Melhorar a qualidade da água, sem interferir negativamente no meio ambiente: esses são os benefícios que as fontes protegidas estão trazendo para o cuidado com a água. Com apoio técnico do Escritório Municipal da Emater de Erechim, a medida está sendo adotada em diversas propriedades do município.
A iniciativa também conta com auxílio da prefeitura, por meio de doação de horas máquinas, tubos e pedras de mão. Os produtores atuam com a mão de obra e alguns materiais.
Na Capital da Amizade já há aproximadamente 50 fontes protegidas. Para entender melhor as vantagens dessa alternativa, na manhã de quinta-feira (14), a reportagem do Jornal Bom Dia foi conhecer a proteção construída na propriedade de Ivo Andreolla, que também atua no setor de agroindústria de panificados e café colonial.
Projeto
O projeto de proteção da fonte na propriedade de Andreolla foi elaborado pela Emater-Erechim, em dezembro de 2019, a partir de uma visita técnica para indicar a viabilidade e como deveria ser realizada a proteção da fonte de água existente na propriedade. A conclusão da proteção ocorreu em fevereiro deste ano.
Conforme o relatório, foi utilizado dois tubos de 1,50 cm de diâmetro, “essa quantidade foi necessária, pois será realizada uma tomada de água por sucção em uma fonte já aberta a alguns anos, com profundidade em torno de 1,5 m”, pontua o documento. Ainda, foi preciso quatro horas de máquina escavadeira hidráulica, para abertura e limpeza dá área e, posteriormente, colocação dos tubos. A proteção foi finalizada com pedras de mão, brita e lona preta.
Melhora a qualidade da água
Segundo o engenheiro agrônomo da Emater-Erechim, Adriano Szynkaruk, essa proteção é indicada em praticamente todas as propriedades que tenham fontes, exceto quando elas são intermitentes, para captação da água e, assim, melhorar sua qualidade e poder utilizá-la em atividades domésticas.
Sem impactos ao meio ambiente
“Essa proteção não impacta no meio ambiente, pois quando a água ultrapassa o limite da fonte, escorre para o rio e segue o curso normal da natureza, além disso, não demanda um custo elevado e os recursos direcionados para construir a proteção são irrisórios, comparando aos benefícios que ela traz”, destacou Szynkaruk.
Ainda, como a propriedade está localizada em uma Área de Proteção Permanente (APP), a Emater local orientou a plantação de árvores nativas no entorno. Andreolla seguiu a dica e plantou árvores frutíferas.
Alternativa em regiões de seca
Além disso, essa fonte é essencial em regiões que enfrentam períodos de seca. “Após a proteção, será realizada a captação da água para uso nas propriedades vizinhas, já que o poço artesiano existente na comunidade secou, tornando-se esta fonte de utilidade pública”, aponta o relatório.
Uso em atividades domésticas e da propriedade
De acordo com Andreolla, após a captação da água, ela é usada em atividades domésticas, por exemplo, para lavar louças, e na propriedade. “Como não estamos utilizando para consumo humano, não precisamos realizar testes da qualidade da água, mas também é possível usar para essa finalidade”.
“Acredito que todas as propriedades deveriam pensar nessa proteção, pois ela tem me ajudado muito, principalmente quando seca o poço. Ela também não traz prejuízos ao ambiente, o que é excelente”, concluiu o produtor.