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Seca na região: ‘Precisamos ter bons reservatórios’

Uma das alternativas apontadas pelo professor Vanderlei Decian, coordenador do laboratório de geoprocessamento e planejamento ambiental da URI para resolver um dos problemas

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Estiagem na região
Em entrevista à TV Bom Dia, o professor Vanderlei Decian falou sobre a estiagem, consequências e per
Por Taiane do Carmo
Foto Jucimar Daniel Zinkiewicz - Ager - Corsan

A seca na região, assim como em todo o Estado do RS, tem afetado grande parte das culturas agrícolas e trazido consequências em diferentes áreas. Entre elas, na agricultura, ecologia, saúde e ainda no cenário econômico devido as perdas financeiras.

Em razão disso, mais de 270 municípios decretaram situação de emergência, o que representa 54% da população do Estado, conforme dados da Defesa Civil RS. Para entender melhor a situação, conversamos com o professor Vanderlei Decian, coordenador do laboratório de geoprocessamento e planejamento ambiental da URI Erechim, que falou sobre a estiagem, suas consequências, perspectivas e ainda as políticas adequadas diante do cenário.

Fatores climáticos

Ele explica que atualmente existem dois fatores climáticos que influenciam a ocorrência das chuvas. O primeiro é o fenômeno El Niño, que age no aquecimento das águas do oceano Pacífico, o que provoca o excesso de chuvas. O segundo é o La Niña que possui efeito contrário, ele age no resfriamento das águas do oceano Pacífico Tropical Central e Oriental, trazendo o efeito de diminuição das chuvas, que como consequência traz a estiagem. “Por alguns anos temos o que chamamos de irregularidades das chuvas a nível da região Sul do Brasil. Basicamente se analisarmos e buscarmos um culpado para a falta de chuva é o La Niña”, afirma o professor.

Situação de Emergência

O fenômeno La Niña atua há cerca de três anos consecutivos na região Sul de forma intensa. No ano passado, alguns municípios já haviam decretado situação de emergência, mas neste ano o cenário piorou significativamente. “Observando a situação nos anos de 2022 e início deste ano, as consequências são mais ‘pesadas’ e elas se traduzem automaticamente nas questões econômicas. Diversos municípios estão recalculando as perdas na agricultura, principalmente nas lavouras, e os gastos para manter os animais produzindo são altos. Portanto, não é somente o efeito na agricultura que sentimos, mas é na saúde humana (principalmente com a questão da baixa umidade do ar e a proliferação de insetos)”, argumenta Decian.

Efeito Ecológico

O professor explica, que todos os rios, mananciais por exemplo, precisam ter um volume específico para que todos os fenômenos ecológicos aconteçam. “Recentemente, observamos que está ocorrendo a mortandade dos peixes do Rio Cravo, e por que isso acontece? Existem diversos fatores: ou porque ele tem pouca água, ou também porque essa água não tem qualidade o suficiente para ele sobreviver de forma adequada. Se está acontecendo algum dano a esses animais, isso está relacionado a questão de baixo volume de água. Além disso, podemos citar as questões de incêndio que ficam mais propícias devido à baixa umidade do ar”, explica.

Rios de Erechim e região

Com o efeito do La Niña que se prolonga há quatro em uma situação de irregularidade, choveu menos do que era necessário. Por este motivo consequentemente há menos volume de água. Vanderlei explica, que quando a umidade do ar está baixa, as plantas evapotranspiram e há uma perda muito grande da umidade, isso provoca diversos fatores que são danosos. “Erechim teve um pré-preparo visualizando a oportunidade de utilizar a água do Rio Cravo, e isso foi muito bom na época, mas agora o rio está no limite, abaixo da linha ecológica. Percebemos que outros municípios têm uma dificuldade maior, porque muitas vezes acabam utilizando a água de rios pequenos ou de poços que não suportam dois ou três anos de efeito La Niña”, salienta.

Necessidade de Reservatórios

O professor reforça que é necessário ter bons reservatórios que suportem o período de estiagem. Esta seria uma das soluções para um dos problemas. “É importante destacar que todos os municípios que precisam rever seus contratos com concessionárias de fornecimento de água, precisam estudar cada caso, para que se tenha uma possibilidade de reservar água pelo menos por um tempo; pois como os fenômenos La Niña e El Niño são cíclicos e daqui há cerca de seis anos teremos eles novamente, precisamos estar preparados, além das ações preventivas como as tubulações rompidas, diminuição das perdas e a reservação.”, destaca.

Chuva necessária

Os estudos revelam, que na região do Alto Uruguai gaúcho é necessário chover anualmente cerca de 1.800 milímetros, dividindo em meses é preciso chover em torno de 150 milímetros. “Mesmo que chova, precisamos de ações que façam com que essa água permaneça no lugar, se isso não acontecer ela vai escoar pelos rios e depois vai ir embora. Portanto, precisamos de ações, como Sudagem, reservatórios de grande porte, manejo do solo, tudo que possa potencializar para que essa água fique o maior tempo possível no lugar que está sendo despejada”, reflete Decian.

Previsão climática

O professor explica, que de acordo com as fontes climatológicas confiáveis, estamos em um período de normalidade, mas isso não significa que o cenário está tranquilo. Isso quer dizer que estamos nos encaminhando para uma situação em que há o fim do período de La Niña e a entrada do efeito El Niño. “Por isso começou a chover, mas não podemos esperar que sejam chuvas excessivas e que volte a regularidade. A previsão é que teremos um período de chuvas no fim de março, mas ainda será abaixo do normal, mesmo assim será um ponto de partida para que tenhamos um equilíbrio para a entrada efetiva em julho, agosto e setembro do El Niño, e consequentemente teremos um certo período de tranquilidade, é o que apontam as fontes. Realmente esperamos que esse cenário se concretize. É necessário analisar, que estes fenômenos climáticos têm uma previsibilidade para ocorrer, e isso precisa nos trazer um ensinamento e uma precaução para estarmos preparados diante dos cenários que possam acontecer”, conclui.

Nesta terça-feira (14), choveu em algumas cidades e a previsão é de que ela permaneça nesta quarta (15) e quinta-feira (16) com cerca de 50 milímetros, a expectativa é de as chuvas minimizem a situação da seca na região.

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