Conforme informações descritas pela Prefeitura Municipal, o nome Erechim, de origem Caingangue, significa "Campo Pequeno", provavelmente porque os campos eram cercados por florestas. No dia 30 de abril a cidade celebra seus 106 anos.
Erechim, capital da amizade (*)
Grande foram os festejos de 50 anos do município de Erechim. No ano, 1968, foi realizada uma grande festa. Na Praça da Bandeira, foram erguidos estandes representativos de todas as etnias que compunham a população do município: franceses, italianos, alemães, holandeses, judeus, espanhóis, portugueses, poloneses, índios, russos, entre outros. Esses estandes mostravam um pouco da cultura de cada povo e sua inserção no município. Lembro que houve a visita de vários cônsules que visitaram a cidade e havia shows típicos todas as tardes.
Num desses shows, Rubens Safro - popular e localmente conhecido como Buja - animava a festa e chamou a cidade de Capital da Amizade. Logo a alcunha foi adotada pelo município, devido à diversidade das etnias que compunham a sua população e à harmonia de sua convivência.
(*) Depoimento escrito em 1970, por José Maria de Amorim, primeiro tabelião da cidade de Erechim.
Longe de casa
Maurício Barancelli Schwedersky, natural de Erechim, formado em farmácia pela URI Campus Erechim, fez estágio em Porto Alegre, onde iniciou o mestrado pela UFRGS. Trabalhou na capital e após trabalhou em Tramandái. Depois de onze anos fora, Maurício decidiu retornar para Erechim, onde a família dele reside até hoje.
“Uma das motivações que me levaram a voltar foi a minha família, eu estava muito tempo longe, vinha pra cá somente nas férias, em que eu passava o tempo com eles e os meus amigos. Eu tive a oportunidade de ir em um aniversário num fim de semana, conheci cinco crianças novas da minha família, filhos de primos, que eu nunca tinha visto. Percebi que estive distante por muito tempo, e que não pude vivenciar algumas coisas”, conta Maurício.
Ele conta, que por muito tempo, dedicou-se muito a sua carreira profissional, deixando de lado sua vida pessoal e logo acabou se sentindo muito só e distante de suas relações sociais.
“Passei datas comemorativas longe da minha família, natal, ano novo, aniversários... Eu me dedicava somente ao trabalho. Comecei a repensar sobre até que ponto isso seria saudável para mim. Muito se fala em dedicar-se ao máximo, mas ao mesmo tempo em que eu estava trabalhando, eu estava sozinho, e o foco era só esse. Chegou um momento em que eu percebi que eu não tinha mais vida pessoal, eu me tornei só o Maurício profissional”, acrescenta ele.
A valorização dos laços afetivos
Que o município é a capital da amizade, Maurício Barancelli é a prova de que a cidade realmente merece o título. O seu retorno a cidade se deve ao fato de querer estar perto dos amigos e dos familiares.
Ele tem ótimas lembranças da época de adolescência, de festas como o Carnaval de Erechim. “Era muito legal, tinham os blocos, o pessoal se reunia. O Atlântico liberava o clube para fazer o interblocos, então eram gincanas com futebol, vôlei, sinuca, truco, natação, várias modalidades de esportes, o bloco que tivesse o melhor desempenho ganhava o interblocos. Tinha o verde rubro que era o do Atlântico e o azul e branco que era do clube do comércio, então eram divididas as noites de festas entre os clubes. Ao todo, eram oito dias de festa. Tudo era organizado um mês antes”, recorda ele.