A situação do transporte público em Erechim segue em aberto e ganhou mais um capítulo, na tarde de ontem, com a realização da audiência de conciliação entre a Empresa de Transportes Gaurama e a Prefeitura de Erechim. Na ocasião foi analisado o pedido de reequilíbrio financeiro da concessionária Empresa de Transportes Gaurama Ltda., que ficou em R$ 4 milhões para colocar as contas em dia e continuar operando.
Em coletiva, após a audiência, o prefeito de Erechim, Paulo Polis, explicou que a Gaurama alegou que houve desequilíbrio no contrato com a diminuição dos passageiros, em função da pandemia, e aumento dos custos operacionais, que envolvem pneus, combustíveis, e pediu, inicialmente, R$ 4.340.000,00 parcelados. “A conciliação avançou muito e a Empresa de Transportes Gaurama abaixou o valor”, disse. E acrescenta, “pedimos para não parar os serviços e prazo. Empresa vai manter as linhas regulares”.
Segundo Polis, o gestor do contrato viu que há defasagem no contrato, mas que ainda esses números irão sofrer uma avaliação externa, que será contratada pela prefeitura. “Vai ter avaliação externa dos números de janeiro de 2020 a dezembro de 2020”, disse.
A equipe do Poder Executivo quer ainda que como se tratam de valores elevados, tudo passe pela análise da Câmara de Vereadores. E, por isso, vai solicitar para esta quarta (26) ou quinta (27) uma sessão extraordinária devido à relevância do tema, para eles fazerem a avaliação, de forma equilibrada e transparente.
Polis comenta que a empresa está com busca e apreensão de ônibus e tendo dificuldade para pagar as contas e no dia 30 vence valor significativo. “O que está acontecendo aqui em Erechim, está ocorrendo no Brasil e no mundo todo”, explica.
O prefeito ressalta que antes de fechar qualquer novo contrato é muito importante que tudo seja analisado pela Câmara de Vereadores. “Porque os recursos são significativos. Em termos gerais houve avanços e sabemos a importância de ter transporte urbano. É necessário manter os serviços, mas ter também segurança jurídica”, disse.
Realidade
Conforme Polis, ao fazer uma análise geral da realidade do transporte público, se o município fosse fazer um novo contrato, seguramente, não conseguiria ter uma passagem por R$ 4, mas ficaria por volta de R$ 5,30.
O prefeito de Erechim afirma que o transporte mundial está passando por transformações, com a chegada dos aplicativos e do trabalho em casa, exemplifica. “Precisamos reavaliar daqui pra frente. Desta forma, vamos ter um Grupo de Trabalho pra reavaliar todo o contexto do transporte urbano”, disse.
“Acredito que, neste modelo que está, nenhuma empresa de transporte se sustenta, olhar as rotas, bilhetagem eletrônica, tudo está mudando de forma drástica e transporte coletivo não é diferente”, afirma. Além disso, Polis comenta que as isenções têm que ser reavaliadas.
Segundo Polis, até o dia 30 deve ser aprovado e sancionada a lei e será o tempo da primeira parcela. A segunda está condicionada a perícia externa.
Prefeito comenta que a prefeitura voltou a comprar o vale-transporte, mas agora são somente dois vales porque o município trabalha em turno único. “Vamos dar entrada para não parar o serviço, com certeza, se a prefeitura não disponibilizar estes recursos nenhuma empresa vai participar deste contrato. Não é subsídio, mas equilíbrio de contrato. Não é bom, no meio de uma pandemia, mas é o que a gente pode fazer”, afirma.
Polis ressalta que tudo vai ter que passar por um projeto de lei pela Câmara de Vereadores. “A entrada é de R$ 1,5 milhão, e depois cinco parcelas R$ 500 mil a cada 45 dias até fechar R$ 4 milhões, no total. Mas para fechar este acordo tem que passar o projeto de lei na Câmara de Vereadores”, afirma.