A inflação perdeu força e o preço de alguns hortifrutigranjeiros passou a pesar menos no bolso das famílias. O indicador oficial de custo de vida, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 0,35% em junho – menos da metade do registrado em maio.
Esse resultado foi influenciado diretamente pelos preços de alguns alimentos, a exemplo de cenoura, que ficou 23,72% mais barata no mês passado. Ainda entre os itens que apresentaram queda de preço, destacam-se cebola (-17,78%), tomate (-8,08%), frutas -(7,58%), pescado (-2,27%), óleo de soja (-1,85%), frango inteiro (-1,36%), café da manhã (-1,25%) e carnes (-0,85%).
O resultado da queda na inflação foi percebido pelos consumidores nas gôndolas dos supermercados de Erechim. Nicanor Muniz é aposentado, mas atualmente trabalha como vigilante para melhorar a qualidade de vida. Ele já havia comprado cebola e tomate nas últimas semanas, mas decidiu garantir o estoque em casa, já que segundo ele “os produtos estão com um ótimo preço”.
O supervisor de hortifrutigranjeiros do Caitá de Erechim, Alcione Martin, confirma a queda nos preços. A cebola, que já chegou a custar R$ 6 no mês passado, agora é vendida a aproximadamente R$ 2,5 o quilo. Já o tomate, que tem uma variação média de preços entre R$ 2 e R$ 4, foi encontrado em promoção por R$ 1,97 o quilo.
“Recebemos uma oferta dos fornecedores que acarretou na queda dos preços. Para as próximas semanas o preço da cebola deve contar com um aumento não muito significativo e o do tomate com alguma variação dentro da normalidade”, explica.
Preços ao consumidor
No acumulado de 2016 até junho, o IPCA registrou alta de 4,42%, resultado bem inferior aos 6,17% registrados em igual período de 2015. A despeito dessa desaceleração, o resultado está caminhando para próximo dos limites de tolerância estabelecidos.
Mercado reduz estimativas para inflação e queda no PIB este ano
A projeção de instituições financeiras para a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi levemente reduzida ao passar de 7,27% para 7,26%. Essa foi a segunda semana seguida em que houve redução na estimativa. Para 2017, a projeção também caiu, ao passar de 5,43% para 5,40%, no segundo ajuste consecutivo. As projeções fazem parte de pesquisa feita todas as semanas pelo Banco Central (BC).
As estimativas estão distantes do centro da meta de inflação, de 4,5%. O limite superior da meta de inflação é 6,5%, este ano, e 6% em 2017. Portanto, pelas expectativas das instituições financeiras, a inflação vai estourar o teto da meta, este ano.
A bacharel e mestranda em economia, Rubiele Tartas, afirma que o dado exige cautela. “Mesmo havendo essa redução de 0,01 pontos percentuais de uma semana para outra, deve-se levar em conta que, de acordo com o relatório Focus do BC (que é de onde surgem essas estimativas) há um mês a expectativa para a inflação para 2016 era de 7,19%, ou seja, houve um crescimento na expectativa da inflação no final de junho, provavelmente afetado pelas incertezas do mercado dado o plebiscito sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (EU)”, explica.
Contudo, Rubiele afirma que as perspectivas de mercado apontam para uma melhora no cenário em 2017, “o que deve favorecer o consumidor com a redução nas taxas de inflação, e quem sabe, com uma economia mais estável, a geração de empregos aumente, captando os desafortunados que perderam suas ocupações ao longo do período da crise”, finaliza.