O Banco Central divulgou na terça-feira (27), o Relatório Trimestral de Inflação, o qual apresenta uma análise das perspectivas até o quarto trimestre de 2018. Na estimativa, a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deve ficar em 7,3% em 2016, ante 6,9% previstos em junho.
A projeção estoura o teto da meta de inflação de 6,5% e fica longe do centro da meta (4,5%), que deve ser perseguida pelo BC.
Em 2017, a inflação deve recuar e encerrar o período em 4,4%, ante 4,7% previstos anteriormente. O limite superior da meta no próximo ano é 6%, com centro em 4,5%. Para 2018, a projeção é 3,8%.
As projeções condicionais para a inflação são apresentadas em dois cenários principais. O primeiro, denominado cenário de referência, supõe que a taxa Selic será mantida inalterada durante todo o horizonte de previsão, em 14,25% a.a., valor decidido pelo Copom em sua última reunião, em 30 e 31 de agosto, e que a taxa de câmbio permanecerá em R$3,30/US$. O segundo cenário, denominado cenário de mercado, utiliza as trajetórias para a taxa Selic e para a taxa de câmbio correspondentes às medianas das expectativas apuradas pela pesquisa Focus, realizada pelo Banco Central com analistas independentes.
Neste relatório são apresentados ainda, dois cenários adicionais que combinam hipóteses dos cenários de referência e de mercado. O primeiro cenário híbrido supõe que a taxa de câmbio permanecerá constante (em R$3,30/US$) durante todo o horizonte de previsão e que a taxa Selic evoluirá conforme trajetória apurada pela pesquisa Focus (“cenário híbrido – câmbio constante”). O segundo cenário híbrido supõe que a taxa Selic será mantida inalterada durante todo o horizonte de previsão (em 14,25% a.a.) e que a taxa de câmbio evoluirá conforme trajetória apurada pela pesquisa Focus (“cenário híbrido – juros constantes”).
Revisões e projeções
Desde o relatório de inflação de junho de 2016, os efeitos remanescentes do fenômeno El Niño sobre a oferta de alimentos e os impactos dos Jogos Olímpicos sobre os preços do setor de serviços produziram diferenças importantes entre as projeções para a inflação mensal dos últimos três meses e os valores observados.
Projeções de curto prazo
Em setembro, a continuidade do arrefecimento da inflação de alimentos, a dissipação dos efeitos de reajustes do grupo educação e a queda dos preços de itens influenciados pelas Olimpíadas devem favorecer a desaceleração da inflação ao consumidor.
Nos dois meses seguintes, altas sazonais nos preços de carnes, produtos in natura e passagens aéreas podem provocar aceleração das taxas mensais, que, no entanto, devem ficar abaixo das variações registradas nos mesmos meses de 2015, sustentando a queda da inflação acumulada em doze meses.
No que se refere à evolução da taxa Selic média, as expectativas para o quarto trimestre de 2016 aumentaram de 13,44% a.a. para 14,08% a.a. e, para o final de 2017, deslocaram‑se de 11,25% a.a. para 11,00% a.a. Para o final de 2018, as expectativas mantiveram‑se em 10,50% a.a.
Entre outros fatores, essa projeção considera, para o acumulado de 2016, reajuste médio de 12,1% nas tarifas de ônibus urbano e redução de 7,0% nos preços da energia elétrica. Para 2017, considera‑se variação de 5,8%, ante projeção de 5,3% no relatório anterior. Entre outros fatores, essa projeção considera reajuste médio de 6,9% nas tarifas de ônibus urbano e de 7,7% nos preços da energia elétrica. Para 2018, considera‑se variação de 5,1%.
O consultor de crédito, Elias Antônio Basso, destaca que o relatório estima que a partir de outubro os juros irão começar a baixar considerando que a inflação futura já registrou baixa.
Sendo assim, a expectativa é que o juro no consumo diminua e um dos setores que pode sentir o impacto positivo é a área de crédito imobiliário. Para isso é muito importante o reajustamento de gastos por parte do governo e a alternativa de baixar juros pode significar a retomada da economia. “Nos concede perspectivas, coragem, para investir haver um novo alinhamento. O dólar caiu nos últimos meses e o mercado está esperando os resultados sinalizados no relatório”.
Lideranças confirmam perspectivas
Conforme o presidente da Rede Metal Mecânica do Alto Uruguai, Wolmir Badalotti, o relatório aponta para a retomada da confiança dos investidores e empresários a partir das mudanças prometidas e também da tentativa de redução de custos da máquina do governo. “A limitação de gastos públicos já aponta para melhorias e estancamento do déficit público. Aliada a isso está a perspectiva do Banco Central em reduzir as taxas de juros, o que é fundamental para os novos investimentos e a geração de emprego”, salienta.
O empresário cita ainda, que o atual governo percebeu aonde estão os problemas e está reagindo para fazer as correções.
Sob a mesma perspectiva, o presidente da Associação Comercial Cultural e Industrial de Erechim, Claudionor Mores, destaca que o ramo empresarial acredita no relatório do BC e que a classe também lamenta a inflação que tem disparado e superando a meta, provocado perdas comerciais, entre outros impactos negativos na economia como um todo. No entanto, Claudionor pontua que a característica que marca, principalmente o próximo ano é: confiança, sendo que o termômetro está atrelado a possível baixa na taxa de juros, a qual pode diminuir os riscos. Fato que pode refletir também nas prováveis parcerias público privadas e no maior espaço para recursos do exterior. “A expectativa atinge a todos os segmentos e pode resultar na retomada do crescimento econômico, o qual poderá ser melhor observado a partir do segundo semestre de 2017”.
Cenário de incertezas
O economista e professor da URI, Arnaldo Moscatto, avalia com cautela e salienta que o relatório aponta para expectativas, as quais são importantes, mas que o atual cenário ainda mantém muitas incertezas. “É uma maneira mais fácil de obter informações sobre as perspectivas que o mercado apresenta. Nos últimos anos, praticamente o teto passou a ser a meta da inflação, pois as empresas, para não registrarem tantos prejuízos, acabam aumentando o preço. E não há como falar de inflação sem citar a taxa de juros que está há 1 ano no patamar de 14,25%, o que encarece o consumo de bens duráveis e também os investimentos. A estimativa é que caia neste ano, chegando a 13,75%”, comentou. No entanto, o que preocupa, segundo o professor, é que ainda não há uma política bem definida, o que ainda causa instabilidade.
Neste sentido, o especialista considera que a projeção de crescimento da economia ainda é pequena devido a baixa na produção. Contudo, há uma previsão de crescimento de 1,03% para o próximo ano.
Caso seja mantida essa situação de melhora, ele acredita que para haver uma recuperação efetiva da economia, podem demorar ainda em torno de três anos.