Segundo Instituto Nacional de Meteorologia (IMNET) o Brasil enfrenta a pior seca em 91 anos. A previsão é que a falta de chuvas poderá impactar diretamente na quantidade de água potável disponível para o próximo verão com o retorno de racionamentos.
Em Erechim, a Agência Reguladora de Serviços Públicos (AGER), estuda como diminuir este impacto, caso os rios que abastecem a barragem do município comecem a baixar entre novembro de 2021 e fevereiro de 2022.
Solução inviável
Uma solução para o problema seria o Rio Tigre, mas a ideia se torna inviável, pois com o crescimento do perímetro urbano, águas que tem quase todas suas nascentes na região central da cidade, foram canalizadas e após passarem por 10 bairros apresentam atualmente um alto grau de poluição.
Mais de quatro décadas
Os primeiros registros da situação do rio começaram a serem realizados há mais de 40 anos. Neste período diversos projetos com objetivo despoluição foram realizados, mas sem grandes resultados.
Problema visível
O problema é visível principalmente nos bairros mais pobres, onde o canal do rio é cercado por residências que despejam esgoto na água. Em um vídeo enviado ao Bom Dia, um morador que não quis se identificar mostra pedaços de móveis e outros tipos de lixo que podem ser encontrados dentro do canal. Nossa reportagem esteve no local e comprovou a situação.
Falta Conscientização
Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente de Erechim, Cristiano Moreira a prefeitura realiza a limpeza seguidamente no córrego, com a retirada do lixo depositado, além de trabalhar a educação ambiental com os moradores das localidades próximas. “Temos o conhecimento daquela realidade. Quero pontuar que somos uma cidade privilegiada na coleta de resíduos. Naquela região, atualmente o caminhão passa seis vezes por semana, sendo três dias lixo seco e outros três dias o orgânico. Mas infelizmente ainda temos uma pequena fração de pessoas que desrespeitam esse processo e desconsideram a situação poluindo o meio ambiente”, destaca.
Necessidade de União
Moreira, explica que situação da poluição no córrego precisa ser um processo de união de toda a comunidade. De acordo com o secretário, um estudo para a limpeza com a retirada do lixo está sendo realizada. “Atualmente temos 100 famílias na cidade que contam com apoio da reciclagem de resíduos para seu sustento. A situação não depende apenas do poder público e sim de uma ação conjunta com a comunidade. Vamos realizar a limpeza, mas sabemos que isso será paliativo, por que em 15 dias, algumas pessoas voltam a jogar lixo no córrego. Precisamos reforçar a conscientização para iniciarmos um processo de quem sabe um dia, podermos vermos o Rio Tigre em uma realidade diferente”, finaliza.
Projeto ambiental
O Instituto Socioambiental Vida Verde – Elo Verde, em seu site se apresenta como uma associação civil de direito privado e de caráter sócio ambientalista, sem fins lucrativos. Foi criado em 2003 e nas últimas duas décadas vem realizando projetos para a recuperação do Rio Tigre, em Erechim.
Em 2014 com apoio da Petrobras a entidade desenvolveu pesquisas da situação do rio, colocou barreiras para recolher o lixo, além de palestras e seminários sobre educação ambiental nas escolas e com a comunidade que mora próxima ao Rio Tigre. Mas com a chegada da pandemia o instituto precisou paralisar suas atividades.
Retorno de atividades
O retorno com uma nova gestão, ocorreu no início do mês de abril. O novo presidente, André Ribeiro, destaca que uma programação de ações está sendo montada para o retorno dos projetos de recuperação do córrego “Nós estamos retornando com uma nova equipe diretiva, formada por pessoas mais voltadas ao processo socioambiental. Nós próximos meses vamos apresentar projetos que buscam ouvir a comunidade e para o ano que vem, planejamos um calendário de ações, em parceria com escolas, universidades e outras entidades, para falar não só do Rio Tigre, mas dos recursos hídricos que sabemos que tem um limite e do trabalho das cooperativas de catadores, valorizando aquelas pessoas, que tem um trabalho fundamental para preservarmos o meio ambiente”, ressalta.