Fundada há quase 30 anos, em 1992 por irmãs de caridade, a Obra Promocional Santa Marta de Erechim é uma entidade sem fins lucrativos que tem o objetivo de ajudar pessoas em vulnerabilidade. A assistente social Maria de Lourdes Callegarini em entrevista ao Bom Dia, conta que na época, havia uma grande quantidade de crianças nas ruas que pediam ajuda. Para amenizar a situação, elas resolveram criar uma organização para auxiliar as famílias que necessitassem de acolhimento. Foi assim que nasceu a “Obra”, como é conhecida no município.
Dificuldades
Passando por dificuldades na realização dos trabalhos, as irmãs ficaram prestes a parar com as atividades, a comunidade comovida com a situação, resolveu ajudar e assumir juntamente com a entidade a responsabilidade de cuidar das famílias. “Foi assim que a organização se manteve até os dias de hoje”, explica Maria.
Com o passar do tempo, em 2009, com um novo regramento a organização passou a trabalhar dentro das políticas públicas. Atualmente a entidade auxilia na parte de assistência social, é filantrópica e é inscrita em conselhos nacionais de assistência. “Os principais programas que possuímos são: o serviço sócio familiar, onde são atendidas pessoas que estão inseridas no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), com 94 famílias, o Programa Socioeducativo que possui 50 adolescentes e a inclusão no mercado de trabalho, estes são os três programas mais importantes da Obra”, afirma a assistente social.
Atividades e lanches
Dentro dos programas sociais, existem oficinas que são realizadas por meio de parcerias com empresas de Erechim, que contribuem para a inserção dos jovens em vulnerabilidade social no mercado de trabalho. “Em relação às crianças, hoje temos capacidade para atender 40, com as aulas voltando gradativamente, estamos com 32 nas faixas etárias de zero a quatro anos. A equipe que cuida é do município e nós cedemos o espaço”, argumenta Maria.
Durante a parte da manhã, elas têm aulas com professores e a tarde desenvolvem ações integrativas com educadoras da organização. Na instituição, os alunos possuem três refeições: café da manhã, almoço e lanche da tarde. “A maioria das crianças não possui uma alimentação em casa, às vezes, o lanche da tarde, fica como janta, para os adolescentes e mães que vêm nas oficinas também existem lanches em ambos os turnos”, diz.
Atendimento na pandemia
Com a pandemia acontecendo há mais de um ano, a entidade começou a executar um projeto que é realizado em dois sábados do mês, que trabalha com mulheres vítimas de violência doméstica. “Com a convivência maior em casa, muitas famílias começaram a ter conflitos, desentendimentos por causa do desemprego, falta de recursos financeiros, ansiedades, por este motivo, passamos a realizar este projeto para auxiliar as famílias”, explica.
Segundo a assistente social, o número de crianças e adolescentes atendidos pela Obra, aumentou significativamente durante a pandemia. “Além dos atendimentos na entidade, realizamos diferentes trabalhos por meio das redes sociais, atendimento individualizado, auxílio no encaminhamento para a retirada de benefícios, para pessoas que precisam, distribuição de alimentos entre outros”, salienta Maria.
Na avaliação dela, a continuidade dos trabalhos, foi possível também com a ajuda da comunidade local que realizou muitas doações e parcerias quando ocorria a falta de alimentos. “Para a distribuição dos alimentos que são doados para a Obra Santa Marta, primeiramente fazemos uma avaliação socioeconômica e verificamos se aquela família, não foi beneficiada por algum Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), temos esse cuidado, para que não venhamos a beneficiá-la duas vezes, e outra família fique sem receber, aí ajudamos”, argumenta.
Desafios e ajuda
Conforme a avaliação da assistente social que trabalha há mais de nove anos na organização, um dos principais desafios da entidade atualmente, é financeiramente. “Existem pessoas que fazem doações e temos diferentes parcerias que nos ajudam sempre, mas quem quiser ajudar a manter este trabalho pode ligar na entidade, fazer depósitos em conta corrente, ou até mesmo levar as doações até a Obra, sempre há pessoas trabalhando que podem receber e muitas pessoas precisando de ajuda”, finaliza.