelo contato telefônico da Smed”, pontua a nota.

*Os nomes são fictícios para preservar a imagem dos entrevistados.

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