A Prefeitura de Erechim, por meio da Secretaria Municipal de Gestão e Governança, realizou, na Câmara de Vereadores, na manhã desta quinta-feira (13), a Audiência Pública da Modernização, Otimização, Expansão, Operação e Manutenção do Sistema de Resíduos Sólidos Urbanos de Erechim, para apresentar a proposta do novo serviço de recolhimento de lixo do município, que tem como característica principal a automação. Inicialmente, será implantada na área central da cidade e depois vai avançar para os bairros. A proposta prevê investimentos de mais de R$ 155 milhões em 30 anos de concessão.
O modelo fica para análise da população, no site da prefeitura, até o próximo dia 27 de fevereiro. Estavam presentes, na audiência pública, representantes públicos, servidores, vereadores, comunidade em geral e imprensa.
Pés no chão
O prefeito, Paulo Polis, disse que pela primeira vez o município tem um estudo aprofundado sobre este tema que é uma demanda muita antiga do município. “Existe o mundo ideal e há o mundo possível, sei que precisamos buscar o mundo ideal, mas vamos trabalhar com os pés no chão no mundo possível. O projeto tem que dar resultado para quem vai investir, mas, principalmente para a nossa comunidade, que está fazendo com que isso aconteça através do pagamento dos impostos”, afirma o prefeito Polis.
O coordenador municipal de Saneamento Básico, Gismael Brandalise, afirma que a gestão eficiente dos resíduos é um desafio de todas as cidades do Brasil. “O crescimento urbano e a geração cada vez maior de resíduos e das exigências ambientais, demandam soluções inovadoras e a busca de novas tecnologias”, observa Gismael.
Ele ressalta que todo este projeto pode sofrer melhorias e alterações ao longo do tempo. “A cidade vai crescer, outros desafios ambientais podem advir neste tempo, então, toda esta modelagem pode vir a sofrer melhorias no decorrer da sua trajetória nos 30 anos. Não é um modelo estático”, destaca.
Proposta
O economista e consultor da Fundação do Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), Tadeu Alves, apresentou a proposta do novo serviço de recolhimento de lixo, o modelo técnico e operacional, viabilidade econômica e a modelagem jurídica. A FIPE foi contrata pelo município para fazer estes estudos.
O formato será em Parceria Público-Privada (PPP), com contrato único de 30 anos de concessão, com investimentos a cargo do parceiro privado e remuneração submetida a indicadores de desempenho. No modelo apresentado, o município vai ter que investir recursos públicos.
Contêineres
Entre as principais alterações da nova proposta é a automação do sistema de coleta, que será feita por contêineres, inicialmente, na área central de Erechim, que ficarão disponíveis 24 horas por dia, 365 dias por ano. “A coleta automatizada, por meio de dois tipos de contêineres, fará uma melhor separação dos resíduos orgânicos e secos, tende a contribuir para o aumento dos índices de reciclagem, vai eliminar os sacos de lixo nas calçadas”, explica Tadeu.
A distância média entre os contêineres será de 150 metros, com 3,2 metros cúbicos de capacidade de carga. Serão 400 unidades para coleta orgânica e 400 unidades para seletiva, resíduos recicláveis. A coleta será feita pelo caminhão-coletor, coordenada somente pelo motorista dentro da cabine. “Isso caracteriza a automação do processo, exige mão de obra mais qualificada e dispensa o coletor tradicional. Este é o aspecto essencial deste sistema. A implantação da coleta automática está prevista para ser implantada no primeiro ano”, afirma o economista.
Investimentos
Conforme Tadeu, dos R$ 155,6 milhões de investimentos, em 30 anos, a coleta domiciliar automática vai demandar em torno de R$ 52 milhões (33%) e a coleta seletiva automática R$ 41 milhões (28%) representando 61% do total investido. O restante ficará dividido entre a coleta domiciliar convencional em torno de R$ 21 milhões (14%); transbordo, transporte e destino final cerca de R$25 milhões (16%); os ecopontos pouco mais de R$ 9 milhões (6%); e, demais gastos R$ 4 milhões (3%), que não foram relacionados.
Ecopontos
Outra novidade deste modelo será a instalação de seis ecopontos, que tem como finalidade oferecer à população um local adequado para o descarte, gratuito, de resíduos como entulho de pequenas reformas residenciais, móveis, colchões e eletrodomésticos, materiais passíveis de reciclagem que não estejam contaminados com resíduos orgânicos.
Secretaria de Meio Ambiente
A redação do Jornal Bom Dia conversou com o secretário de Meio Ambiente, Cristiano Moreira, que defende a constante modernização e aperfeiçoamento dos serviços púbicos. “A conteinerização automatizada vai modernizar nosso sistema de coleta, ela é muito melhor e mais eficiente do que o sistema convencional, que se tem atualmente”, observa Cristiano.
O secretário ressalta, no entanto, que será necessário um período de transição e de muita colaboração da população. “Vai depender muito do comportamento das pessoas, porque a tecnologia por si só não resolve este assunto”, ressalta ele.
“A coleta conteinerizada vai nos colocar num outro patamar, em termos de sistema de limpeza pública. De forma geral estamos caminhando para aperfeiçoar o processo como um todo e melhorar a qualidade do serviço”, enfatiza o secretário Cristiano que acrescenta, gradativamente, o novo sistema será levado para toda a cidade, para os bairros.