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Economia

Negócios: Cenário de preocupação e incertezas

Economista afirma que momento requer medidas urgentes, porém planejadas

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Arquivo BD
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Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

A fase da economia nacional é delicada e as dificuldades a nível de região e município, também são perceptíveis. Muitos são os desafios encontrados pelos gestores das organizações para manter os negócios com êxito. Diante da recessão econômica, foram registradas recentemente medidas drásticas, tais como demissões, até mesmo em grande escala. Tais acontecimentos podem impactar diferentes setores, desde a indústria até o comércio e serviços.
O economista e professor da URI, Roderley Renato Fiebig, explica que as empresas sem receitas podem registrar inúmeros problemas, considerando ainda, que deixam de trazer repasses do governo para o município. Tal impacto, que já é visível agora, poderá ser observado ainda nos próximos anos, caso não haja uma mudança de crédito ou outras medidas de investimento público. “Depende da engenharia que o novo governo irá apresentar, sendo que já sinaliza para algumas privatizações e não sabemos se haverá ou não aumento de impostos. No entanto, as empresas agora não vislumbram possibilidades de expansão e a expectativa é latente. Sabemos que nos negócios existem momentos de ‘altos e baixos’, sempre há riscos, porém, a fase atual necessita de medidas urgentes mas planejadas e que tenham continuidade”, ressaltou.
Busca de alternativas
Um dos exemplos é o caso da Comil que, conforme noticiado na edição de ontem (14), ingressou com um pedido de recuperação judicial, sendo que demitiu cerca de 900 colaboradores.
O presidente da Associação Comercial Cultural e Industrial de Erechim (Accie), Claudionor Mores, disse que lamenta fatos como esta dificuldade mercadológica que, segundo ele, foi agravada pela crise nacional, dificuldades de financiamento e do próprio setor de atuação da empresa. “Estamos atuando, na medida do possível, para buscar saídas, mesmo que inevitavelmente a empresa precisou tomar iniciativas como a recuperação judicial. No entanto, acredito que esta seja uma oportunidade legal para a empresa ganhar tempo e reestruturar suas finanças e retomar as atividades que o Município, o Estado e o País precisam”, declarou, dizendo ainda, que o atual momento político nacional pode acelerar esse processo.
Claudionor comenta que a fase pode permitir que empresas de médio porte atuem de modo a minimizar o impacto sofrido, contando com mão de obra qualificada e bem distribuída. “Além disso, é o momento de empresários, entidades e governo, pensarem um novo modelo de gestão econômica”, salientou.
Impacto no comércio
O empresário vive um momento de incertezas e desconfianças – reflexo da fase econômica que o país enfrenta. A alta dos impostos, o aumento dos juros, e a queda na taxa de investimentos, entre outros indicadores, compõem um cenário preocupante e cheio de desafios. Deste modo a presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Erechim, Lindanir Canelo, define o reflexo das dificuldades enfrentadas nos diferentes setores. “Pesquisas tem demostrado que entre o percentual de empresários que pretendem demitir nos próximos meses o número de cortes deve ser, em média, de dois funcionários por empreendimento”, pontua.
No entanto, de acordo com Lindanir, os maiores impactos da crise são sentidos especialmente pelos trabalhadores que tem vivido não só em um ambiente de incertezas quanto à estabilidade empregatícia quanto pela queda dos rendimentos, especialmente para os que atuam no comércio, os quais tem o rendimento mediado por comissões e ganhos extras com as vendas realizadas. “Se a instabilidade econômica e política existem, é preciso que o governo adote medidas que invertam a lógica da crise atual através de políticas que propiciem a geração de emprego e renda para que haja a retomada do crescimento”, salientou.
Atualmente País fecha mais empresas do que abre
Em 2014, o país fechou mais empresas do que abriu, o que ocorre pela primeira vez desde 2008, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou a série histórica do Cadastro Central de Empresas (Cempre).
Esta é uma das principais constatações do estudo divulgado ontem (14) pelo instituto, indicando que, em 2014 o país tinha, 4,6 milhões de empresas ativas, que empregavam 41,8 milhões de pessoas, das quais 35,2 milhões (o equivalente a 84,2%) eram assalariadas e 6,6 milhões (15,8%) encontravam-se na condição de sócio ou proprietário.
Segundo o IBGE, apesar do número significativo de empresas existentes em 2014, quando da última pesquisa, a taxa de saída de empresas do mercado cresceu 6,1 pontos percentuais, passando de 14,6% para 20,7%, em relação a 2013. Com isso, 944 mil empresas deixaram o mercado, em relação a 2013, o maior número desde 2008, no início da série histórica. No período, o número de empresas que entraram totalizou 726,3 mil.
 

 

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