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Rural

Produção de flores: sem concorrência

Produção da Associação de Floricultores do Alto Uruguai não atinge 20% da demanda

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Trabalho é todo manual e são gerados sete empregos
Por Rosa Liberman - rosa@jornalbomdia.com.br
Foto Rosa Liberman

Quando se trata de produção de flores, o Alto Uruguai não tem concorrência. Doze produtores são associados à Associação dos Floricultores do Alto Uruguai (Aflau), sendo 10 de Erechim, um de Barão de Cotegipe e um de Getúlio Vargas. A produção, de acordo com o presidente da entidade, Jandir Brunelo, não atinge 20% da demanda da região. O restante é abastecido pelo mercado de Porto Alegre, São Paulo e regiões mais distantes. “Temos um mercado em aberto, pois da mesma forma que há poucos produtores também carecemos de assistência técnica. Isto porque para aplicarmos tecnologia temos que todo ano buscar conhecimento em São Paulo”, declara.

O clima da região é favorável ao cultivo de flores o que aponta condição que facilitaria a ampliação da área cultivada. Brunelo é produtor de orquídeas em Barão de Cotegipe há 29 anos. Hoje ele tem 12 mil vasos e comercializa cerca de mil ao ano. São cultivadas 530 espécies.

A produtora Flávia Malacarne entrou no ramo de flores em 2007, com uma estufa pequena, de 200m², cultivando rosas em São Roque, interior de Erechim com irrigação automatizada. Aos poucos o negócio foi expandindo e, em 2012, o esposo Marcos largou o emprego de 11 anos e assumiu a atividade, juntou com o sócio Edison Simon. Os três ampliaram a produção e hoje são quase 8 mil m² com a produção de três carros chefe: cravo, gérbera e austromélia. As mudas vêm da Holanda.

“Nunca tivemos problemas de comercialização e cada vez que aumentávamos a produção conseguíamos vender facilmente. A demanda era sempre maior do que a produção”, conta Flávia.

Em picos de produção eles chegam a colher e comercializar 2.500 pacotes por semana. A  produção é anual, mas tem os períodos de alta e baixa, como por exemplo, neste inverno, os dias de frio intenso que foram registrados, com geadas consecutivas, a produção foi interrompida por 45 dias sem colher “O que não queimou atrasou o desenvolvimento”, diz Flávia.

“Também procuramos fazer um mix de venda, tem épocas que temos boca de leão, lisianthus, verdes que são complementares para buque, arranjo, fazemos uma venda casada”, acrescenta.

 

Comercialização

A comercialização é realizada em Erechim, nas floriculturas, funerárias e com decoradores. Também é feita diretamente com consumidores na Feira do Produtor. A venda também ocorre em outros municípios como Passo Fundo, Marau, Concórdia e Chapecó.

 

Mão de obra e qualificação

A atividade exige bastante mão de obra.

Como a região é tradicional no cultivo de grãos, produção de leite, avicultura e suinocultura, não há mão de obra especializada. Para tanto, Marcos Rossarola comenta que eles contratam os funcionários com proximidade no meio agrícola e qualificam as pessoas, de acordo com as necessidades do trabalho. “Não encontramos mão de obra qualificada então nós mesmos treinamos os funcionários”, diz. Hoje são gerados sete empregos.

Assim como a mão de obra é rara, a assistência técnica para flor de corte também. Para qualificação, Marcos vai todos os anos a Holambra, São Paulo, receber treinamentos, para melhorar a qualidade dos trabalhos. Também faz visitação a propriedades em Minas Gerais, Colômbia, Rio Grande do Sul. “Assim, repasso para os funcionários o conhecimento”.

 

Recompensa

Marcos diz que valeu a pena trocar o antigo emprego pela produção de flores junto da esposa e do sócio. “Foi uma sementinha que plantamos e com trabalho, investimento está dando certo. Mas produzir flor não é fácil, tem todo um trabalho, técnica, investimento, tecnologia para produzir flor de qualidade durante todo o ano. Na primavera é fácil produzir, mas o desafiador é em janeiro e fevereiro, que é entressafra. E para atender o cliente tem que produzir o ano todo”, salienta.

Flávia acrescenta que é satisfatório trabalhar com flores, de ver sua produção em uma festa, de escutar o consumidor falar que sua flor durou 30 dias no vaso. Dos decoradores comentarem que conseguem trabalhar os arranjos mais cedo por causa da durabilidade das flores. “Isso é recompensador”, diz.

Com relação a lucratividade ela salienta que é bastante vantajoso, até por não haver concorrência. Ou seja, a concorrência são os caminhões de São Paulo e neste meio, o produto local tem a qualidade de ser fresco e por conta disso, ter maior durabilidade. “A Associação Brasileira do Agronegócio de Flores e Plantas já mencionou que é bastante vantajoso a produção de flores e chegou a comparar com o cultivo de soja. Nós não temos concorrência e conforme a associação o faturamento da produção de flores chega a R$ 800 mil por hectare/ano”, conclui.

 

 

 

 

 

 

 

 

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