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Máquina de escrever: perfil fake à moda antiga

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Correspondência com selo, escrito na máquina de escrever, anônima, afirma de maneira equivocada que
Em 19 de junho de 2012 a água passou por cima de vertedouro após seis meses
Em 2012 foram 68 dias de racionamento, e fez com que crianças brincassem de barcos de papel no riach
Por Rodrigo Finardi
Foto Rodrigo Finardi

Na manhã de ontem (28), recebi uma carta pelo correio, coisa rara em época de tecnologia, de e-mails, de WhtasApp e redes sociais. Mais intrigante ainda, é que a carta (com selo e tudo) foi escrita numa máquina de escrever com tinta vermelha.  Pelo nome, do envelope - Iara de Souza – não sabia de quem se trata. Ao abrir a correspondência, no final da carta, assinado como remetente fictício, mostrando ser um perfil fake à moda antiga.

Anônima

O resumo da carta, onde a mulher (ou não) se diz esposa de um funcionário da Corsan, e me questiona, de modo geral, por que falo mal da Corsan? Se estou defendendo governos (o atual e se será assim no próximo). E questiona o que ganhei por isso. Num dos trechos escreve: “o povo de Erechim não quer nem falar em vender a Corsan. E todo mundo está lendo tuas reportagens”.

Obedecem diretrizes do comando estadual

Cabe aqui vários esclarecimentos, sem ser corporativista. Jamais escrevi uma linha criticando qualquer funcionário da companhia, pelo contrário, são os menores culpados, pois obedecem diretrizes do comando estadual, que muitas vezes, nem conhece a cidade.

Desafio olho no olho

Desafio essa pessoa, a provar que tenho ganho algo, como sugere na cara. Me procure, que lhe falarei o porquê escrevo sobre a Corsan (e não funcionários). E aproveito e faço um breve relato, sobre os últimos 22 anos.

Presenciei o contrato de 1998

Em 1998, estava no Salão Nobre quando foi assinado contrato de 10 dez anos com a prefeitura (Schmidt era prefeito). Nos três racionamentos que Erechim viveu, por falta de investimentos acompanhei de perto, não só sofrimento daqui, como de outros municípios.

“Só resta rezar”, afirmou funcionário do alto escalão

Participei de coletivas com membros do governo municipal e também da superintendência da Corsan, nos momentos mais críticos. Certa vez, membro da alta cúpula, depois de uma coletiva em Erechim, onde tem a churrasqueira dos funcionários me disse que só restava rezar, enquanto as torneiras estavam secas.

Em 2007, prefeito não quis renovar com a Corsan

Em 2007, depois de dois racionamentos, o prefeito da época, Eloi Zanella, encaminhou ofício para a direção da Corsan, alegando que o município não tinha interesse em renovar a concessão. Pela complexidade do tema, em 2008, último ano de mandato e do contrato com a companhia, resolveu deixar para o próximo gestor.

Várias batalhas jurídicas

Após isso, entrou Paulo Polis por oito anos. Teve mais um racionamento, e o avião da FAB esteve em Erechim, com deputados federais, para buscar soluções para o problema do abastecimento. O governo municipal travou várias batalhas com sindicados que defendem a categoria e com a justiça, para fazer uma nova licitação, constantemente questionada pela direção da Corsan.

R$ 4 milhões de lucro por mês

Em 2016 foi feita uma licitação, e de lá para cá, batalhas intermináveis ocorreram e passou mais um governo, e não conseguiu levar adiante, pois a companhia e não os funcionários, jamais abrirá mão de R$ 4 milhões por mês de lucro. Esse valor é revelado pelo presidente da AGER (Agência Reguladora), Valdir Farina, que prevê dificuldades log ali na frente, pois a companhia está usando um percentual acima do que é permitido, da água do Rio Cravo. É o famoso ‘jus sperniandi’.

Um contrato bilionário que todos querem

A nova licitação (suspensa por hora), que dá mais garantias ao município, permite que a Corsan participe, e até com mais vantagens com os outros, pois não precisará desembolsar a indenização. Sai em vantagem nas propostas, que prevê num contrato de 30 anos, a arrecadação de R$ 2,4 bilhões. Um contrato bilionário que todos querem.

Dívidas com a população erechinense

A direção da Corsan tem dívidas com a população erechinense, e não seus funcionários, que aliás, tenho muitos amigos, inclusive de gerentes que por aqui passaram, pois sempre tive uma relação justa, olho no olho, sobre os problemas que enfrentamos há mais de duas décadas. Tenho mais de 5 mil fotos, de todos os racionamentos, dos problemas que a população passou, e não quer mais passar.

“Não suje tua imagem defendendo esses caras”

Em outro trecho de carta, sem remetente real, traz a seguinte frase: “você é um ótimo jornalista. Não suje tua imagem defendendo estes caras (se referindo aos prefeitos que passaram e o que assume na próxima semana) ”. E no final fecha com “fale bem da Corsan que Deus vai te ajudar”.

Sujarei sempre que necessário em prol da população

Se é para me sujar defendendo a população, na melhoria dos serviços, sujarei sempre que necessário. Esse compromisso tenho, numa cidade de 102 anos, que não tem um metro de esgoto tratado, que tem contratos não cumpridos em sua íntegra.  Não me importa quem execute o serviço, desde que seja bem feito. E pode ser a Corsan, ou qualquer outra, desde que o cidadão seja respeitado.  

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