A pandemia provocada pelo novo coronavírus alterou a dinâmica de muitos setores. Na economia, os prejuízos já estão sendo observados, mesmo após a reabertura do comércio em Erechim.
Segundo alguns lojistas do município, consultados pela reportagem do Jornal Bom Dia, o receio da população de contrair a covid-19, está fazendo com que as pessoas evitem sair de casa para realizar atividades não essenciais. Nesse cenário, alguns varejos estão adotando novas alternativas de relacionamento com os clientes, para manter o ritmo de vendas.
Essas opções estão sendo viabilizadas pelo atendimento online, por meio de aplicativos de mensagens, como o Whatsapp e redes sociais, por exemplo o Facebook e o Instagram.
Vendas online
A alternativa em muitos varejos tem sido a venda online. Na Capital da Amizade, esse atendimento está sendo adotado por lojas de moda feminina. Como é o caso da Loja Morango de roupas e calçados.
“Nossas vendas estão se mantendo por causa de alguns aplicativos de mensagens e por redes sociais, já o atendimento presencial reduziu”, contou a vendedora Francile Wrublewski.
O mesmo está ocorrendo na Loja Mercí, Mercí. “Reforçamos esse modelo de atendimento online com todas nossas clientes, ainda, agradecemos a fidelidade e empatia nesse momento que estamos enfrentando. Observamos que as pessoas estão evitando vir à loja, para manter o distanciamento social, por isso, organizamos esse novo modelo”, pontuou uma das sócias proprietárias, Joane Gonçalves.
“A vida depende de todos os setores”
Conforme o gerente da Lojas Becker, que atua no setor de móveis, Paulo César Taglieber, as vendas estão abaixo da média registradas nos últimos anos. Para ele, esse cenário pode estar associado ao receio das pessoas em contrair o vírus. “Acredito que isso está acontecendo muito em função do medo instalado, pois jogos políticos e econômicos distorcem a verdade. Claro que é um momento de muita cautela na área da saúde, mas precisamos lembrar que a vida depende de todos os setores. Se deixarmos o medo tomar conta, perderemos nossos empregos, e, aí se instalará uma enorme crise. Por isso, estamos tomando todos os cuidados com a higiene pessoal e dos espaços da loja, usando máscaras, mas, sobretudo, penso que é preciso considerar todos os setores, pois eles são importantes e vitais”.
“Incertezas econômicas”
Para o proprietário da Real Papelaria, Flávio Dallasen, as incertezas econômicas estão fazendo as pessoas evitarem seguir ritmos intenso de compras. “Penso que elas estão com receio de gastar, pois não sabem se manterão seus empregos caso haja novamente ações de fechamentos de atividades não essenciais e, com isso, surgir demissões”.
Flávio lembra, também, que o mês de abril foi o que registrou menores taxas de vendas, já em maio elas estão subindo. “Mês passado caiu, pelo menos, 30%, mas com o Dia das Mães, estamos recuperando. Ainda não atingimos os mesmos índices de outros anos, só que já não estão tão ruins quanto em abril”, acrescentou.
Alguns setores não sofreram interferência
Por outro lado, alguns setores, como o da construção civil, não foram tão afetados. “Como nós trabalhamos com materiais de construção, o movimento não reduziu, posso dizer que está semelhante ao período anterior a pandemia e, agora que as pessoas estão ficando mais em casa, elas aproveitam esse momento para fazer algumas reformas em casa”, comentou Carmen Barp, gerente da Loja Quero Quero.
Outro fator positivo para alguns varejos é a chegada do frio. “Estamos tomando todos os cuidados recomendados pelas autoridades médicas e sanitárias, disponibilizando álcool em gel e orientando os clientes para o uso obrigatório de máscaras. E, com isso, apesar da pandemia, nosso movimento está bom. Nos últimos dias fizemos alguns comparativos com as vendas do ano passado e elas estão praticamente iguais. Ainda, acredito que a chegada antecipada do frio auxiliou nesse momento, já que em 2019 não tivemos um frio prolongado em maio”, relata a vendedora da Leve Calçados, Vanessa Rugiski.
A reportagem do Jornal Bom Dia entrou em contato com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Erechim, para apresentar um panorama da situação no município, mas até a tarde de ontem (13), não recebeu o retorno.