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Segurança

Guia prático contra estelionatários

Você recebe mensagens com prêmios de programas de TV? Já foi vítima de um falso sequestro? Recebeu convites para trabalhar em casa e ganhar muito dinheiro? Cuidado: pode ser uma cilada

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Por Leadro Zanotto jornalismo@jornalbomdia.com.br

Você recebe mensagens com prêmios de programas de TV? Já foi vítima de um falso sequestro? Recebeu convites para trabalhar em casa e ganhar muito dinheiro? Cuidado: pode ser uma cilada

Já cantava Bezerra da Silva: "Tem sempre 171 armando fria. Tem ladrão lá no Congresso, na fila da padaria. Ladrão que rouba de noite, ladrão que rouba de dia." Seja na gíria popular ou na letra do sambista, "171" é usado para falar de estelionatários, "malandros" que se aproveitam da boa fé das pessoas ou da ganância, em alguns casos para tirar algum tipo de vantagem. O número, de uso comum, refere-se ao artigo do Código Penal Brasileiro em que se enquadra o crime de estelionato.

 

Em Erechim, esta prática criminosa vem se tornando cada vez mais comum. Segundo o delegado Vanderli Antunes Leandro, titular na 1° Delegacia da Polícia Civil de Erechim. Os re3gistros de casos de estelionatos na cidade apresentam um crescimento nos últimos meses. "Pelo menos um ou dois por semana tem aparecido na delegacia", relata o delegado.

Vanderli Antunes destaca que o golpe mais aplicado em Erechim é conhecido como "conto do nilhete premiado", em que a vítima é abordada na rua pelo estelionatário. "Geralmente o estelionatário aborda a vítima na rua, se passando por uma pessoa humilde ou mais idosa. Em mãos ele tem um bilhete de loteria e diz que ganhou, pedindo para a vítima conferir se os números estão corretos. Em seguida, o golpista diz que não pode retirar o prêmio por ter algum tipo de restrição, mas pede para a vítima lhe pagar um valor em troca do bilhete. Neste mesmo sentido em outra versão o estelionatário tem o auxilio de um comparsa bem vestido. O indivíduo analisa o bilhete e diz que ajudará o falsário, convidando a vítima para dividir o prêmio", explica.

As vítimas 

O delegado explica que em Erechim geralmente as vítimas são mulheres com mais de 60 anos. "Eles se aproveitam da boa fé das pessoas ou às vezes até a ganância de ganhar algo fácil. Na conversa os estelionatários criam um mundo de ilusão para as pessoas que acabam caindo no golpe", relata. O delegado também destaca que para não cair nestes golpes é necessário observar que que não existe dinheiro fácil. "Não existe dinheiro fácil, é sempre importante às pessoas desconfiarem destas ofertas de grande facilidade", destaca. 

"Ela apareceu com um pacote, não vi o que tinha dentro"

Dona Maria, 69 anos, que pediu para ser identificada apenas pelo primeiro nome, foi uma das vítimas dos estelionatários. Ela foi abordada por um homem ao sair de uma agência bancária, logo após sacar a aposentadoria. Ao falar com a reportagem a vítima lembra que o suspeito lhe apresentou um bilhete de loteria. "Logo apareceu uma moça. Ela disse que ele tinha ganha o prêmio. Então ele pediu se eu e ela não queríamos dividir o prêmio, mas para isso agente precisava dar R$ 6 mil cada. Ela apareceu com um pacote e não vi o que tinha dentro. Ele me disse que era o dinheiro. Fomos até o banco em um carro que seria desta moça, saquei R$ 3 mil e entreguei ao bandido. Fui até outro banco e um rapaz desconfiou que seria golpe e aí foi até o carro. Na sequência eles fugiram", relatou a vítima. 

Prisão 

A Polícia Civil destaca que realiza um trabalho especial de investigação e busca prender os grupos que tem se multiplicado. "Percebemos que em Erechim, geralmente, os estelionatários vêm de outras cidades e logo após aplicarem o golpe fogem para aplicar um novo golpe. Eles não tem um paradeiro fixo a investigação fica mais complicada, mas vamos sempre continuar fazendo esta repressão", antecipa o delegado Vanderli Antunes

 

  • Para não cair no conto do vigário

A reportagem do Jornal Bom Dia, separou os principais golpes aplicados para que você possa se preparar e ficar atento. Caso seja vítima de uma das fraudes, procure a delegacia da sua cidade. No caso de crimes online, o Rio Grande do Sul conta, também, como uma Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos, integrada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais. O contato pode ser feito pelo telefone (51) 3288-9817 ou pelo e-mail drci@pc.rs.gov.br 

1 - Conto do bilhete

Como funciona: o estelionatário joga na loteria os números sorteados na edição anterior. Depois, com o comprovante em mãos (de um sorteio que ainda vai acontecer), aborda uma pessoa e diz que ganhou, pedindo para a vítima conferir se os números estão corretos. Em seguida, o golpista diz que não pode retirar o prêmio por ter algum tipo de restrição, mas pede para a vítima lhe pagar um valor em troca do bilhete. Em outra versão, um comparsa mais bem vestido analisa o bilhete e diz que ajudará o falsário, convidando a vítima para dividirem o prêmio.

Como não cair: prestar atenção no padrão do golpe. A abordagem normalmente é feita por uma pessoa com aspecto mais humilde ou idosa. Em seguida, uma pessoa mais bem vestida e com aparência mais jovem oferece a ajuda. É preciso cuidar o tipo de oferta e lembrar que dificilmente alguém vai oferecer dinheiro fácil.

2- Carro quebrado

Como funciona: o criminoso liga para números aleatórios e finge ser algum parente distante - em geral, um sobrinho. Em seguida, tenta convencer a vítima de que está com o carro quebrado na estrada e precisa de dinheiro para o guincho ou para pagar o mecânico. Acreditando ser um familiar, a vítima deposita o dinheiro (ou faz uma recarga de créditos no celular) para ajudar o suposto sobrinho.

Como não cair: a dica do delegado Juliano Stobbe é nunca enviar dinheiro para ninguém sem ter certeza de que está falando com um familiar. "Ligue para outro parente antes e pergunte se aquele suposto sobrinho realmente está em apuros. Não se pode ser ingênuo e acreditar na primeira ligação."

3- SMS premiado

Como funciona: a vítima recebe uma mensagem no celular (supostamente de uma operadora de telefonia ou programa de televisão) dizendo que foi contemplada com uma quantia em dinheiro e diversos prêmios, acompanhada de um número para contato. Quando telefona, é orientada a depositar uma quantia na conta do falsário, com a promessa de que logo receberá seu prêmio. Em uma variação, o pedido é para que faça recarga de celular.

Como não cair: em muitos casos, os supostos "vencedores" nem assistem aos programas referidos no sorteio ou entraram em promoções das companhias de telefonia. Além disso, as empresas não utilizam SMS como canal oficial para informar o resultado de uma promoção.

4-Falso sequestro

Como funciona: o criminoso liga para a vítima e finge estar com algum familiar próximo, como filho ou cônjuge. Um falsário chora ao fundo e pede ajuda, fazendo com que a vítima diga um nome. A partir disso, o autor do golpe exige dinheiro pelo resgate, faz ameaças e não permite que a vítima desligue o telefone (para evitar que contate o familiar supostamente sequestrado).

Como não cair: a recomendação é para que tente contato com o familiar supostamente sequestrado e não faça nenhuma transferência. "Primeiro, se não houver sequestro, a pessoa vai cair em um golpe. E se tiver um sequestro, o pagamento não garante a liberdade do sequestrado, apenas aumenta a ganância do sequestrador", ensina Juliano, que recomenda, ainda, que se procure imediatamente a polícia caso o sequestro seja real.

5-Facilitador de programas do governo

Como funciona: o golpista pede dinheiro para ajudar a vítima a passar na frente das outras pessoas em programas habitacionais ou em outros tipos de benefício do governo. Depois, foge sem conseguir nenhuma melhoria para a vítima. 

Como não cair: é importante entender que programas de governo - especialmente habitacionais - respeitam uma ordem de inscrição e análise dos documentos, tudo controlado por um sistema. Dificilmente alguém poderia burlar este sistema para beneficiar outra pessoa.

6-Envelope vazio

Como funciona: o estelionatário realiza alguma compra, faz um depósito em um envelope sem dinheiro e apresenta o comprovante de pagamento como se o depósito tivesse sido efetivado corretamente. A vítima libera a mercadoria sem verificar se o valor do comprovante foi ou não liberado ou se o dinheiro já entrou na conta.

Como não cair: antes de liberar uma mercadoria, é importante ter certeza não apenas de que houve o depósito, mas de que ele foi compensado. "Entra nessa a questão de cheques que não foram compensados ainda. É preciso muita atenção. É um golpe muito perigoso e de fácil aplicação", ressalta o delegado. 

7-Pecúlio

Como funciona: uma carta chega na casa da vítima como sendo da Vara Cível. O documento, em papel timbrado e contendo informações pessoais, diz que há um alto valor a receber por pecúlio - uma espécie de seguro para eventualidades. A carta orienta a vítima a entrar em contato por telefone, mentindo que só é preciso pagar os custos do processo para ter acesso ao dinheiro. 

Como não cair: "acreditar que o pai fez um pecúlio nos anos 1960 e que agora alguém veio te procurar para entregar é ingenuidade. Ninguém vai bater na tua porta para te dar dinheiro", alerta Stobbe.

8-Compras pela internet 

Como funciona: perfis no Facebook ou sites desconhecidos oferecem produtos novos ou usados por valores atraentes - muito abaixo do preço de mercado. O vendedor pede o depósito antecipado com a promessa de que irá encaminhar pelos Correios o objeto comprado. Em alguns casos, o falsário deixa de responder e some com o dinheiro. Em outros, envia um objeto de qualidade inferior.

Como não cair: o melhor jeito de evitar fraudes é buscar sites confiáveis, sem acreditar que um produto de qualidade está à venda por um valor muito abaixo do mercado. Também é preciso cuidado nas compras feitas em grupos das redes sociais.

9-Falsos e-mails

Como funciona: é comum o recebimento de e-mails de bancos pedindo atualização dos dados cadastrais ou de órgãos públicos informando a convocação para uma audiência e direcionando para que se baixe um arquivo. Esses anexos contêm programas maliciosos que buscam roubar as informações da vítima, principalmente em relação a movimentações financeiras.

Como não cair: bancos e órgãos de governo não utilizam e-mails como forma de convocação ou atualização de dados. Se receber algo do tipo, desconfie e faça contato via telefone com a instituição, ou vá ao local para se certificar.

10-Empregos falsos

Como funciona: a vítima é atraída por uma oferta para trabalhar em casa com ganhos exorbitantes. Quando faz contato com o anunciante, é induzido a comprar um kit com dicas e macetes para concretizar o "trabalho dos sonhos". Quando faz o depósito, o falsário some sem dar satisfação nem enviar nenhum tipo de material à vítima.

Como não cair: para Stobbe, o ideal é ter bom senso. "Nenhum emprego real vai pedir para que você pague alguma coisa antes de começar a trabalhar, muito menos com a promessa de ganhar R$ 10 mil por mês sem precisar sair de casa", reflete.

 

 

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