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“Não vi e não acredito em choque de gestão”

Prefeito de Erechim, Luiz Francisco Schmidt, em um bate-papo franco, questiona o uso de forma deliberada do termo “choque de gestão” por pré-candidatos

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Num ano eleitoral, o assunto acaba sendo presa fácil para os virtuais candidatos que usam a expressã
Por Rodrigo Finardi
Foto Rodrigo Finardi

O que é um choque de gestão? Na edição de ontem (4), em parte da coluna Pente Fino, escrevi sobre uma conversa que tive rapidamente com o prefeito de Erechim, Luiz Francisco Schmidt, sobre as dificuldades de investimentos em função das obrigações impostas pelo Estado e União aos municípios. E que esta lógica acaba engessando a máquina pública.

As dificuldades aumentam

A cada ano que passa, as dificuldades vão aumentando e a exigência sobre os gestores públicos aumenta. E num ano eleitoral, o assunto acaba sendo presa fácil para os virtuais candidatos que usam a expressão choque de gestão, como quem pede um cafezinho no balcão da cafeteria.

Resultados imediatos?

Mas estariam todos preparados para implementar no município de Erechim, um choque de gestão eficaz, com resultados imediatos? Acredito que não. A palavra enche a boca, é bonita e soa bem aos ouvidos da população, mas no dia a dia, não existe como fazer isoladamente no âmbito municipal.

Aprofundamento

Esse assunto merece ser aprofundado, saber o que realmente é um choque de gestão. Voltei ao assunto com o prefeito Luiz Schmidt na manhã de ontem, e suas ponderações, nos levam a ampliar o pensamento, já que logo ali na frente terá uma eleição municipal, e o tema, com certeza, estará na boca dos candidatos. Com conhecimento ou não. O bate-papo com o prefeito rendeu uma entrevista, com questionamentos de ambas as partes, com o objetivo de fomentar o debate.

A conversa

A primeira indagação foi feita por Schmidt: “Ainda temos tempo e como me falta conhecimento, te peço humildemente uma ação possível para que fosse implementada como choque de gestão. Sou metido a ler muito e ainda mais sobre administração pública”. A seguir um pouco dessa conversa.

 

Finardi: Como fazer um choque de gestão e não deixar a carga tributária mais alta para o cidadão?

Schmidt: Qual é o poder de um prefeito para exemplificativamente reduzir o tamanho da máquina pública e aumentar o orçamento? Sangrar ainda mais o bolso do contribuinte? Acredito que um passo importante demos quando não procuramos desqualificar gestões de outros prefeitos. Buscamos avançar. Buscamos avançar em todas as áreas, mas não vi e não acredito em choque de gestão.

Finardi: Então o termo choque de gestão é usada de forma deliberada, com falta de conhecimento?

Schmidt: Usar a expressão simplesmente como mote de credenciamento às disputas eleitorais é uma coisa, outra é fazer. Vamos adiante: conheço algumas tentativas, até de outros países, buscando mudar formas de gestão, mas qual foi o último grande neste Brasil querido? O Plano Real e o resto são churumelas. O governador, Eduardo Leite, está tentando o quê? Diminuir o peso do Estado sobre si mesmo para que alguém no futuro possa fazer o Estado voltar a andar.

 

Finardi: E o que foi feito em Erechim, para desburocratizar e deixar a máquina pública mais leve?

Schmidt: O que fizemos em nosso período, além das obras físicas, foi tentar fazer a cidade andar com um novo Plano Diretor, que está sendo implantado e já temos novas modificações para desburocratizar a implantação de novos projetos da iniciativa privada.

 

Finardi: O mundo faz tentativas de mostrar alguns choques de gestões. Porém, nem sempre surtem efeitos

Schmidt: Choque de gestão aonde? Vejo muitos políticos no Brasil e até no mundo, se repetindo em falar do tal choque de gestão. O mais recente, o BREXIT. Será bom para o povo inglês? É o tal choque de gestão. Um tiro no escuro.

 

Finardi: Quando falo em máquina pública, me refiro ao modelo histórico implantado. Ninguém em quatro anos conseguirá fazer algo pleno, mas sim, dar os primeiros passos. Quando políticos e população entenderem que temos que ter planos de governo a longo prazo e não projetos políticos, poderemos avançar.

Schmidt: Acredito realmente em teu propósito. O que penso? É no mínimo temerário e no limite da irresponsabilidade, o discurso político do choque de gestão sem nem mesmo saber o significado do que afirmam.

 

Finardi: O que escrevi é algo que gostaria, como cidadão, ver discutido no período eleitoral à exaustão. Candidatos estarem atentos que é necessário evoluirmos. O corporativismo mina os governos. Equação difícil, mas os primeiros passos estão sendo dados.

Schmidt: Pergunte a todos os possíveis candidatos de Erechim e do país o que seria o seu choque de gestão, para que possamos quiçá encontrar um novo Messias, não o Jair, que faça um choque de gestão.

 

Finardi: Concordo contigo Schmidt. Gostaria de ver candidatos preparados para isso. Oportunamente, quando definidos os candidatos, irei nessa toada. Acho que enquanto imprensa, devemos buscar alternativas para ajudar. Quero apenas fomentar um debate saudável sem achar culpados e sim ajudar a buscar soluções.

Schmidt: Friso novamente. Choque de gestão não é apenas discurso. E tem vários exemplos no mundo.

 

Finardi: E quais choques de gestão na história que poderia citar, como de sucesso, para os candidatos terem bem presente o que isso realmente é e significa para a população

Schmidt: São vários. Espanha e Portugal, autorizando as caravelas a buscar novas colônias; Revolução Industrial; Revolução Francesa; Getúlio Vargas e a Petrobras; Juscelino e a indústria automotiva no país; Plano Real no governo Itamar Franco. Penso que foram grandes momentos de choque de gestão, assim como o promovido por Rudolph Giuliani e Mário Cuommo na tolerância zero em New York.

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