Um grupo de caminhoneiros realizou uma manifestação, na tarde de ontem (15), fechando a BR 153, no km 53,7 em Erechim, saída para Getúlio Vargas. O objetivo foi protestar e chamar a atenção para os aumentos seguidos nos preços dos combustíveis. A manifestação foi pacífica, fechando e liberando a rodovia a cada 15 minutos. Um grupo de motoboys se juntou ao protesto dos caminhoneiros. Conforme eles, o objetivo é fazer uma ação ainda maior no dia de hoje (16).
Para se ter uma ideia da gravidade do problema, na semana passada, os combustíveis foram novamente reajustados, chegando ao sexto aumento seguido do preço da gasolina e o quinto do diesel. O efeito disso vai direto para a bomba e no bolso do consumidor, que paga R$ 6 o litro da gasolina e R$ 4,70 a R$ 4,90 o diesel em Erechim e região, em algumas localidades até mais.
Além disso, há ainda outra questão importante a ser destacada frente a todos esses aumentos, como já noticiado pelo Jornal Bom Dia, em mais de uma ocasião, que a atual política de preços dos combustíveis não favorece o consumidor final e, também, os revendedores, os postos de combustíveis.
Segundo o caminhoneiro, Lenon Boeno, que participou da manifestação, estão previstos novos aumentos. “Hoje, está muito difícil trabalhar, malemal pagamos os custos. A coisa está ruim”, disse. Ele comenta que para fazer um frete de Erechim até São Paulo vai gastar R$ 4 mil só de combustível, e se paga pelo frete em torno de R$ 5,8 mil, mas sem contar os custos de manutenção do veículo. Só para citar um exemplo, um pneu de caminhão custa em torno de R$ 2,5 mil.
Ele ressalta que a margem de lucro está cada vez mais apertada, mas mesmo assim os caminhoneiros não têm como parar, porque tem família para sustentar, assim como os funcionários têm família também. “A gente tem dívida, caminhão financiado, está muito apertado”, diz.
O caminhoneiro afirma que o diesel de Erechim ainda está sendo cobrado o PIS e Cofins, alíquotas zeradas pelo governo federal. O que mostra na realidade, situação explicada e noticiada pelo Jornal Bom Dia, que não haveriam resultados práticos para o consumidor final, o fato do governo federal ter zerado as alíquotas do PIS e da Cofins para o gás de cozinha e o diesel. No dia a dia, simplesmente, revendedores de gás de cozinha e de combustíveis têm prejuízos com a atual política de reajustes de preços, assim como o consumidor que paga a conta sem opção.
Lenon comenta que os preços altos do diesel são a realidade em todo o Brasil, e que em algumas regiões como o nordeste do país, o combustível é ainda mais caro, chegando a R$ 6 o litro. E, acrescenta, “a população está muito acomodada e a indignação é geral, não é somente dos caminhoneiros, o custo de vida hoje está muito alto”.