O vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza, concedeu entrevista à TV Bom Dia, ao jornalista político, Rodrigo Finardi, na manhã desta quarta-feira (7), antes de participar da posse da nova presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Adriane Perin de Oliveira, prefeita de Nonoai.
Acessos asfálticos
O primeiro assunto foi sobre os acessos asfálticos no estado. “O governador, Eduardo Leite, assumiu, em 2019, com 62 municípios sem acesso asfáltico, inclusive no Alto Uruguai. Hoje, são 19 municípios que ainda não têm acesso asfáltico e, destes, oito já iniciamos as licitações. E os demais 11 estão em elaboração de projetos. Até o fim do nosso governo não vamos ter mais nenhum município sem, pelo menos, ter iniciado o processo licitatório da obra ou até mesmo a ordem de início de serviço da obra”, observa ele.
E, acrescenta, “portanto, queremos encaminhar o encerramento dessa história antiga do Estado de ter condenado, de uma certa forma, inúmeros municípios gaúchos e, consequentemente, suas populações, há um subdesenvolvimento”.
Um ano de enchentes e plano de reconstrução
Com relação às enchentes de maio de 2024, que causaram inúmeros prejuízos ao Rio Grande do Sul, o vice-governador ressalta que os gaúchos passaram pela pior crise climática do Brasil, no século 21. “Foi extremamente agressivo, destruiu pontes, rodovias, escolas, hospitais, residências de pessoas, prédios públicos, pavilhões industriais, carregou, arrastou a parte fértil do solo da agricultura, matou animais, benfeitorias do campo, maquinário agrícola, um negócio impressionante”, afirma o vice-governador.
“O Estado criou o Plano Rio Grande uma carteira de projetos de reconstrução e de melhoria da resiliência climática, ou seja, em outras palavras, para adaptar o Rio Grande do Sul para eventos futuros, porque não dá só para reconstruir a ponte, no mesmo lugar, ela tem que ser mais alta, mais robusta, e isso leva mais tempo, são projetos de engenharia complexos. E está comprovado que as pessoas que mais têm vulnerabilidade social, as pessoas mais pobres, elas sofrem mais na crise climática”, disse ele.
Gabriel ressalta que o estado criou um conselho, que está em funcionamento, para recolher as demandas e encaminhar para o governo. “A Secretaria da Reconstrução do Estado tem o FUNRIGS, que é o Fundo de Reconstrução do Rio Grande do Sul, onde temos os recursos que serão aplicados nesse projeto. São 14,3 bilhões de reais de 2024 até início de 2027, que é o período em que o Rio Grande do Sul renegociou sua dívida com a União”, explica o vice-governador.
Educação
Ele ressalta que ainda há muito para se fazer no Rio Grande do Sul. “Só nas escolas, por exemplo, nós estamos investindo mais de R$ 9 bilhões durante os dois governos e, ainda, há uma série de situações que não foram resolvidas, porque há décadas de ausência de investimento”, comenta.
O Rio Grande do Sul tem 2.300 escolas, sendo 1.100 de Ensino Médio. “Começamos o governo com 18 escolas em tempo integral de ensino médio e, hoje, temos quase 300 e, ano que vem, vamos a quase 600 escolas em tempo integral. Isso certamente vai valorizar muito a capacidade do estudante, criar condições melhores de se desenvolver, ter capacidade de aprendizagem, ter melhor preparação no mercado de trabalho, uma qualidade de ensino muito melhor”, explica.
Manejo do solo
Com relação ao programa de manejo do solo, o vice-governador afirma que é uma inciativa inovadora. “Ele vai passar, em torno de R$ 30 mil, para o produtor rural de pequenas propriedades. É o maior programa da história do Rio Grande do Sul e poderia até dizer que de um estado brasileiro para manejo de solo da agricultura familiar”.
Pedágios
Sobre a duplicação da ERS 135 entre Erechim a Passo Fundo, por meio de concessão pública e quatro pedágios, Gabriel faz a seguinte análise. “Primeira coisa, é mais caro não pagar o pedágio, e não ter a estrada, do que pagar o pedágio, e ter a estrada. A estrada de Erechim a Passo Fundo é uma das principais rodovias em desenvolvimento do norte gaúcho. Nós teríamos um desenvolvimento muito superior, ao que estamos tendo, se tivéssemos rodovias duplicadas, com rótulas de acesso aos municípios adequadas, com viadutos onde eventualmente há necessidade, com sinalização da pista, com socorro 24 horas”, comenta.
Estado
“É importante ressaltar e registrar que o nosso governo, em que pese seja um governo favorável as concessões, as parcerias público-privadas, não prega o Estado Mínimo. Nós estamos defendendo o que chamamos de Estado Necessário, estar presente onde as pessoas precisam do Estado, onde ele não pode estar ausente. Defendemos o Estado Necessário, que não é nem tão grande, que não fique inchado demais e atrapalhando, e, nem tão pequeno, que se sinta ausência dele”, observa o vice-governador.
Política brasileira
Gabriel observa que existe na política brasileira, hoje, um radicalismo, de certa forma, de lados opostos que, basicamente, não fazem política a favor de algo, mas fazem política contra algo. “Isso não me representa. Eu faço política a favor de algo, senão, não vejo sentido em fazer política. A política é feita para melhorar a sociedade, para poder defender as suas ideias e não para ser contra alguém meramente, naturalmente”, afirma.
Além disso, acrescenta ele, dentro do debate insano da polarização há políticos, nas suas redes, “que meramente lacram, ou buscam lacrar o dia inteiro, sem absolutamente nenhuma proposta, sem absolutamente nenhuma ideia”.
Rio Grande do Sul
“Não existe Estado que tenha alíquota de ICMS modal mais baixa que o Rio Grande do Sul, que é 17%. Progredimos, o Estado voltou a investir, diminuiu sua carga tributária e tem condições, no próximo governo, em mantendo esse projeto, diminuir ainda mais. O que estamos fazendo de obras no Estado é impressionante. E o que nós faremos ainda este ano de mais obras é outra coisa ainda mais impressionante, vai ser o governo que mais fará investimentos públicos na história do Rio Grande do Sul. E, exatamente, por isso, nós realmente teremos condições de mostrar nas eleições o quão esse projeto colocou o Rio Grande do Sul nos eixos. Não pode ter retrocesso e deve ter o passo adiante”, finaliza.