Há mais de dois meses com as atividades paralisadas, o setor de eventos em Erechim continua sem amparo do poder público para enfrentar o período de distanciamento social, medida adotada para conter possíveis transmissões do novo coronavírus.
Sem desconsiderar a importância de priorizar o cuidado com a saúde pública, Lauren Varella proprietária da Corsage Eventos e Cerimonial e Fernando Dariva da Top Formaturas, formularam uma carta aberta junto a mais de 100 empresas deste ramo no município. O documento foi encaminhado ao prefeito, Luiz Francisco Schmidt, solicitando apoio para minimizar os impactos deste período na dinâmica das empresas. Ainda, a carta foi enviada a vereadores e deputados estaduais.
“Nós que trabalhamos comemorando a vida, prezamos pela saúde”
Em entrevista ao Jornal Bom Dia, Lauren destaca que a carta não visa anular os decretos de calamidade pública. Contudo, a impossibilidade de vislumbrar a retomada das atividades, motivou a elaboração da carta.
“Estamos com as atividades suspensas desde março e não temos previsão de volta. Percebemos que com o tempo, alguns decretos foram publicados flexibilizando a atuação em alguns setores, tais como o comércio, as academias e a realização de cultos religiosos com a capacidade reduzida. Mas com relação ao nosso ramo, ainda não há informações. Entendemos que a medida de isolamento social é fundamental, porque envolve uma questão de saúde e, para nós que trabalhamos com festa, alegria e, sobretudo, vida, acho que o primeiro fator que temos que levar em consideração é a saúde”, contou Lauren à reportagem do Jornal Bom Dia.
Para a empresária, um olhar mais sensível a esse setor é necessário pois mobiliza a renda de muitas pessoas. “Todos os eventos contam com a participação de muitos profissionais, seja funcionários, terceirizados, até os garçons, responsáveis pela limpeza do local, músicos, etc, todas essas pessoas estão com suas atividades paralisadas e sem previsão de volta”.
Neste contexto, Lauren explica que a ação das empresas visa solicitar a criação de legislações municipais e estaduais, que auxiliem este setor.
Entre os pedidos, a empresária cita a necessidade de as pessoas evitarem cancelar os eventos e optarem por reagendamentos. “Muitos clientes têm sido compreensíveis e estão reagendado, no entanto, nosso principal medo é que algumas pessoas passem a desmarcar ou cancelar”.
“É isso que estamos pedindo, que se tenha bom senso, se tivermos que voltar as atividades será bom, iremos seguir todos os protocolos de segurança e reduzir a capacidade de pessoas, por exemplo, mas é importante que se tenha esse cuidado de evitar cancelar os eventos, mesmo sendo difícil, já que não existe uma previsão de retorno. Enfim, de todo modo seguimos unidos e com a esperança que de tudo se resolva da melhor forma possível”, concluiu Lauren.
Posição da prefeitura
De acordo com o prefeito de Erechim, a carta foi encaminhada ao Comitê Covid-19. “O documento foi analisado sob o prisma do decreto estadual e este não permite a realização de nenhum evento da natureza proposta”.
Confira os pedidos da carta
1. Incluir a realização de eventos privados no plano de liberação das atividades e serviços privados não essenciais, os quais devem ser submetidos às mesmas regras de funcionamento; podendo ser encaixado dentro das diretrizes da liberação dos cultos religiosos, que permitem até 30% da lotação máxima permitida;
2. Criar aos microempreendedores individuais e às microempresas da nossa categoria uma linha de crédito compatível com declaração de renda de cada empresa, afim de justificar suas perdas, com carência de seis meses para pagar, com juros alinhados a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e parcelado em até 24 meses e sem necessidade de apresentar imóvel ou avalista como garantia;
3. Criar uma linha de crédito para profissionais autônomos do ramo de festas e eventos de pelo menos 10 mil reais com carência de 12 meses para início do pagamento, com juros alinhados a taxa Selic e sem necessidade de comprovação de renda ou de avalista;
4. Garantir aos microempreendedores individuais, microempresas e profissionais autônomos de nosso ramo, renegociação das dívidas com o município ISS, IPTU em 2020, pois será o período que cremos que nosso ramo de atividade será mais afetado, parcelamento sem juros, em até 12 meses e com carência de seis meses;
5. Obrigatoriedade de reagendamento das festas cujos contratos já tenham sido firmados com os clientes. Em caso de solicitação de cancelamento por parte do consumidor, requer-se a autorização para cobrança da multa contratual, posto que, muito embora a razão para a não realização das festas se trate de motivo de força maior, as empresas têm oferecido a opção de reagendamento do evento pelo período de até um ano.