21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Economia

Memórias de quase meio século como comerciante

No dia do Comerciante o empresário Mário Zanardo relata a história da família no comércio erechinense

teste
Mário Zanardo é ex- presidente da CDL Erechim
Por Larissa Paludo larissap@jornalbomdia.com.br
Foto Antonio Grzybowski

Do feijão que era pesado na hora da venda às lojas de capinhas de celular: a internet, o acesso asfáltico, o aumento no consumo e a competitividade. O comércio erechinense evoluiu muito do século XX ao XXI. Essa história está escrita nos prédios mais antigos da cidade e na memória dos comerciantes tradicionais que tiveram a oportunidade de acompanhar toda essa transição.

Nascido em uma família de 12 irmãos, filho de Santo e Olina, a trajetória de Mario Zanardo como comerciante já estava evidente desde muito cedo. O primeiro ofício do então garoto, na época com sete anos de idade, foi embalar pregos na fábrica do pai. Ele iniciou os estudos no Colégio São José, local onde estudou dois anos. Após, fez o ginásio e o técnico em contabilidade no Colégio Marista Medianeira. Cursou faculdade de Ciências Contábeis na Universidade de Passo Fundo.

No segundo ano do técnico em contabilidade, o trabalho em uma filial do negócio da família, o Palácio da Tintas, passou a ser a atividade matutina de Mário. Ainda, conciliava o emprego com o trabalho no Banco Nacional do Comércio, exercido durante dois anos no turno vespertino. “Em certo momento eu passei a me dedicar exclusivamente ao estabelecimento que era dos pais e da família Zanardo”, constata.

O negócio da família que começou com o nome de Santo Zanardo, após virou S Zanardo Companhia Limitada e agora é Zanardo Comércio de Vidros e Tintas, já tem 85 anos de história. E o Palácio das Tintas, gerido por Mário Zanardo e outros três irmãos, completará o aniversário de meio século no próximo ano. 

Comércio de ‘Secos e Molhados’ e as dificuldades

Com pouca diversificação, o comércio de Erechim antigamente era caracterizado pela expressão ‘Secos e Molhados’, de acordo com o comerciante. “Os secos eram os produtos como tecidos e confecções e molhados eram produtos da alimentação. Não é como nos dias atuais que se encontra tudo empacotado nas gôndolas do supermercado. O cliente ia aos pequenos mercados, e o produto –feijão, arroz, farinha – era pesado na hora”.

Mário Zanardo rememora com carinho que “foi uma época muito boa apesar das restrições. A questão das rodovias atrapalhava muito, pois as mercadorias não chegavam, ou demoravam muito para chegar a Erechim.

Sem calçamento nas principais avenidas da cidade, as pessoas de outros municípios vinham a cavalo. “Aproximadamente na década de 1960, em frente às lojas havia palanques onde os clientes amarravam os animais durante as compras. Quando o asfalto chegou às estradas, facilitou enormemente o sistema de locomoção”, explana Zanardo.

O comércio começou a desenvolver no ano de 1999, em que houve uma expectativa maior de crescimento e os empresários foram buscar novidades e capacitação, conforme afirma o empresário. “Foram criados vários estabelecimentos e seguimentos de comércio e houve uma diversificação de produtos”.

Confiança e fidelidade em tempos de pouca tecnologia

Zanardo foi presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Erechim em 1998 e conta que no século passado os funcionários não contavam com as facilidades da informática. “As fichas eram preenchidas manualmente e ficavam em uma grande mesa redonda. No Sistema de Proteção ao Crédito (SPC) não havia muita informação, mas já era possível consultar a situação financeira do cliente pelo nome”, explica.

O crediário do século XX, de acordo com Mário, era realizado em uma caderneta, na qual o cliente assinava e pagava em prestações. “Havia a confiança e a fidelidade do cliente. A coisa era no ‘fio do bigode’, ou seja, eu confio no cliente e ele confia em mim. E como não era um comércio tão evoluído como agora, então não existia tanto consumo como agora, era mais freado”, relata.

Diferente da fidelização com o cliente, hoje a concorrência desenha as características do comércio erechinense. “Na época não tinha a concorrência que tem hoje. O comércio passou a oferecer mais oportunidades de escolha ao consumidor há mais ou menos 30 anos. O comércio começou a evoluir com as grandes redes que vinham de fora. Mudou muito o sistema de venda e o consumo de produtos. O consumidor tinha as lojas tradicionais e sempre procurou por qualidade e preço. Hoje nem tanto, hoje é preço. A qualidade ficou em segundo lugar, uma vez que o poder aquisitivo é menor”.

Dias atuais e a perspectiva do comerciante

A experiência de quem já enfrentou diversos momentos da economia e da política geram em Mário uma certa cautela quanto ao atual momento brasileiro. “Hoje vivemos um problema crítico em termos de política e economia do nosso país, no qual nós empresário não temos chances. Os limites de verbas são muito restritos e os juros altíssimos. Então vivemos um momento de não confiança, pois não sabemos o dia de amanhã como será”, reafirma.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;