O segundo leilão do complexo frigorífico da Cooperativa Tríticola Cotrel, mediado pelos leiloeiros Erni Carlos Oro e Francisco Hillesheim, aconteceu na tarde de sexta-feira (9), no auditório do depósito judicial, localizado no Distrito Industrial, em Erechim. O edital previa a venda de duas unidades de abate de aves e suínos e uma estação de tratamento de água. Contudo, sem adesão de nenhuma empresa e com uma proposta que não foi considerada, o leilão encerrou novamente sem compradores. A partir de agora a etapa compete à venda direta por meio judicial, sendo que as propostas seguem mediadas pelos leiloeiros.
O ato foi acompanhado pela direção da Cotrel, prefeito Paulo Alfredo Polis, diversas lideranças políticas, empresariais e representantes de entidades e organizações do município.
Após a leitura do edital, feita pelos leiloeiros, a proposta não registrou compradores e neste momento uma pessoa que integra um grupo de investidores de outra cidade, e que não quis divulgar o nome e a empresa a qual integra (justificando que pode atrapalhar as negociações), realizou uma oferta. A entrada seria de 25% do valor e o restante parcelado em 60 vezes. A manifestação provocou reações do prefeito municipal, do presidente da cooperativa e assessores jurídicos. Após, a proposta foi rejeitada pelos leiloeiros, pois o que prevê o edital é um parcelamento de até 30 vezes.
Em meio a algumas discussões, o investidor optou por retirar a oferta e aguardar a próxima etapa do processo.
O assessor jurídico da Cotrel, Valdecir Moschetta se manifestou ponderando que, "tendo em vista a complexidade da negociação, tem que ser seguido o que está no edital e assim, observamos que o resultado do processo foi favorável a todos e não houve prejuízo para nenhuma das partes".
Conforme o presidente da Cotrel, caso não se manifestem outras propostas seguindo o edital, será feita uma avaliação do juiz e ele entendendo que não há outra proposição dentro da legalidade, o intuito é manter as atividades como estão. "Temos a Aurora, também contamos com a organização dos produtores, os quais afirmam que a empresa parceira é a que mais remunera, tanto de suínos quanto de aves. Então, acho que não há motivos para mudar. Ao mesmo tempo, a dívida existe mas talvez com outra alternativa é possível chegar a um denominador comum", declarou.
O prefeito Paulo Polis disse que se sentiu preocupado diante do andamento do leilão. "A negociação é para mantermos o que já temos, desde a estrutura até os empregos. A Aurora fez uma parceria com a cooperativa até 2028 e sabemos dos reais interesses", comentou, citando ainda, que logo após o processo, contatou com a Aurora. "Sugeri para que seja feita uma proposta e que a empresa continue investindo no município".
A assessoria de comunicação da Aurora informou que a empresa não irá se manifestar neste primeiro momento.
Estrutura em apreciação
Nos itens englobados estavam as instalações para fornecimento de água e tratamento de resíduos, englobando 625.000m², (ambos os frigoríficos se utilizam dos mesmos reservatórios); frigorífico de aves, englobando 109.994,60m² em pleno funcionamento com o abate e beneficiamento de aproximadamente 120 mil aves/dia; frigorífico de suínos, englobando 86.244,3805m² em pleno funcionamento com o abate e beneficiamento de aproximadamente 1.650 suínos/dia.
O primeiro leilão havia sido realizado no dia 26 de agosto, porém sem lances de interessados, sendo que o valor inicial era de mais de R$ 247 milhões.