Cancelamentos e poucas possibilidades para se reinventar: esse é o cenário que o setor de festas e eventos está enfrentando, em função da pandemia provocada pelo novo coronavírus. Em Erechim, empresas que organizam eventos infantis estão sendo afetadas com a paralisação das atividades há dois meses.
Essa realidade está sendo partilhada por diversas empresas de casas de show da Capital da Amizade, tais como: a Festchêre, Casa Dienstmann, Unidunite Festas, Brincart, Luluca Diversão e Alegria, Kid's & Cia, Folia Kids Festas, Arte Brilho, Espaço Diver Casa de Eventos Ltda, Gisele Brinquedos Play Park e Kidss Play Serviço.
Em entrevista ao Jornal Bom Dia, algumas proprietárias relatam a impossibilidade de se readequar a esse novo contexto, por exemplo, adotando vendas online. Além disso, com os cancelamentos de eventos, não há fluxo de entrada de dinheiro, apenas de saída com os custos de manutenção das empresas.
Com festas canceladas até o mês de setembro, Vanina Wedy da Folia kids, comenta que muitos orçamentos foram devolvidos. “Contudo, nossas despesas fixas permanecem: água, luz, aluguel, Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), Internet, monitoramento, Microempreendedor Individual (MEI). Percebemos que não estamos tendo nenhum tipo de amparo, descontos, etc”.
Distanciamento social
A paralisação nas atividades ocorreu em função das medidas de distanciamento social, por meio de decretos de calamidade pública, que visam conter a proliferação do vírus.
“Não questionamos a forma de evitar o aumento da pandemia e todos os decretos divulgados. Pelo contrário, estamos cientes de que não podemos retomar as atividades enquanto estivermos em pandemia, até porque trabalhamos com crianças e queremos sempre preservá-las. Mas estamos sentindo certa falta de incentivos dos governos”, pontuou Josi Fátima Cardoso, da Folia Kids Festas.
Retorno distante
Sem vislumbrar um retorno próximo, a preocupação se intensifica, pois surgem os receios de ter que encerrar as atividades de maneira permanente. “É preciso salientar que nossa situação é bem específica, pois estamos com nossos estabelecimentos 100% fechados, diferente de outros setores, como os bares que estão conseguindo se adaptar e ter algum retorno. No entanto, nós não conseguimos nos reinventar e pensar outras maneiras de vendas”, relata as proprietárias da Arte Brilho, Rosemeri Assoni e Rosicler Serafin.
Nesse cenário, elas solicitam mais sensibilidade por parte do poder público. “Penso que é necessário ter uma ajuda real, que esteja ao nosso alcance, seja com linhas de crédito com juros baixos, renegociação de aluguel, IPTU, etc”, argumenta Franciane Piovesan, sócia-proprietária do DiverPlay.
Legislativo aprova pedido de auxílio ao Executivo
Na última semana, o Legislativo erechinense aprovou um pedido para elaborar uma legislação com o objetivo de amenizar os efeitos decorrentes da pandemia nesta área que movimenta consideravelmente a economia no município.
O que diz o prefeito
Conforme o prefeito de Erechim, Luiz Francisco Schmidt, o município está cumprindo o decreto estadual de calamidade pública. “Esse documento não preconiza nenhuma forma financeira de auxiliar as empresas que estão, pelo decreto, impedidas de operar”.