A falta de chuvas no Rio Grande do Sul já atinge diversos municípios com perdas significativas em lavouras e outras culturas como o leite e gado de corte. O número de municípios que solicitaram situação de emergência ao Governo do Estado já ultrapassa 70. Na região do Alto Uruguai, Benjamin Constant do Sul foi o primeiro a fazer o pedido, nesta semana Jacutinga e Ponte Preta também solicitaram, além destes, outros também já sinalizam a necessidade do pedido caso não chova consideravelmente em breve.
Em Erechim a situação é preocupante, como explica o diretor administrativo-financeiro Edgar Radeski, a estiagem atingiu os mananciais e o rio Cravo diminuiu sua vazão. “Apesar da diminuição, tem vazão suficiente por enquanto. A água bruta do Rio Cravo que é transportada para dentro da barragem é conduzida 24 horas por dia para atender a demanda da cidade”, explica. De acordo com o diretor, a barragem está atualmente com 60 centímetros abaixo do seu nível normal, portanto, é necessário que a população tome cuidado para não esbanjar água.
Agricultores sentem efeito da estiagem
O agricultor Augusto Pigatto faz parte da Agroindústria familiar Pigatto e relata que a seca de 2023 já é a terceira consecutiva, gerando mais uma vez prejuízos. O agricultor planta milho, soja e possui animais também. De acordo com Pigatto, este ano precisaram comprar milho para alimentação do gado devido à baixa produção de suas lavouras. “Essa seca está sendo mais difícil que as outras, em outros anos conseguíamos até vender o milho, conseguíamos encher o silo e ainda sobrava, agora já estamos pegando carga de milho para conseguir tratar os animais”, relata.
Augusto conta que o triticale foi guardado para alimentar as galinhas, mas a soja também está sentindo o efeito da falta de chuva. “Nós plantamos a soja e percebemos que ela já está sofrendo bastante, está começando a florescer, mas com a estiagem está baixando as folhas”, explica o agricultor preocupado.
“A situação é preocupante”
O coordenador geral do Sultraf Douglas Cenci relata que a situação é preocupante, “os produtores estão se deparando com a falta de água para consumo próprio, dos animais e principalmente para as plantas que tem sofrido não só pela falta de chuvas, mas também com o calor que acelera o processo de degradação”, relata. O coordenador conta que a situação tem causado tristeza aos agricultores, “muitos produtores estão sem ânimo. Alguns perderam tudo no ano passado, investiram mais nesse ano e agora estão com dificuldades de fazer germinar. Tem muitas lavouras, principalmente de soja que as plantas nasceram mal, além disso, tem diversas plantações de milho comprometidas, tem perdas também na produção de leite, carne, frutas, hortaliças, ou seja, todo o conjunto da agricultura familiar está sofrendo com a estiagem”, reitera Douglas.
As perdas, explica Douglas, estão chegando a 70% na cultura do milho em algumas localidades. O levantamento exato ainda está sendo feito, porém, como explica, a soja também apresenta dificuldades.
“Nós estamos dialogando com o Governo do Estado na expectativa de que possam agilizar as vistorias do Próagro para repassar o seguro das lavouras para que m possui e assim o agricultor consiga replantar ou fazer silagem”, relata Douglas. O coordenador expressa que se o agricultor receber os auxílios vindos da solicitação de situação de emergência, será de grande ajuda para garantir o plantio da safra de inverno e conseguir enviar os alimentos à mesa do consumidor com a melhor qualidade possível
Erechim terá que racionar água?
“Sobre racionamento, é uma hipótese. Se olharmos as previsões de chuvas para nossa região são chuvas muito espaçadas que não atenderiam nossa cidade. Portanto, a orientação para a população é economizar para que não falte água para ninguém. Contamos com a colaboração de todos e esperamos que as chuvas que venham atinjam os mananciais e assim as necessidades sejam supridas e tudo fique bem”, finaliza Edgar.