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Primeira escola de Erechim carece de vistoria para mostrar real situação

Última visita, externa, ocorreu com uma turma de estudantes da terceira série do Colégio Medianeira

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Grupo de estudantes do Marista Medianeira em visita à 1ª escola de Erechim.jpeg
Por Carlos Silveira
Foto Arquivo BD

 A história de um povo é retratada por aquilo que deixa para as novas gerações, sejam edificações, vestimentas, alimentação, danças e até mesmo recordações que são passadas de pai para filho e este para os netos, assim como uma corrente que vai formando vários elos ao longo dos anos.

         Mas, quando falamos em edificações, as que mais marcam a passagem dos humanos por um território, sempre nos reportamos ao estilo, arquitetura, tamanho ou simplesmente a função dentro da comunidade, que pode ser transformadora ou não, a exemplo de catedrais, castelos, pontes, pirâmides e outras tantas espalhadas pela face da terra que, como um selo, transmitem a linguagem do que foi outrora.

Deteriorização

         Em Erechim, como em qualquer lugar do mundo, seja de primeiro ou terceiro, muitas edificações surgiram, como sucumbiram com o passar dos tempos, seja por deteriorização por causa das intempéries, cupins, ou pela ação do próprio ser humano que em busca de maior poderio econômico ou outras situações que constrói ao longo de sua vida, acaba impactando no fator histórico.

Quase tomba a prefeitura

         Com o passar dos anos, estruturas como a Catedral São José, tida como uma das mais belas do Estado, acabaram caindo em prol de fatores econômicos da época, situação que quase chegou ao Palácio Municipal que também estava na mira para uma nova cara de modernidade. População e líderes locais disseram não e o prédio está em pé até hoje e tem vigor para muitos anos à frente.

Vila italiana

         Mas, contudo, todavia, também podemos lembrar de casas históricas na Rua Itália, na Avenida Sete de Setembro e outras tantas vias públicas que nos deixaram e ficam, hoje, somente na memória do Arquivo Histórico local. Nem mesmo as casas em miniatura que foram construídas na década de 90 que resgatava a história do povo italiano em Erechim foram preservadas. Depois de expostas na Praça da Bandeira foram desmontadas, ficaram empilhadas e com elas a oportunidade de termos uma vila italiana para visitação e proveito turístico.

Janelas da história

         Quanto ao Castelinho o martelo da memória vem sendo batido há vários anos, seja por jornalistas, historiadores e administradores. Mas como a história é como uma página passada, as cores das janelas mudam, desbotam, mudam, desbotam e segue a linha do tempo, ao contrário de outras cidades do Estado em que edificações como esta são a memória e o legado de um povo, o mesmo rui aos poucos.

Mantovani

Ainda retratando as edificações, vamos novamente relembrar a primeira escola de Erechim, local de conhecimento do professor Carlos Mantovani que ali ergueu um exemplo de amor e dedicação à educação e formação de cidadãos.

 De madeira, a casa permanece tal qual quando foi construída, no ano de 1927. Carlos Mantovani chegou em Erechim em 1917 como sua esposa e filho adotivo. Professor do Estado, se movimentou para a construção da primeira escola de Boa Vista, O local escolhido foi seu terreno, adquirido junto à Comissão de Terras.

 Concluída a escola onde lecionou por quatro anos (de 1921 a 1924), Mantovani deu início à construção de sua casa, em um espaço muito próximo ao local onde havia instalado a instituição de ensino. Tanto uma quanto a outra permanecem até hoje no terreno que abrange as ruas Presidente Vargas e Uruguai, no centro de Erechim.

Rodeada de frutas

 Mantovani faleceu nos anos 60. Seu pai em 1989 e sua mãe em 2005. Assim como a casa e os pertences familiares, ainda hoje, as árvores permanecem no quintal, oferecendo frutas e servindo de lar para diversas espécies de pássaros.

O mestre se foi, mas a casa segue seu curso da história, ou seja, luta diariamente para manter-se em pé. De moradia de uma de nossas maiores historiadoras, Neuza Cidade Garcez, é hoje uma grande colônia de cupins e demais moradores minúsculos que fazem do local a sua casa.

Última visita imprensa

Há anos atrás, juntamente com o jornalista Salus Loch tivemos a oportunidade de conhecer o local internamente. Ainda forte e confiável, mantinha, as madeiras intactas. Nobres, mostravam a beleza de suas veias e robustez. Na visita, uma verdadeira viagem no tempo, foi como lembrar as casas de nossos antepassados, feitas com amor e muito cálculo para durarem décadas ou séculos.

 Hoje, além do esquecimento, da ação do tempo, dos cupins, da madeira apodrecendo, ou seja, o que pode ser visto pela Avenida Presidente Vargas, a antiga escola não mostra a sua total situação, mas com certeza a umidade deve ter castigado sua estrutura.

Carece mostrar a situação

 Carece, de imediato, além de uma visitação para que a imprensa possa mostrar à sociedade a sua real situação, como o seu deslocamento para um local em que a mesma fique em destaque, restaurada e protegida. Cabe ao Estado, a municipalidade, as universidades (UFFS e URI) professores e alunos de história e historiadores puxarem este gatilho e salvar este que é um patrimônio histórico de nosso município, antes que seja tarde. 

Visitação

 Recentemente, a partir do projeto de investigação sobre “A escrita e sua história”, a turma 031 da Educação Infantil do Colégio Marista Medianeira realizaram diversas descobertas. Após investigar sobre as diferentes formas de escrita desde a antiguidade, os diferentes suportes utilizados para realizar os registros gráficos e pictóricos e explorar essas possiblidades de registro, inclusive, produzindo o papiro, o primeiro papel do mundo inventado pelos egípcios, a pergunta que surgiu foi: “Qual foi a primeira escola de Erechim?”

E, ao considerar a importância da ampliação do conhecimento acerca de como iniciou a história da educação em nosso município e acreditando na relevância que há em oportunizar às crianças o conhecimento, bem como a exploração e a ocupação dos espaços públicos e ruas da cidade, foi organizada uma visita externa até a primeira escola de Erechim. Enquanto houver memória haverá visitas, mas até quando?

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