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Economia

Cotrel: leilão dos frigoríficos é finalizado sem comprador

Sem interessados no lance inicial de R$ 247 milhões, o segundo leilão ocorrerá no dia 9 de setembro

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Mediado pelos leiloeiros Francisco Hillesheim e Erni Oro
Por Larissa Paludo larissap@jornalbomdia.com.br
Foto Larissa Paludo

O primeiro leilão do complexo de frigoríficos da Cooperativa Tritícola de Erechim (Cotrel) foi realizado nesta sexta-feira (26), nas dependências da Oro Leilões. Mediado pelos leiloeiros Erni Oro e Francisco Hillesheim, o lance inicial foi de mais de R$ 247 milhões. Sem lances de interessados, o leilão terá continuidade no dia 9 de setembro.

No segundo leilão, o preço do lance inicial será 50% menor do que o valor inicial do primeiro encontro. A estrutura foi a leilão por determinação da Justiça Federal, devido a uma execução fiscal impetrada pela Fazenda Nacional.

Apesar de cada estrutura ter o valor avaliado separadamente, só é possível adquirir o complexo todo, ou seja, os frigoríficos de aves e suínos e as instalações para fornecimento de água e tratamento de resíduos. O comprador pode adquirir a estrutura com pagamento à vista de uma entrada, de no mínimo 25%, mais 30 parcelas.

As parcelas serão mensais e sucessivas, com vencimento no dia 10 de cada mês, iniciando-se já no mês subsequente, sendo reajustadas pelo índice acumulado mensalmente da taxa Selic – a taxa básica de juros – referente ao mês anterior ao do pagamento. 

Entenda o caso Cotrel

De acordo com informações da Justiça Federal, cedidas à reportagem do Jornal Bom Dia em junho deste ano, a dívida da cooperativa já se apresenta há longa data e o montante ultrapassa os R$ 300 milhões. Sendo que algumas dívidas foram parceladas, renegociadas e outras não passaram por nenhum procedimento e seguem em aberto.

"Cada dívida tem um histórico e particularidades. A empresa tem direito a discutir essa situação e a Cotrel já utilizou recursos legais para buscar formas de resolução", explicou o diretor da secretaria da 1ª Vara Federal de Erechim, Ribamar de Oliveira, na ocasião.

Os casos foram reunidos e organizados em três blocos de execução, sendo que dois dizem respeito a dívidas de financiamentos realizados no Banco do Brasil e outro está relacionado a tributos.

Os apelos sociais

O apelo econômico e as reivindicações políticas e jurídicas acerca da situação dos frigoríficos da Cotrel não surtiam efeito e hoje (26) foi dado outro passo no processo. O Sindicato da Alimentação, através do presidente Osmar Padilha, tentou várias medidas para barrar o leilão. “Foi feito de tudo, mas não conseguimos”, esclareceu Padilha à reportagem nesta quinta-feira (25). Segundo ele, são cerca de 2.500 empregos diretos entre as duas unidades. De acordo com o presidente, a Aurora, atualmente instalada nas estruturas dos frigoríficos, tentou negociação, mas não obteve sucesso.

Lideranças de Erechim e região, parlamentares, agricultores familiares e trabalhadores urbanos também se reuniram esse ano para tratar das mobilizações. O deputado Aldemir Tortelli, um dos articuladores do encontro em julho desse ano, defendeu ações judiciais e políticas visando evitar os leilões dos frigoríficos da Cotrel. “Manter estes empregos nos frigoríficos e renda aos agricultores familiares associados à Cotrel é fundamental para a economia de Erechim e de todo o Alto Uruguai”.

O setor jurídico da Cotrel, também tentou uma última negociação com a Justiça Federal. Os pedidos de suspensão dos leilões das unidades frigoríficas foram formulados pelo advogado tributarista Valdecir Moschetta. A Cotrel argumentou sobre os efeitos da medida provisória do governo federal que trata sobre dívidas rurais, além da manifestação da cooperativa que se propõe a parcelar e pagar os tributos devidos à União. 

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