De acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), as vendas do setor supermercadista no Brasil tiveram crescimento real de 1,73 por cento em agosto ante o mesmo mês de 2015 e declínio de 2,65 por cento na comparação com julho.
No ano até agosto, as vendas dos supermercados no país acumulam alta de 0,8 por cento, descontada a inflação, sobre o mesmo período do ano passado. Para o superintendente da Abras, Márcio Milan, isso indica estabilização do setor e uma sensível melhora da economia brasileira, que vive a sua pior recessão em décadas.
A Abras revisou sua projeção para o desempenho do ano e agora espera alta de 0,7 por cento nas vendas reais em 2016 ante previsão anterior de crescimento de 0,45 por cento.
Região de Erechim
Para o presidente da rede União de Supermercados, Ademir Fávero, ainda é cedo para falarmos em reação de mercado. Segundo ele, ainda demora um tempo para diminuir a instabilidade. Ele salienta, contudo, que há demanda, mas o consumo está reprimido. “As pessoas acabam investindo por necessidade de compra. Por outro lado, a medida que as famílias diminuem as dívidas, efetuam menos compras parceladas e deixaram de investir em bens móveis e imóveis, pagando as prestações acumuladas, vão recompondo a renda ou valor necessário para ter um melhor consumo de mercado”, explicou, citando ainda, que esse é um processo natural diante de um cenário de crise que se arrasta a quase dois anos.
Ademir comenta que a maioria das pessoas acabam priorizando a cesta básica, a qual, segundo ele, registrou queda em alguns itens. “São dois fatores: o ritmo alterado de consumo que está menor e a menor demanda”, pontua.
Por outro lado, segundo o empresário, a quebra de safra e o comportamento climático também afetam a situação de mercado. “A produção neste ano está melhor, aumentou a oferta e isso provoca um equilíbrio e a queda nos preços”, acrescenta.
Variação de preços
Alguns produtos registram queda nos preços nos últimos dias. Entre eles está a cebola, que chegou a altos índices e agora pode ser adquirida por menos de R$ 1/kg. O tomate, a cenoura, a beterraba e a batata inglesa estão na lista das variações constantes. Do mesmo modo, o leite havia atingido um pico de alta com patamares históricos e hoje o preço aos consumidores retornou aos valores considerados “tradicionais”, sem muitas variações.
Já entre os itens que atualmente estão assustando o bolso dos consumidores, devido ao preço elevado, está a farinha de milho. Segundo Ademir, o motivo é a escassez de milho para a ração animal que acaba interferindo também no consumo humano. O preço do pacote de 1 kg está entre 30 e 40% mais caro.
Ao mesmo tempo, os produtos de limpeza também sofrem diretamente o impacto do dólar que influenciou o aumento de preço.
Cesta básica
Em separado, a pesquisa Abrasmercado mostrou em agosto a primeira queda em um ano no preço da cesta básica, formada por alimentos e itens de higiene e limpeza considerados de primeira necessidade. A queda foi de 0,27 por cento frente julho.
Nos 12 meses até agosto, porém, o preço da cesta básica na pesquisa Abrasmercado subiu 18%, o que mostra ainda a resiliência dos preços.
Preocupação do consumidor
“O salário permanece inalterado e os preços subiram e isso é muito complicado. Procuramos priorizar os produtos, ignoramos muitas coisas que são supérfluas e escolhemos as marcas mais acessíveis”, escriturária Gisela Schultz.
“Os preços estão altos, comprei três pedaços de carne para um churrasco e estou surpreso. Geralmente quem faz mais compras é minha esposa e ela também considera os preços muitos altos”.
Harrison Testa, artista plástico
“Os itens da cesta básica estão caros e por isso pesquisamos, priorizamos e escolhemos as marcas”.
Vadelino e a esposa Estanislava Martins