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Erechim

Três racionamentos depois e a barragem suportou a estiagem

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Na manhã de ontem (26), faltavam poucos centímetros para a água passar por cima do vertedouro
Por Rodrigo Finardi
Foto Rodrigo Finardi

O ano de 2020, vem sendo de fortes emoções e desafiador para todos. Estiagem prolongada, pandemia do novo coronavírus, desemprego, e o racionamento em Erechim bateu em nossa porta e não entrou.

Poucos centímetros

Essa é a boa notícia. Com a chuva dos últimos dias a barragem da Corsan, encheu, praticamente em sua plenitude. Estive lá, na manhã de ontem (26), e faltavam poucos centímetros para a água transbordar pelo vertedouro. O risco de racionamento está afastado definitivamente, pelo menos até o próximo verão.

Os três racionamentos

Acompanhei de perto os três racionamentos que Erechim teve nos anos 2000. Perdi a conta de quantas matérias fiz sobre o tema. Andei toda a circunferência da barragem, mais de uma hora de caminhada, quando estava mais de três metros abaixo do nível normal em 2012.

Vi o lago repartir em dois

Vi o lago se repartir em dois, no km 7, em 2005, e encontrei entre as pedras uma camiseta da escola Helvética Magnabosco, marcas da maior tragédia da história de Erechim, em 22 de setembro de 2004, quando 16 adolescentes e uma monitora morreram quando um ônibus caiu no lago (no dia a barragem estava cheia e uma garoa caía ao longo de todo dia).

Um avião da FAB pousou em Erechim

Presenciei um avião da FAB pousar em Erechim, e vários deputados federais, e até o presidente da Câmara dos Deputados, caminharam pelas margens secas do lago, quando parecia o sertão nordestino.

Água salobra e gerentes substituídos

Poços foram perfurados e também estava lá, quando a água salobra era imprópria para o consumo humano. Água do Aquífero Guarani. Vi gerentes da Corsan serem substituídos por falarem demais.

Testemunhei o descaso

Testemunhei o descaso da Corsan por vários anos, desde 1998, quando o prefeito Schmidt estava em seu primeiro mandato e foi assinado contrato com a companhia por 10 anos, e pouco e nada fez. E quando esse contrato venceu em 2008, um ano antes, o então prefeito Eloi Zanella disse que não iria renovar. E no ano seguinte, resolveu não mexer, por ser um ano eleitoral e um contrato complexo, passou a bola para o próximo prefeito (isso antes da eleição).

Intermináveis batalhas políticas

Observei todas as negociações da obra de Transposição do Rio Cravo, e suas intermináveis batalhas políticas, principalmente em 2013, quando o então governador Tarso Genro, inaugurou a obra inacabada num ano eleitoral em que concorreu à reeleição.

Aos trancos e barrancos a obra saiu

A trancos e barrancos a obra saiu (com algumas paralisações por falta de pagamento). E graças a essa obra (que não resolve o problema da água de Erechim para sempre), que neste ano, não tivemos racionamento. Escrevo sem medo de errar, por todo tempo que dediquei a fazer a cobertura jornalística sobre o tema.

Fator que reforça minha convicção

E mais um fator, reforça essa minha convicção. Nas outras estiagens a barragem subiu mais lentamente, quando a chuva veio em maior quantidade. Com quatro rios jogando água para dentro do lago (Campo, Leãozinho, Ligeirinho e Cravo) a recuperação veio mais rápida, com menor precipitação.

Que bom que vivi esse tempo

Que bom que vivi esse tempo, não pelas dificuldades de cada período, mas por poder ter opinião pelo que presenciei. E não precisar fazer política com coisa sagrada que é a água.

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