Acompanho a relação da Corsan com o município de Erechim, desde 1998. Estava no Salão Nobre da Prefeitura, quando foi assinado um contrato de 10 anos (ela já prestava o serviço antes). Era um contato padrão onde não apresentava cláusulas mais fortes, com relação aos serviços prestados. O prefeito da época era Luiz Francisco Schmidt.
Cláusulas e renovação
Numa das cláusulas, num ano antes de seu término (2007), o prefeito teria que oficiar a Corsan, sobre a prosseguimento ou não do contrato. Eloi Zanella era o chefe do Executivo e encaminhou documento com o intuito de não querer a renovação. Quando chegou 2008, ano final do contrato, e por ser um ano eleitoral, o prefeito deixou para o próximo eleito, tratar o assunto.
Racionamento batia à porta
Nesse período Erechim já vivia em alguns períodos de forte estiagem, e o racionamento batia a porta da população. O novo prefeito em 2008 foi Paulo Polis. Logo que assumiu teve um prolongado período de racionamento. Em seus dois mandatos, até 2016, renovou com a Corsan, teve a inauguração do Rio Cravo e o lançamento do edital para concessão da água e esgoto em 2016 e ainda de recursos do fundo compartilhado por parte da companhia, que ensejou ação do município para reaver esses recursos que eram uma garantia para investimentos.
Grandes batalhas jurídicas
O edital lançado em 2016, vive até hoje grandes batalhas jurídicas, e está nulo. Recentemente a prefeitura laçou novo edital de municipalização dos serviços.
Corte de relações
De 2017 a 2020, o prefeito era Luiz Schmidt. Em um determinado momento, não quis mais conversar com a Corsan, pois as necessidades de Erechim não avançavam. Também relançou o edital, mas não conseguiu levar adiante em função de ações judiciais por conta da companhia.
Em busca de outra alternativa
Paulo Polis retorno à prefeitura em 2021 e a questão Corsan voltou para seu colo. Depois de várias tentativas sem êxito, por conta de ações judiciais, começou a organizar departamento de saneamento para municipalizar os serviços e neste ano de 2024 lançou o edital.
6,5 mandatos e o mesmo sentimento
Nesse período de 26 anos e 6,5 mandatos, prefeitos de vários partidos tinham uma coisa incomum; queriam trocar os serviços da Corsan por outra empresa, em função dos baixos investimentos, pelo clamor da população.
O município não vai recuar
Em meio a edital que será aberto em breve, para saber as empresas que irão participar, a Aegea, que é a controladora da Corsan com a privatização, apresentou em Erechim um plano de investimentos na quarta-feira, 20, enquanto seu jurídico analisa o edital e que medidas irão tomar. Mas o município de Erechim não irá recuar, no intento de municipalizar os serviços, segundo informações obtidas pela coluna.
Pensar no futuro, sem esquecer do passado
O plano de investimentos é ousado, por conta dos prazos legais do Marco Regulatório, que impõe uma cobertura alta de água e esgoto até 2033. Mas antes do plano, o grande desafio da Aegea, por um serviço incerto neste momento para Erechim, é recuperar a confiança da população, por conta do passado da estatal com muitas decisões de gabinete (isso não extensivo aos colaboradores). Temos que pensar no futuro sim, mas sem esquecer o passado.