A Apada Erechim realizou, no último sábado (7) o evento "Os desafios da cultura surda e as formas de sua inserção social", tendo como mediador, da roda de conversa, o advogado, Franciano Ricardo Serafini, contando com a participação de grande parte da comunidade surda de Erechim e região.
Foram tratados assuntos pertinentes ao cotidiano dos surdos e todas as dificuldades que encontram para realizar atividades comuns aos cidadãos, devido à dificuldade de comunicação nos ambientes que frequentam. A acessibilidade, apesar de ser um direito assegurado aos deficientes, para os surdos, não bastam as intervenções nos ambientes físicos, que já estão presentes em muitos locais.
Acessibilidade para os surdos se trata de comunicação em Libras, recurso muito escasso em Erechim, seja pela falta de intérpretes ou pela falta de profissionais com o mínimo de conhecimento na segunda língua oficial do Brasil para atendê-los nos hospitais, delegacias, escolas, empresas em que trabalham ou estabelecimentos comerciais.
Segundo a Apada, foram apresentados inúmeros relatos de situações em que houve discriminação por parte de profissionais de diversas áreas, por julgarem o surdo um indivíduo incapaz, sendo que a realidade é outra, o surdo conduz sua vida com autonomia e busca sua independência em todos os aspectos. Além disso, surgem palavras ofensivas, por parte daqueles que não possuem conhecimento algum sobre a cultura surda, e usam expressões como "mudo" para se referir ao surdo, criando a falsa ideia de que há uma dificuldade de fala, mas que eles podem ouvir.
“Situações como esta geram conflitos, principalmente, no ambiente de trabalho, pois ao receberem uma informação e não compreenderem o que foi dito, não podem entregar o resultado esperado e, assim, serem taxados como maus profissionais. Outra grande dificuldade é a rotina dos estudantes surdos, que em muitos momentos não são acompanhados de intérprete nas aulas, ficando completamente impossibilitados de prosseguir com os estudos”, diz a associação.
Além disso, também foram expostas experiências de surdos que ao procurarem atendimento médico, não conseguem realizar uma consulta, pois os profissionais da saúde não são capacitados para atender ao surdo, e essa falta de capacitação está além de simplesmente não conhecer libras, se trata de falta de sensibilidade em buscar alguma forma alternativa de comunicação.
Por fim, os surdos relataram que possuem dificuldade até mesmo para fazer compras em lojas da cidade, pois os vendedores se bloqueiam ao se deparar com o surdo e não conseguem nem mesmo realizar uma negociação simples. “Tendo em vista os relatos compartilhados, concluiu-se que não são os surdos que não ouvem a sociedade, mas a sociedade que não está disposta a ouvir os surdos”, afirma a Apada.